Costa Rica

Outros mares…


Saímos cedo de Monteverde, ainda com tempo chuvoso…fizemos todo o trajeto de volta até a Interamericana e, a caminho de Guanacaste, o sol e o calor apareceram com toda força. Nosso destino hoje era a Playa Carrillo, à beira do Pacífico, atravessando a península de Nicoya, famosa pelas suas praias desejadas por surfistas do mundo inteiro.

(mapa de www.dreamsincostarica.com
Mas antes, uma parada no meio do caminho: fomos convidados pelos tios do Charles para almoçar na fazenda deles, em Guanacaste. Essa província está no noroeste do país, sendo uma boa parte dela em Nicoya – a maior das duas penínsulas que ficam na costa do Pacífico – e poderia ser o equivalente ao nosso Oeste Paulista ou até a um Texas ‘tico’: esta é a terra dos cowboys sabaneros, das fazendas e das tradições, como os carros de boi coloridos e a marimba, um tipo de instrumento musical parecido com um xilofone crescidinho.

E foi ao som de marimba, especialmente contratada para animar a reunião, que fomos recebidos na fazenda para um delicioso almoço. Delicioso e animado, já que todo mundo dançou muito, numa tarde que deu direito a comemoração de aniversários com quebra de piñata, piscina e observação de bugios ao lado da sede.

A gentileza e alegria deles em nos receber foi tocante e saímos todos encantados com a hospitalidade 😀
Ainda sobrou tempo para umas comprinhas, claro. A fazenda fica perto de San Vicente, um centro de cerâmica especializado em réplicas de peças chorotegas, uma etnia indígena precolombiana que vivia na região. Visitamos a casa de um artesão e sua oficina, onde ele explicou a técnica e mostrou as peças à venda. Claro que comprei umas pecinhas :mrgreen: , que vieram no meu colo na volta 🙄 : pequenos berimbaus 😀
Dá para ter uma idéia das peças no site deste museu, que foi inaugurado depois da nossa visita. Outra possibilidade para comprá-las é a cidade de Guaitil, mas ela é mais turística e tem preços maiores.
Depois dessa escala bem-vinda, continuamos cruzando a península até a costa. Chegamos à noite e descansamos: só iríamos ver o Pacífico no dia seguinte…

…num dia maravilhoso. E vamos para a praia!

Nosso hotel, o Guanamar, ficava em Playa Carrillo, bem no centro da península: uma praia super tranqüila, cheia de coqueiros. É ótima para descansar, pois além de quase deserta, tem pouca infra-estrutura e carros circulando.

Fomos depois conferir a praia Sámara, que fica a poucos quilômetros em direção ao norte. O ambiente é bem diferente da Carrillo, pois ela é um pouco mais urbanizada, além de ter muito mais gente aproveitando a areia. Aliás, não só a areia, mas principalmente a água: Sámara é um ótimo point para surf e se você quiser tentar, tem escolas prontas para te dar aulas 😉

Não, eu não tentei…só nadei um pouco (super correnteza!) e relaxei no sol e na sombra dos coqueiros, afinal os últimos dias tinham sido cheios de atividade e viagens.

E depois de uns camarões apimentados de almoço, acompanhados de uma Imperial (a principal cerveja da Costa Rica), no restaurante Las Brasas, nada como uma caminhada. E relaxar mais um pouco 😉


Uma das coisas que eu estava mais ansiosa para ver na viagem, e não poderia ter certeza nenhuma de que iria acontecer, eram as tartarugas marinhas desovando. Eu não sei bem o que as areias da Costa Rica têm de tão interessantes, mas é fato que praticamente todo o litoral do país, seja Pacífico ou Caribe, recebe diariamente tartarugas de cinco das sete espécies que existem no mundo: a verde, a oliva (ou lora), a cabeçuda, a de pente e a de couro (ou baula).
Eu já tinha escolhido ir a Tortuguero, no final de nossa viagem, justamente para ter mais chances de vê-las, mas quis garantir e tentar ver no Pacífico também. Por isso, voltando para o hotel naquela tarde, passamos por uma agência, a Carrillo Tours: quem sabe eles teriam algo para indicar? Não haveria saídas para ver as tartarugas em lugares mais distantes, como o Ostional ou o Parque Marinho Las Baulas, já que éramos só em dois, mas ele poderia nos levar ao Refugio de Vida Silvestre Camaronal, mais próximo de Playa Carrillo.
Mais próximo em termos…depois de descansar um pouco, saímos às 20h e levamos cerca de uma hora e meia até Camaronal: as estradas eram todas de terra. Chegamos numa praia com pouquíssimas construções, totalmente escura, só iluminada pela lua e fomos recebidos por um guarda. Ele conversava no walkie-talkie com um voluntário mexicano que estava fazendo o turno ali naquela noite e logo nos indicou o caminho: uma oliva já tinha chegado!

