Atenas – Αθηνα: reconhecimento de terreno

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Primeiro dia em Atenas. Com o cansaço de tantos deslocamentos, a preferência foi aproveitar o confortável hotel para dormir até mais tarde e tomar um lento café-da-manhã. A idéia também estar bem preparada para enfrentar a cidade. Não queria ser negativa, mas nunca tinha ouvido maravilhas sobre Atenas: alguns diziam que a cidade era suja e desorganizada, outros que era quente demais, ou então que era um lugar para bater cartão por um ou dois dias e seguir para as ilhas.
Para começar, levei um tempão para decidir sobre o hotel: que difícil! Pelas fotos os hotéis não eram muito empolgantes, a não ser os carésimos. Fora que a dondoca aqui queria porque queria ter vista para a Acrópole 🙄 Até que o grande Grécio, digo, Décio, provavelmente o homem que mais conhece do país por aqui (e autor do indispensável Guia Grécia), indicou o Athens Gate.
Gostei do hotel à primeira vista: novinho e muito bem localizado, do lado do metrô, de Pláka e da Praça Syntagma. E, além da super vista para o Templo de Zeus e Monte Lycabettus do nosso quarto, poderia admirar a Acrópole tomando o café 😎
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Saí então para constatar a loucura do trânsito e a dificuldade de se encontrar taxistas…nenhum vazio parou. E a decisão de seguir a pé foi confirmada quando um deles, ao invés de usar o simples desprezo, começou a gritar e a gesticular, bravo. Ok, ok…você venceu, melhor voltar ao metrô. Que sempre se revelou a melhor opção de deslocamento, além do próprio par de pernas: como pode ser visto pelo mapa abaixo, as distâncias entre os principais pontos turísticos não é grande.
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(mapa de www.aathitya.in, mas eu acho que eles pegaram do site antigo do Lonely Planet).
A recompensa chegou logo: a primeira surpresa vêm da exposição de escavações arqueológicas encontradas no processo de expansão do metrô, que foi atrasado por muito tempo por conta dessas e outras.
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Aparentemente esses obstáculos foram resolvidos a tempo das Olimpíadas de 2004 (esperamos que da maneira correta…): quase não dá para acreditar na comparação do sistema atual com o antigo. Não deveria ser de uma super ajuda ao turista, como é hoje.
A exposição continua dentro da estação central Syntagma, com objetos de cerâmica e metal, mosaicos e um corte no solo revelando os resquícios das diferentes épocas de ocupação.
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Nas plataformas de embarque, réplicas dos famosos mármores de Elgin…
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… e já dentro do vagão, uma simpática voz que anunciava a cada parada: ‘Epomeni stasi…‘ 😀 (Para mim só perde para a voz forte do metrô de Barcelona: ‘Próxima estació: Cataluuuuña‘ 😆 ) Nem todas as linhas são novas assim, mas posso dizer que o metrô de Atenas entrou com louvor para o meu histórico de apreciação de metrôs 😉
Ele seguiu até a estação Victoria e mais uma caminhada de 15 minutinhos até o Museu Arqueológico Nacional, a atração principal do dia.
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O museu foi criado no final do século XIX para abrigar as principais descobertas arqueológicas do país, incluindo sítios como Micenas, Thira (Santorini), Delfos e muitos outros. É um dos grandes museus do mundo, abrangendo desde arte pré-histórica até peças dos primeiros séculos da era cristã.
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É enorme, portanto é melhor selecionar de acordo com os seus pontos principais de interesse. Para mim, uma das coleções mais fantásticas é a de arte pré-histórica, logo na primeira sala, que inclui uma ala só de figuras cicládicas, como essa abaixo: não é surpreendente constatar como a arte primitiva pode ser moderna? É só ver a obra deste moço aqui e deste aqui também.
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Seguindo no tempo, é também aqui que se encontram os achados da civilização micênica, como o afresco ‘A Dama de Micenas’, no topo do post, e peças diversas em ouro, como máscaras funerárias. A principal delas é essa no centro da foto abaixo, conhecida como ‘Máscara de Agamemnon’.
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Os lindíssimos kouroi
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(Gente, esse é um blog de família, mas não resisti à foto da direita 😆 )
Outros destaques são as esculturas de bronze, como esse magnífico Posêidon…
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…ou o Jóquei de Artemision, encontrado no mesmo local que a estátua acima.
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Ainda merecem destaque, entre as esculturas em mármore, esse Minotauro abaixo, além da enorme coleção de vasos no andar superior. Neste ao lado se pode ver Hércules, com sua pele do leão de Neméia, em alguma de suas aventuras…
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Mas uma das peças mais divertidas é essa escultura representando Afrodite, com a ajuda do seu filho Eros, repelindo as investidas de um fauno abusado com o chinelo (!) que acabou de tirar do pé 😆
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Há um bocado de outras coisas interessantíssimas, como o mecanismo de Antikythera, inventada para realizar cálculos astronômicos, mas se você quiser fazer uma pausa, há uma loja muito simpática e um restaurante à beira do jardim. Um lugar delicioso, onde até uma tortuguita passeava…
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Mas os planos para almoço eram outros….desci em direção à praça Omonia – ponto agitado da cidade -, passandopelo Mercado Central e virando à direita em direção a Psiri.
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Este é um bairro boêmio, cheio de tavernas tradicionais e barzinhos da moda. Queria ter a primeira refeição numa boa taverna e testei uma dica comendo na Nikitas. Já era tarde e mesmo assim havia muitos locais comendo, o que referendava o local. Me fartei com tomates e pimentões recheados, souvlákis e algumas outras coisinhas. Foi ali que experimentei a onipresente Mythos, que caiu muito bem no calorzão…e também onde tive o primeiro contato com essa coisa maravilhosa que é o tzatziki. Essa virou minha entradinha preferida, presente em quase todas as refeições na Grécia, acompanhando sempre pães deliciosos…Aliás, pães responsáveis por uma boa parte do excesso de peso corporal trazido de volta ao Brasil 🙄
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A cenografia não podia ser melhor: ruas para pedestres cheias de mesinhas, casarões antigos, igrejinhas ortodoxas em todos os cantos. Quem não adoraria ter um lugar assim sempre à mão, charmoso e cheio de história, onde se possa beber uma cervejinha com amigos numa noite quente?
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Reunindo toda força de vontade para sair de Psiri, continuei a volta de reconhecimento, que incluía também uma tentativa de se familiarizar com a língua grega…pude ter a oportunidade de, nesse primeiro dia, colocar em prática os estudos do alfabeto grego, iniciados no vôo até Atenas :mrgreen:  Mas a transcrição começou de maneira bem leeenta… 😀
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Uma leve caminhada e se chega em Monastiraki, uma super área comercial onde se encontra de tudo: jóias, falsificações, souvenirs, sandálias de couro, roupas, restaurantes…para os que gostam de comprinhas é uma tentação! Até uma espécie de 25 de março você encontra lá, o mercado de pulgas.
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É ali, no limite entre Monastiraki e Pláka, que estão alguns dos sítios arqueológicos mais interessantes, como a Ágora Antiga e a Ágora Romana. Mas só iria visitá-los no dia seguinte…por hoje, só queria ainda sentir um pouco gostinho de Pláka, o bairro mais famoso e turístico de Atenas. Gostei do que vi à tarde e decidi voltar para jantar.
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E que decisão acertada! Pláka é um dos bairros mais deliciosos em que já estive e é ainda mais especial à noite, quando todos saem para jantar e em cada bequinho se encontra uma taverna, música, escadinhas com flores, igrejinhas ortodoxas…
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A caminhada terminou na Palia Taverna tou Psara, numa mesa ao ar livre, onde comi uma lula grelhada recheada com queijo e pimentões. Uma maravilha, realçada ainda mais pelo ambiente.
Voltei para o hotel na sombra da Acrópole iluminada…
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O trenzinho e a caipira

