França

De norte a sul

Eu adoro pegar uma estrada… ver a paisagem passando rápida, umas vaquinhas ali, uma montanha diferente lá, plantações. Se for numa bonita manhã de sol, boa companhia, mapas e trilha sonora garantida, aí então é que eu posso rodar uma bela quilometragem sem cansar. Ok, ok, parar em alguns lugares charmosos para comer e descansar também ajuda bastante 😀

Por isso eu nem pisquei quando planejamos ir de carro pelos 800 km que separam Paris de Port Grimaud, o próximo destino. Afinal, mesmo indo pela auto-estrada, iríamos cortar regiões como a Borgonha e o vale do Rhône, passar por um pedacinho da Provence (e admirar um pouco o Mont Sainte-Victoire) para depois ver a linda costa sul.
E até das placas eu gosto! Especialmente aquelas marronzinhas com o desenho das atrações de cada cidade ou região…E que tal aquelas simpáticas de Ville Fleurie? Cada louco com sua mania 😛

(fotos de www.lacroix-signalisation.fr (e) e www.st-honore-les-bains.com (d) )
E falando em paradas estratégicas, uma das nossas foi em Tournus, onde a Guilou e o Jacques moraram por um tempo. É uma simpática cidade à beira do Saône, cuja atração principal é a Abadia de St Philibert, do século XI.

 
A igreja tem aquele jeitão sóbrio e sólido, típico do estilo românico e, além da sua monumentalidade, ainda preserva alguns afrescos daquela época, coisa cada vez mais rara de se encontrar. Quando não estão vandalizados e/ou corroídos pela ação de séculos, foram muitas vezes retirados e instalados em museus para evitar maiores perdas. Para quem gosta deste tipo de arte, o MNAC (Museu Nacional d’Art de Catalunya), em Barcelona, é um prato cheio. Maravilhoso.
Uma das melhores coisas em mosteiros, para mim, é sempre o claustro. Este era muito silencioso, pouca gente visitando, uma delícia de sol batendo no jardim verdinho. Um lugar ideal para relaxar de um tempo na rodovia. É possível também visitar o refeitório dos monges, que fica bem ao lado.
Os arredores são muito bonitos, já que a igreja fica dentro da cidade murada. Para quem tem mais tempo, um passeio interessante é aquele que segue pelas ruazinhas medievais até a beira do rio, onde muita gente mantém seus barcos de passeio.

 
E de volta para a estrada, mas não por tanto tempo, pois passaríamos a noite perto de Roanne: é ali que vive o querido Charles e sua família. Claro que aproveitamos seu convite, já que é tão raro vê-los e ainda mais sendo tão perto do nosso roteiro.
Para melhorar, o caminho que sai da auto-estrada e segue até a região de Cours La Ville é uma estrada verde Michelin: vamos cortando o famoso pays Beaujolais e seus vinhedos.

Depois de terminados os vinhedos, segue uma região alta cheia de pastos com vaquinhas charolaise e pinheirais…inacreditável. Ficamos pasmos com o sol de final de tarde filtrando entre as árvores e deixando brilhante os campos verdinhos. Fiquei tão alucinada na paisagem que até me esqueci de tirar fotos 🙄
É nessa beleza toda que fica Cours e o vilarejo onde o Charles mora, bem à beira do Lac des Sapins, onde passamos a noite. 

Depois de matar as saudades com muita conversa e comida boa, acordamos cedo porque afinal era uma terça-feira e todos teriam que trabalhar. Tomamos café da manhã em Cours, com a mãe do Charles e continuamos o nosso caminho. E a próxima parada seria o nosso destino: o Golfo de Saint Tropez 😀
 
 
PS: Outra pessoa que também gosta muito de viajar de carro é o Beto. Ele (e sua Teté) tem ampla experiência em viajar pela França nesse esquema, além de talento para escrever textos danados de bom. Eu se você dava um pulo lá também para saborear a última aventura deles, pela Provence.

