A nossa segunda escala na Costa Rica foi Puerto Viejo de Talamanca, região de colonização jamaicana no Caribe Sul, cerca de 210 km de San José. Um lugar remoto e tranqüilo, com lindas praias, povo relax e muitas ondas.

Esse era o nosso primeiro contato mais íntimo com as estradas costarricenses e já tínhamos nos preparado, alugando uma Grand Vitara que se revelaria uma ajuda incrível em alguns trechos rodados. O primeiro trecho, e maior deles, é por uma estrada de boa conservação, mas de mão única e bastante movimentada, já que o seu destino principal é Puerto Limón. Esta é a maior cidade da costa caribenha e base de um grande porto exportador, principalmente de bananas: a economia da região é baseada em boa parte nesta monocultura. A melhor parte deste trecho é pouco depois de Heredia, quando percorremos um longo trecho dentro do Parque Nacional Braulio Carrillo, rodeados de verde a perder de vista.


(mapa de www.1-costaricalink.com)
A segunda parte da viagem, costeando o Caribe depois de Limón, foi um pouco mais difícil, pois a estrada tinha muitos buracos (em parte por causa das chuvas da temporada)  e a velocidade média caiu muito neste trecho. Aproveitamos para fazer uma parada para relaxar um pouco e almoçar. O restaurante escolhido, Sobre Las Olas, é um cantinho lindo à beira-mar em Cahuita, que não se contenta em ter só um belo visual, mas também uma comida muito boa: escolhi um peixe à moda creole que estava uma delícia, hummm…

Tudo isso colaborou para uma refeição demorada… (ah, férias 😀 ) Depois dessa pausa bem-vinda depois de algumas horas na estrada, voltamos à ela por mais uns minutos até nosso ponto final, a pequena Puerto Viejo de Talamanca. Nossa pousada ficava um pouco depois da cidade, já na estrada para o Parque Nacional Gandoca-Manzanillo, com apenas a estrada e um coqueiral a separando da linda Playa Cocles: La Costa del Papito.

(Aqui vale uma nota: a organização da viagem foi toda do anfitrião, que escolheu itinerários e hotéis junto com o seu agente costarricense, além de reservar toda a frota usada por nós. O único trabalho que tivemos foi entrar em contato com a agência e organizar pagamentos. Super gentileza, com tanta coisa que ele tinha para pensar…dá até para ficar mal-acostumado 😳 )

A pousada, além de muito bem localizada, entre o centrinho e as praias mais bacanas, era um chuchu: vários bangalôs de madeira entre um jardim tropical muito bem planejado e cuidado, onde até os macacos davam as caras. Super rústico e confortável, ao mesmo tempo.

Os bangalôs também tinham redes e uma mesa na varanda, onde era servido o café da manhã que você escolhia no dia anterior, junto com o horário preferido: continental, panquecas, ‘tico’ com gallo pinto


(Tradução: tico – apelido dado aos costarricenses e coisas do país; gallo pinto – comida típica do café da manhã ‘tico’: arroz cozido com feijão preto, um pouco de pimenta e temperos, servido com sour cream. Imperdível quando bem feito.)
Como ainda tínhamos um restinho da tarde para aproveitar, resolvemos ir até a Playa Chiquita. Foi aí que tivemos uma idéia melhor da beleza das praias de Puerto Viejo, que já tínhamos imaginado pela praia do restaurante onde almoçamos…Uma bela faixa de areia branca, sempre afastada da estrada por uma mistura de mata e coqueiral que prende o olho com um verde vivo. Apesar da água não estar com uma cor bonita devido à época, a temperatura estava perfeita e nadamos até quase o pôr-do-sol.