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Apesar de estar muito longe de ter dado uma volta ao mundo, me senti muito próxima de Phileas Fogg nesta viagem: acredito que quase todos os meios de transporte possíveis foram usados, mas ele ainda ganha por uma carona de elefante 😉
Carro na França e ônibus urbano em Istambul são alguns…Só de trechos de avião foram 13, usando quatro companhias diferentes (e, milagrosamente, não foi cansativo e em parte por conta da pouca bagagem: uma malinha de 15 kg).
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Barcos de todos os tipos, em todos os lugares: lanchas e navettes no sul da França, veleiros na Grécia e ferries para cruzar o Bósforo, em Istambul.
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Queria ainda ter usado os catamarãs e ferries entre as ilhas gregas, mas a falta de informação quanto aos horários (e se iriam mesmo operar em setembro) na época do planejamento da viagem levou à preferência pelos vôos, por segurança. Talvez numa próxima viagem, quando estiver no pique de pegar uma mochila e sair sem planejamento e reservas: hoje tem ferry para Folegandros? Ótimo. Não tem? Ok, vamos para Naxos 😀
Mas uma coisa que eu queria mesmo era andar de trem. Ok, haveria metrô em Paris e Atenas, funiculares em Atenas e Istambul, bondes moderninhos e antigos nesta última. Mas eu queria era mesmo viajar, sentir o que é andar de trem de verdade.
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Sim, parece incrível, mas nunca fiz viagens longas com trem. Na Europa sempre fui viciada em carro e no Brasil…veja bem, não preciso comentar muito. A única vez em que viajei de trem foi quando era bem novinha e meu pai sentiu que precisávamos ter a experiência, além de tentar reproduzir um pouco as sensações que ele próprio e a minha mãe tinham, quando crianças, transitando entre o sul de Minas e São Paulo. A solução: saímos da Estação da Luz em direção a Campinas, andamos um pouco por lá e voltamos. Foi bacana, mas rapidinho e há tanto tempo atrás…
Depois só fiz trajetos curtos e históricos, como o Anhumas-Jaguariúna, Tiradentes – São João del Rey, Passa Quatro – Divisa SP/MG, Memorial do Imigrante…Tudo muito bacana, mas nada realístico. Por tudo isso é que eu optei pelo TGV para voltar do sul da França para o aeroporto: além da experiência, ainda poderia partir com tranqüilidade, aproveitar carona até a estação e chegar com folga ao Charles de Gaulle, pouco mais de 5 horas depois, para pegar o vôo com destino a Atenas.
Os bilhetes foram comprados uns dias antes, numa agência de viagens em Cogolin, do lado de Port Grimaud. No dia de viagem, peguei carona com os anfitriões até Les Arcs, o ponto mais próximo de parada do TGV.
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É uma cidadezinha do Var, cercada de vinhedos, à beira da A8, a auto-estrada da Provence. Tendo algum tempo antes da chegada do trem, queria dar uma volta, mas a mala não deixou, além da estação estar numa área um pouco desoladora da cidade. Aliás, a própria não fica muito atrás não: um prédio pequeno e bonito, do início do séc. XX, mas em triste estado de conservação.
Ok, um pouco de espera e lá vem ele, rapidinho que só…
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Um pequeno sufoco achar o vagão correto dentro do pouquíssimo tempo de parada do TGV na estação, o que me fez pagar o mico de correr com mala plataforma afora 🙄 Mas uma vez dentro…sossego puro! Mesmo não optando pelo vagão de primeira classe, as poltronas são muito confortáveis, mesinhas úteis para escrever e apoiar bebidas e comidinhas.
E a paisagem? Que interessante ver toda a mudança de cenário conforme se passa rapidamente de uma região até a outra! Não dá para se entediar, mesmo porque a visão de sua janela muda num piscar de olhos 😉 Rios, castelos, cidades, montanhas, campos verdes com vaquinhas…Eu parecia uma garotinha, sem tirar os olhos da janela, com um sorriso bobo nos lábios, música nos ouvidos. É…para usar um clichezão, antes tarde do que nunca. Sou mesmo uma garota deslumbrada de 32 😳
O ritmo da viagem foi tão bacana que nem acreditei quando o trem se aproximou da estação final, Charles de Gaulle (que, aliás, não poderia ter contraste maior com a Les Arcs…) Saí do trem, mas não sem uma certa insatisfação, pensando nas chatices básicas do próximo meio de transporte: check-in, embarque, ônibus, avião, ônibus, pegar mala…
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Eu, que já era fã da aura romântica dos trens, mesmo sem nunca ter viajado, depois disso só me certifiquei de que quero usá-los muitas e muitas vezes. O único problema é ter começado por um trem do nível do TGV: talvez fique mais difícil fazer um downgrade depois para um trem mais lento, mais velho e desconfortável…
Depois de um vôo rápido e pontual até Atenas, mais uma boa surpresa com trilhos… Estava na dúvida entre tomar um táxi (um certo pânico – depois confirmado – de enfrentar os taxistas atenienses) e usar o metrô. Decidi arriscar e pegar um dos últimos trens, depois de correr muito e esquecer de compostar o bilhete…Não façam isso, crianças! Fiquei tensa depois que me lembrei deste pequeno detalhe: não aconteceu nada, mas na volta para o aeroporto vi um fiscal autuando uma turista francesa que não sabia que tinha que compostar o tíquete na entrada da estação.
Uns quarenta minutos de viagem depois (num trem super limpo e novinho), estava em pleno centro de Atenas, na linda estação Acrópolis. Mais dois quarteirões caminhando e voilà: o hotel,  Athens Gate. Mais uma vez deslumbrada: que civilizado! Que fácil! Nessa hora eu me lembrei dos R$ 80 cobrados para ir de Guarulhos até a minha casa 🙁
Água e um loukomi depois eu já nem me lembrava mais dos taxistas de Guarulhos, de Atenas ou de qualquer lugar que fosse. Especialmente depois de entrar no quarto e dar de cara com essa vista 😀
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Do alto 2: Gassin