21 Comments

  1. Cecilia

    Oi, Emília!
    Acompanho o blog do Ricardo e vi que você se interessou por Itacimirim. Sou de São Paulo e tenho passado os últimos 5 verões por ali , com marido e filho adolescente e posso garantir que não há praia melhor perto de Salvador: fica pertinho do Forte para passear e jantar, só que com tranquilidade e a beleza incomparável das praias, além dos preços serem bem melhores.
    Como já fiquei em quase todas as boas opções da região, posso indicar:
    A pousada Costa Smeralda em Guarajuba, que fica dentro de um lindo condomínio, a 200m da praia e é de um italiano super exigente e que conta com a mesma equipe de funcionários há anos!! O jantar incluido na diária é ótimo!
    Para ficar luxuosamente acomodada, o Vila Galé é bárbaro, mas não achamos graça nenhuma no estilo resort e nem na comida. Ele fica exatamente entre Guarajuba e Itacimirim, posição excepcional, mas é bem caro. Fica pertinho do melhor bar da praia, o Papiri.
    Em Itacimirim, apesar da Jambo ser bem ao lado da praia principal, achei o atendimento meio displicente. A Pousada da Espera é legal, mas muito longe dos bares e das piscinas naturais que se formam na maré baixa, ao contrário da Pousada Lagoa Clara, que inclusive é até mais barata que as demais. Os proprietários tocam a pousada e como moraram muitos anos fora, se dedicaram à gastronomia, então você pode jantar bem ali mesmo se não quiser pegar carro para ir ao Forte. O atendimento é gentilíssimo e os apartamentos , apesar de pequenos, são super bem cuidados e confortáveis.Peça os apartamentos do andar superior. A praia em frente é linda e fica a 500m. dos bares. O Guia 4 Rodas desse ano indica a pousada como o melhor custo benefício da região.
    Só não vamos para lá esse ano pois iremos novamente para Barra Grande e Itacaré, outra de nossas paixões!
    Parabéns pelo seu blog, que é muito bonito e bem feito!
    Boa viagem!
    Cecilia

  2. Carmen

    Emília, um bom post.
    Paul Cézanne pintó muitas versãos distintas da misma montanha: do Mont Sainte-Victoria. É um paisagem formoso e além disso com personalidade e muito pictórico. Os post de você e de Beto, também, fazem que eu deseje conhecer a Provenza.
    Um grande abraço

  3. Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

    EMÍLIA, que delícia de imagens e que texto convidativo.Mas saiba que vc. não é a única a gostar de placas: eu e minha mulher adoramos fazer fotos de placas e quanto mais `de estrada´ forem, melhores.
    Vez por outra faço fotos parado em acostamentos de auto-estradas, cheio de medo de provocar um acidente ou ser abordado por um policial. As melhores e mais fantásticas fotos de placas de estardas que fiz foi em uma das minhas viagens pelo oeste americano. Gostei especialmente da placa de Dinan.
    Que passeio bacana!
    Emília, saiba que fiquei muito feliz e orgulhoso de que vc. tenha pedido à Majô para falar comigo ao telefone ontem, durante a ConVnVenção com o Ricardo Freire e uma turma enorme de amigos. Se eu pudesse ficaria horas conversando com você. Muitoobrigado pela delicadeza e simpatia.
    Sintam-se intimidados a virem ao Rio de Janeiro.

  4. Carol Wieser | Travel Forever

    Emília,
    Adoro viajar de carro, acho que nã há maneira melhor de aproveitar cada detalhe (seja da paisagem, quanto na mobilidade) quando em cima de rodas. É gostoso poder circular livremente não?
    Beijos

  5. Emília

    Oi, Cecilia! Obrigada pela visita e pelo relato completo de Itacimirim…achei uma delícia a descrição e me interessei, sim. Tenho família em Salvador e sempre que vou dou um jeito de conhecer algum lugar nos arredores, como já aconteceu com a praia do Forte e Boipeba. Da próxima vez, pretendo aproveitar um pouco melhor o litoral norte.
    Sempre ficamos em pousadas, não sou muito de resorts (mas tenho que abrir uma exceção, que é o Med de Itaparica, super animado, mas acomodações simples).
    Se conseguir ir para lá nesse começo de ano, penso em parar talvez em Itacimirim e Siribinha, mais ao norte, pouco conhecida, e talvez algum outra parada. Vamos ver o que o trabalho me reserva…espero que dê certo.
    Um abraço! 😀
    Carmen, o Monte Ste Victoire é lindo, em pintura ou ao vivo…e espero poder numa próxima vez poder explorar mesmo a Provence, já que nesta eu fiquei mais no litoral. O Beto virou minha referência, ele soube curtir o lugar como se deve. E pelo que eu me lembro, o Jorge do Giramundo tem também posts belíssimos de lá. Para sonhar… 😉
    Arnaldo, essas placas marronzinhas são fofas demais para passar despercebidas…e nos ajudam a perceber a quantidade de coisas maravilhosas que o país tem, já que são muito constantes: uma abadia nessa cidade, aqui uma região de cultivo de maçãs, ali um castelo…dá uma vontade de parar em tudo 😀 Eu também gosto de tirar fotos, mas estas eu acabei pegando na internet mesmo.
    E foi um prazer conversar com você ontem e poder agradecer a super ajuda que você me deu. Pena que não deu certo desta vez de novo, mas eu estou morrendo de saudades do Rio e com certeza nos encontraremos quando nós formos para essa cidade linda…
    Oi, Carol! Eu adoro um carro para circular por lugares charmosos e a França é um deles…normalmente não é recomendado fazer o que fizemos: cruzar um trecho grande de carro. Mas estávamos em quatro e precisaríamos do carro para nos locomover no litoral, então…vamos lá, sem problemas 😀
    (PS: Eu sou um pouco suspeita para falar porque sou louca por meios de transporte: adoro também aviões, barcos, trens… 🙄 )
    Um ótimo começo de semana para todos!