(fotos de www.1-costaricalink.com)
As noites em Puerto Viejo são animadas: a cidade é super pequena, mas tem muitas lojas, restaurantes e barzinhos abertos até tarde, sempre com um reggae acompanhando, muitas vezes ao vivo. Não dá mesmo para esquecer a influência jamaicana na região, resultado de um estímulo à imigração com o objetivo de recrutar trabalhadores para as fazendas de banana.
O dia seguinte amanheceu nublado, mas mesmo assim pegamos o carro e seguimos para as praias de Manzanillo e Punta Uva.  A temperatura estava ótima para caminhar na praia, mas com nuvens as praias não ficam tão lindas…mesmo assim nos surpreendeu a tranqüilidade e privacidade que se encontra nestes cantos. É uma maravilha 🙂

Outra coisa bacana é que, apesar de não se ver serviço de bordo nas praias, é só caminhar alguns metros até a estrada principal que você tem vários restaurantes à escolha. Com o começo da chuvinha, decidimos parar para almoçar em uma soda, que são os restaurantes mais populares, que servem casados: o nosso conhecidíssimo PF. Este em que comemos era gerido por uma família, a mãe cozinhando e outros ajudando ou servindo. Um ambiente gostoso, totalmente aberto e com vista para a mata…cerveja geladinha e comida saborosa: arroz, peixes, legumes, salada…
E para aproveitar a tarde fechada, um momento ‘eu me permito’: marquei uma massagem no spa da pousada, o Pure Jungle Spa. Eu adoooro massagens e quando soube que tinha um spazinho no lugar, já tratei de experimentar. Primeiro um escalda-pés rápido com flores e depois massagem com produtos locais: cacau, mamão, ervas…uma delícia. A cabana é inteira de madeira e as janelas ficam escancaradas para a mata, àquela hora verdíssima com a chuva, eu não sabia se prestava atenção na massagem ou na paisagem… Eu já estava relaxada, mas é sempre bom se garantir 😉
Iríamos embora no dia seguinte…uma pena, tinha gostado muito do lugar, mesmo com o tempo esquisito. E não é que acordei espontaneamente, antes das 6 da manhã (isso nunca acontece comigo)? E com luzes entrando pelas frestas? Na hora em que coloquei os pés para fora do bangalô…um sol maravilhoso! Fui logo para a praia curtir aquele começo de dia lindo.

A praia da pousada é chamada de Playa Cocles, é bem extensa e com ondas, além daquele visual já conhecido de areia branquinha e coqueiral atrás. Não tinha ninguém na praia, só eu e um sol já de queimar…
Ah, claro, estavam ali também os habitantes da areia: montes e montes de siris, que deram as caras quando estendi a minha canga e fiquei bem quietinha. Uma beleza, vê-los ali, saindo da toca para ver se estava tudo bem…até um pobre coitado cuja toca foi coberta pela minha canga: vi algo levantando o tecido e logo o afastei para a saída do pequeno 😳
Essa praia, assim como as outras que visitamos, são portadoras da Bandera Azul Ecológica, um programa do governo que identifica as praias que têm controle de poluição e estão entre as mais limpas e seguras do país.

Essa manhã na Playa Cocles também é a história da foto do meu cabeçalho 😉
 

Depois dessa manhã linda, nem reclamei de fazer as malas e seguir viagem…
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Outras viagens…

Com bom tempo, eu dedicaria pelo menos uns 3 dias a Puerto Viejo. Aqui seguem algumas sugestões com o que eu faria numa próxima vez em Puerto Viejo de Talamanca:
– Refugio Nacional de Vida Silvestre Gandoca-Manzanillo: seguindo pela estrada que sai de Puerto Viejo em direção às praias, o ponto final é este parque, que se estende até a fronteira com o Panamá. É uma combinação de mata e pântano com praias lindas (e recifes de coral também protegidos): as suas trilhas foram muito recomendadas. Observação de animais também é um ponto forte: tucanos, macacos, peixes-bois e tartarugas marinhas são alguns que podem ser encontrados por aqui.
Aviarios del Caribe: é um centro de pesquisas de bichos-preguiça, um dos animais mais representativos do país (possui também uma pousada). Você pode fazer passeios de canoa pelo delta do rio que passa dentro da propriedade ou simplesmente curtir as fofas preguiças que estão sempre por ali.
* Pura vida: é uma expressão muito usada para difusão do país e dentro dele, significando bom humor, uma atitude positiva, que está tudo bem…enfim, de celebração de vida.