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Continuando o tour das cidades-fofas-no-alto-de-rochedos, outra preciosidade que pode (e deve) ser visitada é Gassin. Como Grimaud, ela está sobre o maciço de Maures, uma região montanhosa situada no Departamento do Var, onde se encontra esta parte de Côte d’Azur vistada.
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(foto de www.suntrop.co.uk)
Ela está localizada na península de St Tropez, bem próxima à cidade, mas separada dela por uma estradinha rodeada de vinhedos. Aqui nesta região, o espaço é valorizado e as vinhas são plantadas até nos canteiros das rodovias, chegando quase até o asfalto.
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O forte da produção vinícola na região é de rosés, tipo de bebida que combina perfeitamente com o clima quente e o espírito da boa vida do sul da França. Funciona muito bem a qualquer hora (talvez não no café da manhã, mas alguns ainda hão de discordar de mim 😉 ) e mesmo os vinhos da cooperativa de Grimaud (Les Vignerons de Grimaud) são muito gostosos.
Muita gente não curte muito rosés por aqui, mas como ouvimos por lá que este tipo vinho não viaja muito bem, esta tendência pode até ser justificada… Alguns meses antes de viajar experimentei um em um restaurante em São Paulo e não gostei. Experimentei o mesmo vinho lá e era completamente diferente. Será que a teoria tem mesmo um fundo de verdade? Ou foi o cenário que melhorou o gosto do vinho?
Bem…chega de divagações enológicas, mesmo porque eu entendo lhufas de vinho: nada de muita teoria, o bom mesmo é beber :mrgreen:
 
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Terminando a subida chega-se a uma praça que dá as boas vindas a quem chega à Gassin. Dali é que se tem uma idéia da posição privilegiada da cidade…
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…com a visão dos vinhedos na planície.
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Como é de praxe, Gassin parece uma cidade cenográfica, muito bem restaurada e cheia de cantinhos que imploram por fotografias…
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…especialmente os muros de pedras cheios de primaveras, flor mais que característica do Mediterrâneo e que me acompanharia durante toda a viagem, especialmente na Grécia. Outra flor muito presente em todos os lugares era a bela-emília (nenhuma parcialidade por parte da dona do blog! 😆 ), como nesta parede…
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Poderia ter ficado mais tempo na cidade, mas havia uma reserva para almoço: mesmo a cidade sendo pequena, vale a pena ir com calma e explorar todos os bequinhos porque sempre há algumas surpresas, como uma torre medieval. Que, neste caso, é chamada de Porta dos Sarracenos, antiga entrada do Castrum (forte de defesa).
 
 
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Ou poços antigos, como na…Rua dos Poços 🙄
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São muitos detalhes interessantes e há uma visita guiada ao vilarejo, cujos horários podem ser conferidos nos mapas informativos à entrada de Gassin.
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Voltando ao ponto de partida, é recomendado caminhar pelas muralhas até chegar à Place deï Barri. Apesar de não ter ficado para comer, sugiro um almoço demorado na ali: são vários restaurantes charmosos, vizinhos de galerias de arte (como a tradicional Galerie deï Barri) e todos com uma super vista panorâmica 🙂
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(foto de www.les-plus-beaux-villages-de-france.org)
E ainda dá para visitar as vinícolas…mas isso fica para uma próxima vez. Dá para entender porque os freqüentadores de St Tropez pegam essas estradinhas quando querem um pouco de sossego…
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Outras viagens…
Para completar a trilogia, faltou visitar Ramatuelle, do ladinho de Gassin. Parece ser uma gracinha também 😉

 
 
 
 
 
 
 