  6. Off the beaten path: faz toda a diferença!!! 😀
    Emília, estou acompanhando a viagem de vocês. Tudo muito bacana, tudo muito lindo… Bjs, :mrgreen:

  7. Emília

    Oi, Mr. Zé, bom ter notícias tuas!
    Quanto ao off the beaten path, a verdade é que a nossa proposta na França era mais curtir as pessoas do que turistar, na verdade. Mas se der para fazer as duas coisas… 😉
    Essa região onde mora o nosso amigo foi uma surpresa agradabilíssima…perfeito para descansar e fazer trilhas. Levam um vida chata ali 😆
    Um abração!

  8. afrancesa

    Oi Emilia! Que bom que amou a viagem, a Grécia é mesmo tudo de bom! Já estou planejando minha segunda vez por lá, e Milos é forte candidata 🙂 Acabamos de chegar do Brasil e estou preparando meu relato de viagem. Passamos 1 semana no Toque, já viu que aproveitamos muito né 🙂
    Aguardo seu relato!

  9. Luisa

    Oi Emilia
    Eu tb sou chegada numa estrada e dirigir pela Europa, alem de muito facil, é fascinante! Tem sempre uma alguma coisa interessante no caminho: uma cidadezinha charmosa, um mosteiro, um restaurante… Sao quilometros que a gente nao sente passar!
    E cada foto maravilhosa! Isso sim é que é estrada!
    Bjs

  10. Beto

    Eita, que maravilha é a França, né? Eu às vezes acho que meu disco riscou. Há tempos só consigo pensar em viagens pra França (quero agora umas 3 semanas de Paris no mínimo, pois das duas últimas vezes em que fomos, este ano e em 97, ficamos apenas 3 dias), Itália e Portugal. Não temos grana suficiente pra conhecer novos lugares e matar a curiosidade com tudo o que deixamos de conhecer, ver e degustar por onde já passamos. Acho que o tempo fez a gente ficar mais ansiosos em aprofundar o que já conhecemos, do que descobrir novos lugares (não que não queiramos, mas não é possível fazer tudo). Você falou que gosta de mosteiros. Estivemos nas 3 abadias cestersienses da Provence – Le Thoronet, Senanque e Silvacane. São de babar. Um dia eu boto lá no meu lugar. Beijos

  11. Emília

    Flavia, vamos trocar? Estou louca para ir para o Rota, mas talvez o Toque seja demais para o meu caminhãozinho, chuiff…mas vamos tentar passar uma semaninha lá no ano que vem.
    Quanto à Grécia…sem comentários, né? Pelo que eu me lembro você gostou de Naxos, que é mais tranqüilo…Milos é assim, menos turística, mais sossegada. Lá, meio de setembro já é baixa temporada, por exemplo. Mas depois você vai ver as fotos 😀
    Luisa, além de gostar de estrada, você é corajosa! Para vocês pegarem carro alugado na Russia…tiro o chapéu 😀
    Mas pelos posts valeu a pena a aventura. Aliás, estou adorando os posts russos, muito fascinante…achei Kizhi lindíssima, assim como as Ilhas Solovki. Minha mãe quer muito voltar à Russia (ela foi no começo dos anos 90) e quem sabe eu a convenço a ir por conta? :mrgreen:
    Beto, lendo os seus textos eu entendo perfeitamente a sua sensação de estar lá (só que eu não consigo nem chegar perto no meu texto quanto a passar o que se sente, hehe…) Eu sei que é o lugar que eu não vou me cansar de visitar, porque, por mais que já tenhamos ido, sempre vão nos parecer como da primeira vez. Nossa meta é ir aos pouquinhos, tenho tantos planos de viagem para lá…mas o próximo deve ser Alsácia, a ‘terrinha’ da família. Fiquei morrendo de vontade de alugar uma ‘penichette’ e andar pelos canais…acho que vocês iriam gostar do esquema também.
    E é o lugar que eu sempre vou dedicar um tempo das minhas férias, sem remorsos de não conhecer coisas novas 😀
    PS: Fico esperando ansiosa os posts dos mosteiros, você viu a Senanque cheias de lavanda?

