No meu segundo dia na ilha, queria ir um pouco além e fazer um passeio de barco. Batendo papo com o Charles, na noite anterior, falei o que queria e ele já tinha esquematizado uma ida até às piscinas naturais de Moreré para uma família dinamarquesa que eu já tinha conhecido, também hospedada na pousada.
Éramos sete na lanchinha: eu, os quatro da família e um casal de Salvador. Estava tudo bem, só que…eu não queria ir só até Moreré, eu queria dar a volta na ilha.

(foto do site www.boipeba.tur.br)
Claro que o preço era um pouco maior, mas para mim estava ok e para o casal também. Os dinamarqueses não tinham certeza, me perguntavam se valia a pena…eu não sabia, era a minha primeira vez em Boipeba! Mas só descobriríamos indo e eles então concordaram em completar o circuito.
Primeira parada: as famosas piscinas naturais de Moreré. Como era baixa temporada, havia pouca gente e pudemos aproveitar bem o nosso tempo lá. Os tradicionais peixinhos listrados estavam lá e a menina, de uns 4 anos, estava encantada com tantos deles comendo na sua mão…nunca tinha visto algo parecido (os pais me confessaram que eles também não!).

(foto do site www.boipeba.org.br)
A água tem uma temperatura perfeita e você perde um pouco da noção do tempo, conforme vai se afastando para conferir os recifes mais distantes, indo atrás de um peixe aqui, procurando algo mais ali…infelizmente os polvos e lagostas vêm rareando nestas áreas. Os pescadores têm que ir cada vez mais longe para conseguir algum resultado.
Seguimos para a praia de Moreré e fizemos uma caminhada até Bainema, dando uma olhada na vila. É um bom intervalo para se recuperar dos pulos da lancha, que neste trecho circula em mar aberto.
A nossa última parada nesse lado da ilha é na Ponta dos Castelhanos, uma pequena praia onde um navio espanhol naufragou no século XVI. Dizem que dá para vê-lo quando se faz snorkeling na maré baixa.

Muitos pescadores também montam acampamento aqui, para uma semana intensiva de pesca.

A essa altura já estávamos morrendo de fome e o nosso almoço já estava devidamente encomendado ao seu Orlando, dono do (único?) restaurante em Cova da Onça, um dos três povoados da ilha, junto com Velha Boipeba e Moreré.
Chegando lá, pudemos tomar um banho de água doce e tomar uma decisão difícil: polvo, lagosta, peixe ou camarões? Na dúvida, pedimos todos e…estava tudo perfeito. Foi uma bela tarde à beira-mar, lindo sol, comida deliciosa e boa conversa, ali na varanda da casa do seu Orlando. Aliás, ele é uma simpatia de pessoa, adora puxar papo e contar suas histórias. O dinamarquês estava em êxtase, não acreditava estar num lugar daqueles…tinham adorado tudo.

Andamos um pouco pela vila, visitando a igreja de São Sebastião, e saímos dali um pouco contra a vontade…

Nosso passeio continuou por águas calmas, contornando a parte da ilha que é voltada para o continente. Mangues e mais mangues, uma paisagem que caiu bem para aquela tranqüilidade pós-almoço 😀

Já estávamos felizes com tudo isso, mas ainda tinha mais uma parada: o Ponto das Ostras. São bares flutuantes em frente a uma pequena comunidade na Ilha de Tinharé, que servem também como pontos de cultivo das ostras. Muito prático: eles puxam as cordas ao lado do bar e vão abrindo as ostras ali mesmo. A princípio não iríamos comer muito, mas depois de ver as ostras fresquinhas…ninguém resistiu! Mais caipirinhas foram pedidas e ali continuamos com ‘la dolce vita’. Um sossego…só nós ali, batendo papo e observando a garotada brincando nas margens…

Mais um pouco de passeio pelos canais e estávamos de volta à Boca da Barra…passou tão rápido.
O balanço do passeio: mais que aprovado, por todos 🙂
PS: Como todo fim de dia, ainda fiquei ali na Boca da Barra para esperar o pôr-do-sol incrível que bate cartão naqueles cantos…