Do alto 1: Grimaud

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Esse cantinho do Mediterrâneo é feito de vida à beira d’água e também de muito mais… No entorno do golfo de St Tropez existem algumas cidadezinhas charmosas, mas não de praia: elas olham o mar encarapitadas nos maciços rochosos ao redor. Em comum, além da situação geográfica e lindas vistas, elas têm a origem medieval e uma certa beleza e calma que nos dão vontade de só andar e andar…
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Grimaud é uma delas. Essa belezinha é o centro administrativo da comuna ao qual pertence Port Grimaud, onde estava. Ao contrário do ‘filhote’, a cidade tem uma longa (e ainda um pouco obscura) história como ponto de defesa do golfo. O que mais evidencia este passado é o castelo do século XI, que, apesar de em ruínas, ainda protege a cidade aos seus pés com ar imponente…
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Outras marcas do passado estão nos detalhes, basta observar bem para conferir nas paredes e muros…
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…e nas igrejas como a de Saint-Michel, do século IX, e capelas muito fotogênicas (só não saíram bem nas minhas fotos 😆 )
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(foto de www.diocese-frejus-toulon.com (e) www.grimaud-provence.com (d) )
 
Falando em observação, esta é uma das atividades imperdíveis em Grimaud. Mas tem outras: que tal caminhar? E que tal só relaxar e curtir? Como esses são os meus esportes prediletos :mrgreen: , eu passei uma tarde deliciosa por lá…
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Cada vez mais eu me surpreendo num certo ritmo caymmiano ao turistar…andar, olhar algo lindo até ficar bem gravado na memória, andar mais um pouco, brincar com um cachorro, descansar. Sem lerês. Aliás, eu percebi nessa viagem que ando precisando me preparar psicologicamente para os grandes lerês (N.B.: para os não familiarizados com a expressão cunhada pelo Freire, são aquelas atrações turísticas muito famosas e lotadas).
Mas algo te dá certeza de que há algo errado (ou muito certo?) quando você começa a se encantar com portas 😀
 
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…e placas (elas de novo!).
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Muita gente nas ruas? Imagina…a cidade deve ficar só levemente agitada na época de Les Grimaldines, o festival de verão. Pena que cheguei um pouco tarde.
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Apesar da proximidade do mar, o ambiente é totalmente diferente, mais de interior, bastante provençal… 
 
 
 
 
 
 
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…e é justamente essa característica que atraiu muita gente interessada num estilo de vida relax, o que gerou muitos restauros de casas, feitos com propriedade. Além da localização e da atmosfera única, esses moradores ganharam também uma vista maravilhosa, especialmente à noite, quando se pode ver os vultos luminosos de Port Grimaud, Saint Tropez e St Maxime ao longe…E tive a sorte de conferi-la como convidada para um jantar delicioso e altamente agradável numa dessas casas.
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Caso você também esteja procurando beleza, mas sem precisar sair da primeira marcha, pode vir que esse é o seu lugar 😉
 
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Procurando BB

 
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Quando se pensa fala em Saint Tropez, pensamos em…Brigitte Bardot. Assim como fez com Búzios, a musa transformou o pacato vilarejo de pescadores em destino-desejo de artistas, milionários e celebridades em geral. Ela chegou em meados dos anos 50, para as filmagens de …E Deus criou a mulher, ponto de virada de sua carreira. Depois de seduzir os homens e escandalizar a igreja com o filme (dirigido por seu marido Roger Vadim), BB e Saint Tropez nunca mais foram as mesmas.
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(mapa de www.frenchfriends.info)
É, os tempos de vilinha charmosa e quase desconhecida ficaram para trás, mas a beleza da cidade e sua fama de lugar glamouroso continuam atraindo especialmente artistas e também anônimos desejosos de sentir o clima de ‘St Trop’.  Desde que decidi ir para o sul, então, sabia que ela seria um dos poucos cantinhos a quebrar a rotina de descanso puro. Era tão perto, uma tentação: 15 minutos de carro ou menos de meia hora de barquinho-táxi saindo da capitania de Port Grimaud. Acabei gostando tanto que fiz várias visitas.

A primeira foi de barco, passeando pelo golfo: a cidade é discreta e elegante com suas casas em tons terra. Os enormes iates no Vieux Port parecem destoar um pouco da paisagem, em tamanho e quantidade maiores que o recomendado para uma cidade tão delicada. Ainda assim é uma bela combinação, assim como a citadela do séc. XVI e as maravilhosas casas de veraneio, que podem ser vistas de barco, à distância.
Mas nada como colocar os pés em terra e ver tudo de pertinho, então no dia seguinte peguei a navette e logo descia no mítico porto. Tudo muito divertido: turistas andando para lá e para cá, os donos dos iates se exibindo nos próprios… 
 
 

…ou comendo nos restaurantes branchés ao longo da marina…

…a maioria fazendo comprinhas, de todos os tipos   :mrgreen:
Quem chega a Saint Tropez pela primeira vez e bate perna pelo cais tem a impressão de que esse é o real espírito do lugar. Na verdade, as ruas agitadas das marinas velha e nova fazem parte de um lado da cidade: o outro você conhece ao se perder pelas ruas estreitas da vila medieval.
 
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Ali, a poucos quarteirões do burburinho, é possível encontrar ruas desertas…
 

…e pracinhas encantadoras.
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Uma coisa muito boa de se fazer é xeretar os ateliês e lojinhas charmosas, num esquema bem diferente do enxame de marcas luxuosas que vimos ao chegar. Os artistas e donos de lojas gostam de bater papo e estavam planejando uma festa ao ar livre na pracinha mais fofa dali, dois dias depois.
Outras recompensas de andar pelos bequinhos de Saint Tropez é dar de cara com cenas como essa 😀

…ou ver casas como essa aqui.