(foto de Josep Figuerola Sanchis em www.fotonatura.org)
Seguimos rapidinho até o canto direito da praia, silenciosamente, e com a ajuda de uma lanterna com infravermelho (para não atrapalhar a mocinha), pudemos enxergá-la. A tartaruga já estava em pleno processo de escavar a areia para montar o ninho e ficamos surpresos com a sua habilidade em usar as nadadeiras traseiras para escavar e retirar a areia ao mesmo tempo: como é cansativo! De vem em quando ela pára, descansa e retoma…seus olhos ficam brilhantes com as lágrimas que escorrem para ajudar a limpar a areia que os cobre.
Depois de cavar um buraco profundo (mais do que eu imaginaria que aquelas nadadeiras poderiam cavar), ela começa o processo de colocar os ovos, bem mais de uma centena deles. Eles vão se amontoando no ninho até que a futura mamãe decida que já está ok e ela então começa a tapar o buraco, arrastando a areia e compactando o ninho com o sua carapaça batendo para um lado e para o outro. Gente, é um trabalho danado…Bonito depois é ver a fofinha voltando para o mar, deixando seu rastro e desaparecendo na água…

(foto de www.turtlewatch.org (e) e www.jmarcano.com (d))
Depois disso, um sinal no walkie-talkie e corremos para o outro lado da praia: mais uma! Conseguimos ver agora as medições de casco e controles. O voluntário, muito simpático, nos explicou o trabalho ali e nos levou até os ninhos protegidos. O bacana é que éramos só nós dois ali, a praia era puro deserto e silêncio, a não ser pelas tortugas.

Que animal maravilhoso! Tive a oportunidade de nadar com elas em Noronha e ver colocar seus ovos na Costa Rica: agora só me falta ver os filhotinhos nascendo e correndo para o mar…
Se eu já gostava das tartarugas antes, agora muito mais… 😀
Voltamos bem tarde e no dia seguinte preferimos passar a manhã entre a piscina do hotel e Playa Sámara, onde almoçamos uma massa no Pizza & Pasta a Go-Go e voltamos em seguida, pois tínhamos marcado um passeio de barco para ver os golfinhos, que são freqüentemente avistados nessas águas.
Nossos guias eram um pescador e sua mulher, que nos levaram para um passeio que não contou com golfinhos, infelizmente…mas fomos premiados com uma visão desta baleia com seu filhote, uma visão hipnotizante 😀

Ainda tivemos algumas paradas para snorkeling e aproveitar os nossos últimos momentos no Pacífico…

Nessa noite o apéro teve um ingrediente especial adicionado às tradicionais bebidinhas: um ceviche preparado pelo hotel com os peixes trazidos pelos pessoal que não quis ir atrás dos golfinhos e preferiu se arriscar na pescaria. Depois, um jantar mexicano de despedida, já que iríamos nos separar depois de quase duas semanas viajando juntos. Alguns iriam embora para seus países, outros continuariam a viagem, como nós.

Nós dois ainda tínhamos mais uma escala antes de nos despedirmos da Costa Rica 😀

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Outras viagens…

Essa região do Pacífico é cheia de praias maravilhosas e para todos os gostos. Outros cantinhos que eu gostaria de visitar: 

Parque Marino Las Baulas: área especialmente criada para a proteção das baulas (tartarugas de couro), a maior das espécies de tartarugas marinhas, e que gosta especialmente desta região da costa.
– Mergulho no norte da península: o mergulho nas ilhas Catalina e Murciélago são famosos não pela visibilidade e corais, mas pela grande quantidade de vida marinha: raias, baleias, tubarões, tartarugas…
– Playa Tamarindo: surfistas adoram esta praia, uma das mais freqüentadas por eles na península.

33 Comments

  1. Mô Gribel

    Emília, saudades!!! Amei as tartarugas e as baleias!
    Deve ser emocionante, né??
    Beijos

  2. Emília

    Também, moça!
    E como é emocionante…às vezes não dá para acreditar que o bicho está ali, tão perto de você (ok, a baleia nem tanto, mas não era muito seguro se aproximar mais tendo um filhote).
    Beijo!

  3. Majô

    Emília, que viagem linda e interessante. Me senti ao seu lado observando o trabalho da tartaruga, emocionante 😉
    E sobre bogios, nem me fale. Estivemos com meus pais na Serra da Bocaina, numa fazenda que não tinha nem luz, e o encarregado à noite contava histórias sobre os bogios de amedrontar :mrgreen:.