  12. Luisa

    Emilia, se tua mae for do tipo aventureira e que ri das proprias “desgraças”, dou o maior apoio! Descobrir a Russia por conta propria é fascinante!
    Bjs

  13. Beto

    Emília, acho que você escreve bastante bem e não concordo com isso aí que você falou de não chegar perto. E você ainda me vem com essa “novidade” das penichettes na Alsácia (que também tá na minha lista e, se calhar, acaba de ir lá pro topo). Fui ver o site http://www.locaboat.com/fr/ e acabei de ter uma idéia “genial”. Só falta o tempo e o dinheiro pra botá-la em prática. Mas nem é tão caro, sobretudo se dividir num grupo ou for em família. Obrigado pela dica. Bjs. (Tô começando a botar as abadias sistercienses lá no blog, dá uma olhada).

  14. Carla

    Ah, eu também não perco a oportunidade de desbravar uma boa estrada sempre que possível! E as da Europa são mesmo excelentes em termos das surpresinhas e agrados que vão oferecendo ao longo do caminho – uma paisagem linda, uma curva que mostra um ângulo especial, uma cidadezinha que ninguém conhece e que parece um postal, e assim nem notamos o dia passado na estrada… 😉 (Já nos EUA, um país onde se viaja tanto de carro, a minha impressão é oposta – as estradas de lá são longas, retas e sem graça, com pouquíssimas exceções!)

  15. Emília

    Luisa, vou testá-la: estou enviando para ela o link do teu blog :mrgreen: Mas uma coisa é certa: ela vai amar os teus posts!
    Beto, não repara, não…é que eu realmente curto os teus textos, fico feliz quando tem post novo. Não é puxa-saquismo, não 😳 😀
    Gostou do esquema das penichettes? Eu acho uma boa pedida para quem quer ter uma experiência diferente, num ritmo tranqüilo: você pára a sua penichette na beira do vilarejo que gostou, pega sua bicicleta (que está no convés) e sai para passear, almoçar…chato, né? 😉
    Eu não acho tão caro também quando se pensa nos barcos para 4 ou mais pessoas. É um caso a se pensar…gostaríamos muito de fazer numa próxima vez, vamos ver.
    Vou dar um pulo lá para ver o post!
    Carla, realmente as auto-estradas americanas não são muito inspiradoras, não. As nossas grandes estradas também caem na monotonia, de vez em quando.
    Agora…as nossas estradinhas pequenas também são muito bacanas, não? Rio-Santos, as estradinhas várias na Mantiqueira, a Graciosa, arredores de Tiradentes… 🙂

  16. Carla

    Concordo totalmente, Emília! Nós temos estradinhas lindas também! Aqui na serra fluminense temos umas imperdíveis (mas que devem ser evitadas em épocas de chuvas, por causa do risco de queda de barreiras) – a Friburgo-Teresópolis e a Teresópolis-Petrópolis. Valem a viagem! 😉

  17. Emília

    Carla, a serra fluminense é uma falha de currículo, hehe…só cheguei até Petrópolis, mas morro de vontade de seguir em frente e experimentar o banquete russo do Dona Irene. Se bem que…eu queria mesmo era fazer o trajeto a pé! Dizem que a travessia Petrópolis-Teresópolis é lindíssima…

  18. Majô

    Emília, ameei o post !! Adoooro uma estrada na Europa com essas cidadezinhas que parecem que pularam de um livro de contos ou de postais. Também curto placas e como você ficar parar um pouco em claustros que dão uma paz e são um lugar ótimo para meditar 😉
    Quanto à estrada Friburgo – Teresópolis que a Carla comentou é belíssima !!
    Beijos

  19. Carla

    Emília, só você mesmo… 😆 Por que será que eu não vou me surpreender se um dia você fizer mesmo a travessia a pé?!? Deve ser mesmo belíssima – se pela estrada já é fantástica, imagino que pelas trilhas deve ser ainda melhor. Mas eu vou me contentar em ler um post aqui n’A Turista… 😉 E, sabe, a serra fluminense é uma opção bem legal pra umas férias curtas – dá pra curtir uns 10 dias de descanso sem gastar demais!

  20. Carla

    Sabe que o banquete russo do Dona Irene seria uma idéia legal pra uma super mega ConVnVenção? 😉

  21. Emília

    Carla 😆
    A travessia Petrópolis-Teresópolis é um clássico do trekking nacional! São uns três dias de caminhada, sempre no inverno, para não ter problema. A questão é que essa caminhante está fora de forma já há um tempo e precisa urgentemente voltar para a academia e refrescar a cuca numa trilhinha bacana 😀
    Ah, e se a trilha terminar e tiver uma pousada charmosa com chuveiro quentinho e cama macia e ainda por cima um jantar russo…acho que eu já tenho a motivação para voltar a malhar 😆

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