É numa dessas ruazinhas que fica a principal igreja, com sua torre colorida facilmente identificada de longe, desde o golfo…

Dá para andar horas sem cansar, curtindo cada pracinha, admirando as construções medievais e as casas com fachadas cobertas por primaveras floridas, fuçando em uma lojinha bacana. Ou comendo uma tarte tropezienne, hmm…
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Com certeza teria ficado até à noite se tivesse vindo de carro. Mas a última navette saía um pouco depois das 5, então era hora de voltar, mas com vontade de ficar mais…
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No último dia voltei, mas não para a cidade: íamos até a badalada praia de Pampelonne para almoçar no Club 55, um clássico da família e perfeito para o almoço de despedida. Este é um dos restaurantes mais antigos de Saint Tropez, tendo sido criado especialmente para atender às estrelas e equipe de filmagem do já citado filme de BB, sendo o nome uma homenagem ao ano em que a estrela e seu marido chegaram à vila.
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Apesar da clientela endinheirada que chega nos carros mais incríveis ou de barco, o lugar é bastante relax. O ambiente é delicioso, sendo as mesas dispersas por uma área cheia de árvores e não totalmente coberto. Perfeito para beber o tradicional rosé e escolher com calma o que comer num menu pequeno, mas cheio de sugestões de dar água na boca. Fui de moules marinières e steak tartar.
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Depois do almoço, dar uma volta pela praia em frente ao restaurante…
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A praia de Pampelonne é extensa e cheia de bares de praia e restaurantes charmosos. É limpa e a água, azul-turquesa, barquinhos ao fundo. Eu, se fosse você, reservaria um dia para bronzear seu corpinho aqui nessas areias  😉
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Outras viagens…

Existem muitas outras possibilidades de esticadas ao longo do litoral sul, a partir do Golfo de St Tropez.
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(mapa de www.villacotedazur.info)
Em um dos dias no sul da França viajamos cerca de uma hora e meia até Cap D’Antibes, para onde fomos convidados para passar o dia. É um península num canto muito calmo e exclusivo da Côte D’Azur. 
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Ao contrário de Saint Tropez, onde há muito espaço para passeios na cidade e praias para tomar sol, Cap D’Antibes é mais indicada para quem tem uma casa lá ou pode se dar o presente de mergulhar na piscina lindíssima do hotel Eden Roc.
Do farol é possível ver outras cidades perfeitas para bate-e-volta: Cap D’Antibes está entre Cannes, com seu festival de cinema (mais uma vez indico o Beto, que esteve conferindo o burburinho) e Nice, com Mônaco logo ao lado.
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Dá para ir a Grasse, Saint Paul de Vence (e Vence)…com um pouco mais de disposição, dá para ir a Marselha ou Aix-en-Provence. As ofertas são inúmeras, você é quem manda  😀

E o barquinho vai…

Depois de um breve tour pelo interior do país, enfim a chegada a Port Grimaud, com a idéia de passar quase uma semana de papo para o ar, para descansar.

Este é um lugar curioso: uma cidade planejada, nos anos 60, para funcionar como um condomínio e também como uma gigantesca marina. Que conforto melhor para os que gostam de velejar do que estar no quintal e ter o seu barco estacionado em frente? 

O criador de Port Grimaud foi um arquiteto alsaciano chamado François Spoerry, apaixonado por barcos, que drenou o pântano local e ali fez surgir uma cidade com formas inspiradas nas casas provençais. Tudo poderia ter resultado em uma Disney do Midi, não fosse o capricho no planejamento de cada casa: harmonia de cores, tamanhos e materiais diferentes, que não cansam o olho como a repetição de projetos comuns em condomínios modernos.
A cidade é tranqüila e discreta, descansando lá no cantinho do Golfo de Saint Tropez, escondida atrás da própria e de St Maxime. O espírito de PG é mais familiar e menos badalação, o que talvez explique o fato de ser pouquíssimo conhecida fora da França.

(foto de iloveportgrimaud.com)
Como dá para perceber pela foto acima, a cidade tem uma quantidade pequena de ruas internas, somente o necessário para estacionar os carros: a maior parte da área é tomada por água, formando mais e mais canais. É ali que circulam as lanchas e veleiros, a caminho do mar :mrgreen:

Mesmo quem está ali só visitando pode curtir o clima do lugar: é só alugar um barquinho elétrico, na entrada principal da cidade ou ao lado da igreja, e fazer o seu próprio tour da cidade, observando as simpáticas pontes…

…e as ainda mais simpáticas casas, todo mundo curtindo a tarde como se deve: um rosé geladinho, uma baguete crocante e aqueles queijos loucos e deliciosos 😀

A maior parte da cidade tem acesso restrito aos moradores, mas é possível se hospedar em um dos dois hotéis dentro da vila: o Hotel Giraglia, bem em frente à saída do porto, próximo à capitania dos portos e da praia, e o Hotel Le Suffren, na Place du Marché.
Para quem só está de passagem, outra boa pedida, além do barco elétrico, é dar uma volta de fim de tarde pelo centrinho, onde dá para comer ou tomar um sorvetinho…

…visitar a moderna igreja com vitrais de Vasarely

…e fazer algumas comprinhas, especialmente no domingo, dia da grande feira na Place du Marché.

Por ser muito perto de casa, só um portão à frente, batia ponto fácil no centrinho, seja para comprar pães, usar a internet ou só ficar de bobeira…

O dia-a-dia era bem preguiçoso: acordar tarde, tomar café na varanda, alimentar os peixinhos do canal, ler, bater papo e fazer um looongo almoço. Só depois era hora de bater perna, se desse vontade. Essa rotina boa ajudou muito a entrar no ritmo de férias…
 
 

 
Provavelmente vai surgir uma pergunta: e não tem praia? Tem sim: duas praias, uma particular, onde só se chega de barco, e outra pública. As duas são gostosas, mas não me animei muito a estender minha canga nelas, preferia não fazer nada no quintal, que era tão gostoooso… :mrgreen:
 

Port Grimaud é muito bem localizada para fazer uma série de passeios bate-volta ou simplesmente visitar os arredores, que já têm muito a oferecer, portanto…nada de monotonia, mas um belo equilíbrio entre descanso e turistagem 😉 Da próxima vez quero ficar mais…você também não teria vontade se tivesse essas vistas da sua varanda, ao amanhecer?