  4. Majô

    O por do sol da 1a foto está belíssimo 😆

  5. Camila

    Emília, meus planos de conhecer a América Central ficaram mais fortes depois dessa sua série! O problema é que uma passagem para lá custa quase o mesmo preço de uma passagem pra Europa… 🙁

  6. Ernesto

    Pena que a viagem está acabando… Dica para quem ir e tem milhas. Existem boas conexões da Colombia para a América Central, ou seja com 20.000 milhas e uns 200 dólares da para bancar a passagem.

  7. Emília

    Majô, que tipos de histórias? ❓ Que curioso!
    E que bom que gostou da primeira foto…eu estava em dúvidas, já que ela está escura no primeiro plano, mas as luzes estavam tão lindas que não resisti 😉
    Camila, foi o que me desanimou a princípio. Mas achei o custo-benefício da viagem inteira muito bom. E para melhorar, o Ernesto deu uma dica interessantíssima aí em baixo que vale a pena levar em conta.
    Ernesto, ótima dica Pato Econômico! 😀

  8. Carol Wieser

    Emília,
    Cada vez gosto mais da Costa Rica lendo seus posts, e fico encantada com as suas fotos de animais. Sobre as tartaurgas, são realmente bichos adoráveis, também tenho admiração por esses bichinhos. E a experiência de estar bem pertinho vendo um ninho sendo enchido de ovinhos é algo que gostaria de presenciar um dia.
    Beijos

  9. Meilin

    Emília, que lindeza a mamãe tortuga cumprindo a responsabilidade dela, né? Eu assisti à segunda parte do filme lá perto de Pipa (RN), a emoção de ver as pequenininhas saindo do ovo e marchando bravamente pro mar é indescritível…

  10. Patricia Belotti

    Sou APAIXONADA por tartarugas! Fiquei encantada com as fotos e com o relato!
    Beijos

  11. Emília

    Meninas, eu também sou louca por tartarugas e estar tão perto de uma foi um dos pontos altos da viagem! Fiquei feliz que existam tantos pontos protegidos na costa toda do país monitorando as desovas e nascimentos. Só espero que não exagerem na dose do turismo…mas isso é assunto para o próximo post 😉
    Meilin, eu não sabia que tinha uma base do Tamar em Pipa…ou é uma outra organização?

  12. Majô

    Emília, à noite ouvíamos uivos ou o que lá seja e o encarregado contava histórias como eles enfrentavam pessoas 😉

  13. Meilin

    Não é uma base do Tamar não, Emília, eram umas biólogas autônomas que monitoravam as bichinhas, por isso não tinha muito público na praia, sacumé, né, sem propaganda, sem griffe…QQ dia posto as fotos

  14. Emília

    Sério? Que medo! Estávamos pertinhos deles (uma família inteira… e não são tão pequenos assim. Ainda bem que ficaram na deles…O barulho que esses bichos fazem é impressionante: você ouve a quilômetros. Tanto que o nome que deram em inglês é macaco berrador (howler monkey) 😀

  15. Emília

    Melhor ainda, Meilin…totalmente exclusivo 😉

  16. Tony

    Putz, nem me fala dos howler monkeys, Emília. Em Tikal dormimos em um hotel no medio da floresta e tinha uma família de “aulladores” que passou a noite toda acima de nosso quarto berrando e jogando todo tipo de coisas no teto da cabana. Parecia que iam quebrar o teto. Duas horas da manhã, três horas da manhã, cinco horas da manhã e os bichos não paravam. Pavoroso!

  17. Emília

    Que loucura, Tony! O pessoal do hotel deveria ter avisado o quão ‘selvagem’ era a hospedagem…Hora de dormir é sagrada, sem condições de ter grunhidos altos como os deles no ouvido. Eu me lembro de uma trilha que fiz (acho que foi nos arredores de Campos) onde ouvia os bugios gritando e a mata onde eles estavam ficava num vale muito, muito longe de nós.
    O barulho em si já é um incomôdo sem fim, sem contar a possibilidade de um bicho desses entrar no quarto. Brr…
    PS: Seria legal se você blogasse a viagem da Guatemala 😉

  18. Debora

    Emília, que lindo ver de pertinho a tartaruga colocando seus ovos! Realmente só falta você acompanhar as tartaruguinhas nascendo e correndo para o ar. Eita coisa boa a dona natureza…
    Bjs

  19. Tony

    Emília, é de antes da era dos blogs e por isso não tem aquela parte visual tão bonita, mas deveria servir: http://caperelviajero.googlepages.com/guatemala (La Tierra de los Mayas: viaje a Guatemala-Honduras).