 

De norte a sul

Eu adoro pegar uma estrada… ver a paisagem passando rápida, umas vaquinhas ali, uma montanha diferente lá, plantações. Se for numa bonita manhã de sol, boa companhia, mapas e trilha sonora garantida, aí então é que eu posso rodar uma bela quilometragem sem cansar. Ok, ok, parar em alguns lugares charmosos para comer e descansar também ajuda bastante 😀

Por isso eu nem pisquei quando planejamos ir de carro pelos 800 km que separam Paris de Port Grimaud, o próximo destino. Afinal, mesmo indo pela auto-estrada, iríamos cortar regiões como a Borgonha e o vale do Rhône, passar por um pedacinho da Provence (e admirar um pouco o Mont Sainte-Victoire) para depois ver a linda costa sul.
E até das placas eu gosto! Especialmente aquelas marronzinhas com o desenho das atrações de cada cidade ou região…E que tal aquelas simpáticas de Ville Fleurie? Cada louco com sua mania 😛

(fotos de www.lacroix-signalisation.fr (e) e www.st-honore-les-bains.com (d) )
E falando em paradas estratégicas, uma das nossas foi em Tournus, onde a Guilou e o Jacques moraram por um tempo. É uma simpática cidade à beira do Saône, cuja atração principal é a Abadia de St Philibert, do século XI.

 
A igreja tem aquele jeitão sóbrio e sólido, típico do estilo românico e, além da sua monumentalidade, ainda preserva alguns afrescos daquela época, coisa cada vez mais rara de se encontrar. Quando não estão vandalizados e/ou corroídos pela ação de séculos, foram muitas vezes retirados e instalados em museus para evitar maiores perdas. Para quem gosta deste tipo de arte, o MNAC (Museu Nacional d’Art de Catalunya), em Barcelona, é um prato cheio. Maravilhoso.
Uma das melhores coisas em mosteiros, para mim, é sempre o claustro. Este era muito silencioso, pouca gente visitando, uma delícia de sol batendo no jardim verdinho. Um lugar ideal para relaxar de um tempo na rodovia. É possível também visitar o refeitório dos monges, que fica bem ao lado.
Os arredores são muito bonitos, já que a igreja fica dentro da cidade murada. Para quem tem mais tempo, um passeio interessante é aquele que segue pelas ruazinhas medievais até a beira do rio, onde muita gente mantém seus barcos de passeio.

 
E de volta para a estrada, mas não por tanto tempo, pois passaríamos a noite perto de Roanne: é ali que vive o querido Charles e sua família. Claro que aproveitamos seu convite, já que é tão raro vê-los e ainda mais sendo tão perto do nosso roteiro.
Para melhorar, o caminho que sai da auto-estrada e segue até a região de Cours La Ville é uma estrada verde Michelin: vamos cortando o famoso pays Beaujolais e seus vinhedos.

Depois de terminados os vinhedos, segue uma região alta cheia de pastos com vaquinhas charolaise e pinheirais…inacreditável. Ficamos pasmos com o sol de final de tarde filtrando entre as árvores e deixando brilhante os campos verdinhos. Fiquei tão alucinada na paisagem que até me esqueci de tirar fotos 🙄
É nessa beleza toda que fica Cours e o vilarejo onde o Charles mora, bem à beira do Lac des Sapins, onde passamos a noite. 

Depois de matar as saudades com muita conversa e comida boa, acordamos cedo porque afinal era uma terça-feira e todos teriam que trabalhar. Tomamos café da manhã em Cours, com a mãe do Charles e continuamos o nosso caminho. E a próxima parada seria o nosso destino: o Golfo de Saint Tropez 😀
 
 
PS: Outra pessoa que também gosta muito de viajar de carro é o Beto. Ele (e sua Teté) tem ampla experiência em viajar pela França nesse esquema, além de talento para escrever textos danados de bom. Eu se você dava um pulo lá também para saborear a última aventura deles, pela Provence.

Deixando Paris: Île de France

Com a chegada ao Charles de Gaulle, uma recepção como da última vez: com chuva e friozinho, mas com o super carinho do Jacques, que deixa tudo mais acolhedor. Só uma coisa seria diferente: nada de Paris, seguimos direto para o interior, mais especificamente La Fortelle, quase saindo da região de Île de France e entrando na Normandia.

La Fortelle é um vilarejo fofíssimo e minúsculo: em cerca de meia hora se dá a volta nele inteiro a pé, incluindo um tempo para apreciar a vista da cidade ao lado (como na foto acima), onde se concentra todo o comércio. É um lugar para viver a vida com calma, apreciando o campo: observando os pássaros, plantações e conversando com a gente do lugar, como a gentil madame agricultora da casa abaixo. Ela, me observando tirar fotos da vila, me convidou para conhecer a sua casa de fazenda do início do séc. XIX e me contar um pouco da sua história (além de trazer um escargot para a minha apreciação 😀 )

Além de ser fundamental para o descanso, tanto do jet-lag quanto das últimas semanas cheias de trabalho e preparação de viagem, La Fortelle é a casa de campo da Guilou e do Jacques, onde eles organizaram a festa em família. Cerca de 40 pessoas vindas de várias partes da França se reuniram no lindo jardim, onde se serviram de um buffet delicioso, cheio de saladas, pães, charcuterie e aqueles queijos maravilhosos que a gente só encontra por lá.

No dia em que partimos de La Fortelle para voltar a Paris, fizemos ainda algumas paradas pelas fofas cidadezinhas ao redor, como Ezy-sur-Eure e Anet, onde há um castelo renascentista…

(foto da direita: www.gardens-to-visit.com)
 
…e pela casa do Charles, que vive numa fazenda lindíssima dentro de uma vila fundada por templários, que também construíram esta igreja que fica dentro da propriedade deles.

Voltamos então para Paris, finalmente (Neuilly, na verdade). Mas na cidade tivemos um tempinho apenas para um passeio rápido pela Champs-Elysées, deserta no domingo, onde só demos uma olhada nas vitrines e compramos CDs. Seguem duas amostras simpáticas do que comprei por lá:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=X2BEhk1fqZo]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1ZHWOrekXVE]
Foi triste não ficar nem um diazinho em Paris…ainda mais com convites de várias pessoas. De qualquer maneira, viajar é sempre uma escolha e dessa vez a decisão foi ficar no sul da França e ter mais tempo na Grécia. Espero poder voltar ainda muitas vezes para essa cidade que é preferidíssima (minha e de meio mundo 😉 )
De qualquer maneira ainda pude curtir um pouquinho Neuilly…

…e olhar de relance alguns pontos bacanas perto de casa antes de cair na estrada em direção ao sul 😀

Hors-concours

É claro que, quando se fala em serra da Mantiqueira, não dá para ignorar Campos do Jordão, a estância de inverno preferida pelos paulistas. Tudo ajuda a fazer a fama: a proximidade da capital por boas estradas, o clima agradável, a paisagem da serra, o Festival de Inverno, a balada, a arquitetura alpina…Bem, essas duas últimas não são exatamente uma unanimidade e por isso muita gente torce o nariz para a cidade.

(foto de www.trekearth.com)
É, Campos já foi mais charmosa, mesmo com as construções temáticas. A cidade cresceu muito e virou um gigante espaço para propaganda na temporada: stands de montadoras, veículos de comunicação, muitos shoppings, ‘celebridades’. Fora o aumento da insegurança, que sobe a serra junto com os endinheirados (e outros nem tanto).
Mas a intenção deste blog não é desanimar os possíveis visitantes, ao contrário: conforme já tinha demonstrado uns dois posts atrás, a melhor época para ir a Campos não é o inverno, mas qualquer outro período do ano. Tudo vai estar mais sossegado e bonito, o serviço nos lugares mais legais vai ser atencioso (ao invés da da tática de te ignorar, como acontece em julho), enfim…tudo mais civilizado.
Na cidade a superlotação ainda não é um problema  (apesar de ser quase impossível de conseguir uma mesa no Baden-Baden para um chopinho), mas em lugares de contemplação como o Horto Florestal, por exemplo, a visita é muito melhor no silêncio, ou quase. O Horto é sempre meu destino quando estou lá: as trilhas são fáceis e passam por áreas de mata com rios e quedas ou por áreas mais altas com araucárias. Eu gosto especialmente das áreas de entrada, com a roda d’água e os tanques.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
Na volta do Horto a fome sempre aperta e uma excelente escolha é o Harry Pisek, um restaurante alemão com uma fábrica própria de salsichas artesanais. A comida é deliciosa e a pedida é almoçar no jardim aos fundos.

Outras paradas famosas no caminho do Horto são o churrasco do Beto Perroy e As Alegrias do Gato Gordo, que tem carnes, batatas e palmito pupunha assados em forno a lenha. Deve-se tomar cuidado pois eles lotam nos finais de semana. Ali do lado tem um circuitinho divertido de arvorismo e um ponto de aluguel de quadriciclos, para percorrer as estradas de terra dos arredores.
Um dos meus pontos favoritos é o Museu Felicia Leirner, junto ao Auditório Claudio Santoro, onde todo mês julho acontece o Festival de Inverno de Campos do Jordão, com uma programação de música erudita.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
O melhor horário para visitar o museu de esculturas ao ar livre é no final da tarde, quando a luz do sol bate sobre as esculturas brancas e árvores ao redor: é magnífico. Mas o museu não se resume à encosta do jardim, é só subir mais um pouquinho e você encontra as trilhas com as esculturas metálicas da artista e uma vista inacreditável da famosa Pedra do Baú. Infelizmente nunca consegui chegar até a base da pedra e escalar até o seu topo por escadinhas tenebrosas: as duas vezes em que tentei a estrada estava muito ruim, é melhor tentar em épocas de seca.

Na mesma estrada que vai para o Alto da Boa Vista está o Palácio do Governo, onde hoje funciona um museu com obras de artistas brasileiros consagrados, como Portinari e Tarsila do Amaral. Bem no começo desta avenida, próximo à cidade, está também o Mosteiro das Beneditinas, construído no meio de um bosque. Na capela são realizados recitais de canto gregoriano e geléias são vendidas na lojinha. É um lugar pouco visitado, mas de uma paz absoluta.
Passeios clássicos de Campos são o bondinho que cruza a cidade no meio dos plátanos (que ficam lindos no outono, dourados) e o passeio de trem até Santo Antônio do Pinhal, passando pelo ponto ferroviário mais alto do Brasil. As estações estão bem preservadas, mostrando bem como eram na época em que foram construídas, no começo do século passado.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
Estas são só algumas coisas que se pode fazer na cidade, as minhas preferidas, mas ainda tem outras opções para todos os gostos. Algo que eu descobri nesta última vez que estive lá é que foi inaugurado um parque chamado Amantikir, na estrada que vai para o Hotel Toriba. Não cheguei a ir até lá, mas pelo prospecto que vi e pelas informações na internet, me pareceu um lugar divino: uma coleção de jardins de diversos estilos, incluindo um labirinto de grama, um jardim inglês, um de pedras, outro de capins…Ainda estão planejadas outras fases para expansão, mas o que existe hoje pode ser visto neste site. Na próxima vez quero conferir para ver se parece tão bonito ao vivo.
Perto do jardim está uma opção deliciosa para quem estiver nesta região de Campos e quiser tomar um chá da tarde: o Lenz Gourmet. Eles estão numa bonita área verde e servem chá com strudel numa casa aconchegante e outros quitutes suculentos. Perto também está o Haras Tarundu, um centro de atividades esportivas ótima para crianças (dica do meu irmão, que tem um pimpolho).
À noite fica difícil escolher um restaurante entre tantos, mas se o que quer é um fondue básico e gostoso num ambiente aconchegante, o Davos é uma boa opção, bem perto do centrinho. Mas o restaurante mais romântico, na minha opinião, é o Ludwig. Longe da badalação, luz de velas, lareira, flores e uma ótima comida: não é isso o que os casais querem?
Na última vez ficamos na pousada Vila das Cores, num canto tranqüilo de Capivari: básica, mas com uma vista bonita, nova e bem decorada. Uma boa alternativa de hospedagem é Santo Antônio do Pinhal, a poucos quilômetros antes de chegar em Campos. Quando estivemos lá ficamos na Pousada do Cedro, um charme: são uns lofts ultra confortáveis, com lareira e varanda com vista, mais mimos como amenities de boa marca, roupões fofos…difícil é sair dali para ir para Campos ou qualquer outro lugar   :mrgreen:   Quando fomos estavam terminando de instalar ofurôs em alguns dos lofts, deve estar uma belezinha.