  20. Emília

    Debora, sempre que vou para algum lugar de desova, eu pergunto sobre os nascimentos. Ainda não dei sorte, mas…uma hora dá 😉
    Tony, adorei a página! Vou até ‘enterrar’ para saborear com mais calma. E o visual está ótimo, achei que não teria fotos, mas está tudo ali.
    E continua a viagem pela América Central 😀

  21. eduluz

    Emília, belíssimos os dois por-dos-sóis (é assim que se escreve ?). E mais legal ainda o relato ! Esta viagem foi muito legal !
    Eu não sei se você já falou mas eles tem alguma bebida típica ?

  22. Emília

    Puxa, Eduardo, foi mesmo muito bacana…o bom é que, blogando viagens antigas, você acaba revivendo um pouco do que aconteceu. Acho que deve acontecer o mesmo com você quanto às reuniões antigas que você bloga, não é mesmo?
    Quanto às bebidas, não tem nada muito típico, não…A única coisa que sempre tinha nos nossos happy hours era rum: Ron Centenario, muito bom e uma das poucas coisas que trouxemos de lá 😉

  23. Majô

    Emília, enquanto o moço contava os causos, ouvia-se os berros deles, minha mãe arregalava os olhos morrendo de medo. Essa fazenda hoje em dia é a pousada Vale dos Veados, na Serra da Bocaina, paisagens fantásticas.

  24. Emília

    Majô, com bugios ou sem, eu morro de vontade de ir um dia para a Vale dos Veados, pelas fotos parece um lugar magnífico. Só um pouco difícil de chegar, mas deve valer a pena. Outra que eu sei que adoraria ir é a Carla.

  25. Mari Campos

    Emilita, fotos lindas, lindas, lindas! Que delícia de viagem!

  26. eduluz

    Emília, é isto mesmo se bem que no meu caso e devido ao grau etílico da noite, fica difícil de lembrar grandes detalhes ! E olha que iria chutar rum pois praqueles lados um belo rum é fundamental !

  27. Emília

    Obrigada, Mari! Delícia está essa viagem que você está fazendo agora 😀 Só viajando junto…
    Eduardo, nem me fale em grau etílico, tem umas garrafas que você mostra que dá uma vontaaade 😆 Bacana que serve como guia para variar um pouco, preciso fazer uma listinha para me inspirar nas compras.

  28. Ernesto

    Para ir para a Bocaina, não é necessário ficar na carissima pousada do Vale dos Veados. Além das várias e meio caras opções em Fazendas ( que voce pode cnhecer pagando um almoço), dá para ficar por cerca de R$ 70,00 por casal naquele que provávelmente é o mais antigo hotel do Brasil, o solar imperial, tel. 12. 31071109, que ainda conserva boa parte da decoração e do aspecto do século XVIII, e que se fosse um pouco mais bem arrumado viraria um hotel de charme no estilo Europeu. E uma pousada simples, mas muito interessante. Para conhecer a serra, eu sugiro os passeios da MW Trecing, em São José do Barreiro (15 km. depois) , onde por R$ 90,00 voce faz um passeio de dia inteiro de jipe até o parque da Bocaina. Não tente ir com seu carro, se ele não for pick up ou jipe, pois e prejuizo certo. As ciddade são lindas, e quem tiver tempo pode ir até Bananal,e seguir depois para Angra pela estrada de paralelpidos feita pelos escravos…

  29. Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens

    Bela, completa e instrutiva matéria.
    Sentimos sua falta no Rio!

  30. Emília

    Essa região da Bocaina merece várias visitas, Ernesto e estão na minha lista próxima, quem sabe no próximo ano? E rende várias viagens: uma de trilhas, uma de roteiro de fazendas históricas, uma romântica (em que a Vale dos Veados seria perfeita, mas aí o lugar é a viagem em si). Ou tudo junto 😀
    Obrigada, Arnaldo!
    Senti muito não estar aí com vocês, estava super animada, mas…às vezes temos que adiar. Só adiar, depois da minha viagem vocês podem me esperar por aí e se reunir de novo, viu? 😉
    Um abraço e aproveitem!

  31. Ernesto

    Eu não estava sabendo da convençao no Rio!

  32. Emília

    Ernesto, você não viu as discussões lá no Comentários do VnV (aquele blog que o Riq criou como uma alternativa quando os comentários dão problema na Abril)? O pessoal do Rio estava comentando lá. Uma pena, mas não deu para ir… 🙁

  33. Pingback: Costa Rica | Domingão de Twittadas

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