Santo Antônio do Pinhal ainda é um pouco tímida em relação à irmã maior, mas a cidade já tem várias pousadas lindas e alguns restaurantes bacanas. Para os que gostam de vôo livre, o Pico Agudo é um ponto famoso na região e pode-se visitar algumas cachoeiras nos arredores.

Uma coisa é fato: dificilmente alguém vai se sentir entediado vindo para cá 😉

Serra à moda mineira


Falando em lugares simpáticos na serra e (ainda) pouco procurados, não dá para esquecer Gonçalves, em Minas. Mesmo perto de Campos do Jordão, é um lugar para passar longe da muvuca e das construções alpinas: ali o estilo arquitetônico preferido é aquele rústico do interior de Minas, acolhedor e simples.
Chegar até ali não é muito complicado: deve-se seguir em direção a Campos do Jordão e virar à esquerda na saída para Santo Antônio do Pinhal. Essa estradinha atravessa a divisa algumas vezes até passar por São Bento do Sapucaí e logo após aparece a saída para Gonçalves.

A área urbana em si é bem pequena e não tem muitos atrativos a não ser o sossego de cidade do interior e a hospitalidade da Tanea em sua casa antiga na entrada da cidade, sede d’A Senhora das Especiarias. Vale a pena uma parada na volta para bater papo com ela e experimentar os chutneys e as geléias diferentonas e deliciosas que ela faz: que tal uma de cachaça? Ou de café? Talvez de hibisco? Na dúvida levamos várias 😉
Saindo da cidade, pega-se a estrada de terra em direção ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas (!!!), por onde estão espalhadas as pousadas, restaurantes, cachoeiras…é onde também fica a pousada que escolhemos para esse final de semana estendido em maio de 2006, a Passaredo. É uma pousada simples e aconchegante, com vários chalés em um jardim bem cuidado.

Os donos são de São Paulo e se mudaram para Gonçalves: caíram de amores pelo lugar e resolveram levar o sonho adiante. Eles estão sempre presentes e especialmente à noite, quando são servidas sopas para espantar o frio: eles gostam de bater papo e dar dicas para os hóspedes. Do lado de fora do restaurante a atração durante o dia fica por conta dos beija-flores, muitos e muitos…

Dá para relaxar na piscina ou na sauna ou simplesmente ocupar uma das redes na beira do rio, que passa bem em frente aos chalés…

Depois de relaxar um pouco, é hora de reconhecer o terreno. A área do município é cheia de atrações interessantes, mas nós nos concentramos na estrada da pousada que passa pela Pedra do Forno, um pouco à frente, e continua no sentido de Monte Verde. Por falar em formações rochosas, elas não faltam por aqui: você pode subir as trilhas para a Pedra Chanfrada, a Pedra Bonita, a do Cruzeiro…além da própria Pedra do Forno, de onde se tem uma visão inacreditável da serra: dizem que dá para ver as vizinhas Campos do Jordão e Monte Verde dali.

A trilha até o topo é fácil e pode ser percorrida em cerca de uma hora. Se você for de manhã, pode aproveitar para repor as energias almoçando no restaurante do Zé Ovídeo, na base da pedra. Comida caseira deliciosa e farta, servida no fogão à lenha e feita com ingredientes fresquinhos do próprio sítio. Não dá vontade de parar de comer, especialmente se acompanhada de uma cerveja geladinha. O atendimento tem aquela hospitalidade mineira e o próprio dono é uma simpatia. Hmmm…deu fome :mrgreen:
Outra possibilidade é partir para a água. Entre a Pedra do Forno e a cidade existem belas cachoeiras, como a do Retiro, que é na verdade composta por várias quedas impressionantes: a visitação se dá num dos pontos mais altos dela, de onde se tem uma visão do vale lá embaixo. Se existisse uma trilha para a base da cachoeira, com certeza ela teria sucesso. O desnível total é de cerca de 400 metros, uma bela visão.

Outra possibilidade é visitar a cachoeira do Simão, próxima da primeira e de acesso muito fácil. Ela não é muito alta, mas dá para acompanhá-la caminhando sobre as pedras, já que o rio escavou uma espécie de cânion na rocha.


As caminhadas são curtas até as duas cachoeiras, mas pode ter dado uma vontade de nadar e a fome apareceu…convenientemente ao lado da cachoeira do Simão está um dos melhores restaurantes de Gonçalves, o Le Bistrot: comida muito boa e um visual imbatível.
No nosso último dia resolvemos alugar uma moto para fuçar pela região. Que delícia andar pelas estradas de terra vendo os detalhes, parando onde dá vontade e sentindo o vento e o cheiro de mato. Aproveitamos a facilidade e resolvemos ir mais longe, até um lugar recomendado para o nosso almoço, um restaurante junto a um criadouro de trutas. Pena que não me lembro do nome, mas anda-se um bocado Descobri o nome através de um pessoal que tem casa lá: Truta Queda D’Água, mais conhecido também como Trutário do Bob, no caminho para Monte Verde, passando pela Pedra do Forno, perto do bairro Juncal (tem umas fotos bonitas aqui). O lugar faz sucesso entre o pessoal do motocross, o que faz sentido, considerando as distâncias percorridas em estrada de terra.
Em primeiro lugar você vai até os tanques para escolher a sua truta, que é abatida na hora e segue para a cozinha. No restaurante você se serve de saladas e acompanhamentos, curtindo o barulho do riozinho que passa ao lado enquanto espera pelo peixe, preparado da maneira que você quiser. Comida super fresquinha e gostosa, num lugar de puro sossego.


Já estamos sentindo falta de Gonçalves e queremos voltar logo. Aquele charme do interior mineiro misturado com o clima e visual de serra é de querer ir ficando, ficando…até deu vontade de comprar aquela ‘casa no campo’ de que fala Elis, como acontece com muitos por aqui. Quem sabe um dia?

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