Grécia: Páginas Amarelas

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Abaixo estão compiladas as informações práticas sobre os destinos gregos visitados por este blog. Esta é uma lista dos serviços que foram testados e aprovados, inclusive indicações de blogs com material sobre a Grécia que valem o clique.
Época – A segunda semana de setembro foi uma boa escolha, especialmente pelo tempo quente, mas sem exageros: biquíni de dia, uma blusinha leve à noite.  A quantidade de visitantes diminui drasticamente com o final do mês de agosto e as ilhas estão menos abarrotadas. Mas isso também traz um ponto negativo, que é a diminuição da freqüência dos ferries entre as ilhas.
Transporte – O transporte mais comum para deslocamento entre as ilhas é o marítimo, mas por motivos de planejamento (e falta de informações confiáveis sobre os ferries e catamarãs), o avião foi o meio escolhido, apesar da necessidade de sempre se voltar a Atenas. As companhias utilizadas foram a Aegean e a Olympic (esta última está sob situação instável há algum tempo, para informações mais atualizadas consultar o Aquela Passagem.)
Para o pequeno trecho na Grécia continental, foi alugado um carro com a Safeway. As auto-estradas são boas e bem sinalizadas, enquanto as estradinhas regionais têm poucas pistas, muitas curvas e caminhões (mas, como é de praxe, passam pelas paisagens mais bonitas). As placas estão nos dois alfabetos (às vezes a placa no alfabeto latino vem depois da placa em grego), mas o aluguel do GPS é recomendado.
Em Atenas, os melhores meios de transporte são as próprias pernas e o metrô. As distâncias entre os principais pontos turísticos são pequenas. Para aqueles fora do circuito Monastiraki-Syntagma-Acropolis (como o Museu Arqueológico, por exemplo) ou para turistas cansados de bater perna, o metrô cobre bem. Recomendo também para ir ou voltar do aeroporto, caso o seu hotel esteja perto de alguma estação. Táxis somente se tiver alguma tendência masoquista 🙄 (ou paciência para tentar achar um taxista bacana entre dezenas de outros mal-educados).
Nas ilhas o meio de transporte mais utilizado foi o carro e existem várias locadoras pequenas com preços bem camaradas. Motos também são uma opção para quem tem prática. Não testei transporte público nas ilhas, por ter lido em vários lugares sobre a inconstância dos mesmos.
Hotéis – Os hotéis escolhidos têm estilos, nível de conforto e preço bem variáveis, mas todos são bem recomendados por este blog, tendo boas críticas e ótimas posições no ranking do Trip Advisor.
– Atenas: Athens Gate – Hotel renovado, confortável, bem-localizado (nos limites de Pláka), grandes vistas.
– Delfos: Varonos – Um dos hotéis de gosto mais duvidoso onde já me hospedei, mas com atendimento extremamente gentil. Internet grátis, linda vista.
– Meteora: Archontiko Mesohori – Uma casa antiga de pedra toda renovada, confortável, mas com o mesmo senso de decoração do Varonos. Da varanda se vê as famosas rochas de Meteora.
– Milos: Villa Notos – Típica construção cicládica, quartos novíssimos e decorados discretamente, donos muito simpáticos. Em Adamas, no porto, mas num canto sossegado.
– Santorini: Atrina – ‘Hotel-caverna’ em Oia, muito bem decorado e mantido, com vista para a caldeira, piscina gostosa. Bem-localizado, próximo à entrada da vila e ao acesso de veículos.
– Mykonos: Vencia – Vista maravilhosa da cidade de Mykonos, logo abaixo. Renovado recentemente, decoração discreta, ótimo atendimento, piscina deliciosa e fotogênica.
– Rodes: Andreas – Hotel simples, mas com vários pontos positivos: atendimento gentilíssimo, localizado dentro da cidade antiga, em uma área tranqüila, sem turistas. Linda vista, especialmente do quarto mais alto, o meu escolhido.
Comer – Na Grécia, os restaurantes podem ter muitos nomes de acordo com a especialidade: taverna, psarotaverna, mezedopoleio, kafeneio…Mas o que realmente se percebe, é que a comida tem um certo padrão – as mesmas receitas em quase todos os restaurantes -, além de seguir uma linha mais substanciosa, rústica, sem grandes sofisticações.
Algumas presenças comuns nos cardápios: moussaka (torta de berinjela com carne moída e batata), souvlaki (espetinhos, em especial de carne de porco), salada grega (tomate, pepino, queijo feta, azeitonas, azeite e orégano), gyros (fatias de carne de porco no pão com iogurte e batatas fritas), cozidos de porco, cordeiro ou coelho, e mezés (entradas) – como saganaki (queijo frito), tzatziki (iogurte com pepino) ou skordalia (purê de batatas com alho, frio). Peixes e frutos do mar são a melhor escolha nas ilhas e é comum ir até a cozinha para escolher o seu exemplar e pesá-lo. É interessante também experimentar as especialidades de cada ilha…e não se cansar de tomar muito iogurte com mel, uma grande maravilha grega  😀
Alguns restaurantes:
– Atenas: Palia Taverna tou Psara, Diogenes, restaurantes da área de Psiri.
– Delfos: To Patriko Mas
– Milos: Flisbos, Ta Glaronisia
– Santorini: 1800, Sphinx, Pelekanos, tavernas de Ammoudi
– Mykonos: La Maison de Catherine
– Rodes: Nireas e Marco Polo
Compras – Uma vez na Grécia, difícil escapar das lojinhas básicas de suvenires: cópias de vasos gregos antigos, miniaturas de monumentos, camisetas…tudo o que se pode imaginar e mais um pouco. O bairro de Pláka, em Atenas, é o paraíso dos que se divertem com compras. A 25 de março ateniense está em Monastiraki, no mercado de pulgas. Marcas internacionais são encontradas facilmente no centro da capital, em Santorini e em Mykonos.
O famoso olho grego pode ser encontrado em qualquer canto do país.  Jóias estão sempre presentes em Atenas e em Santorini. Grande variedade de lindos (e pesados) livros sobre a Grécia na Eleftheroudakis, em Atenas. Mais leves e tão lindos quanto são os postais com fotos do Georges Meis. Acabei pegando a mania de procurar por modelos diferentes onde quer que eu fosse.
Guias – Com medo de faltar, levei dois: o Lonely Planet e o Guia Visual da Folha. (Mas o LP é sempre o meu querido, não tem jeito.)
                          lp greek islands    gvgreek
Outras viagens – Vários blogueiros estiveram na Grécia também e podem complementar com mais informações e outros destinos dentro da Grécia.
Fatos & Fotos: Santorini
Turomaquia: Atenas, Meteora, Delfos, Santorini, Creta e mais a telenovela Kalon :mrgreen:
Arquivo de Viagens: Samos, Patmos, Santorini, Peloponeso
À Francesa: Santorini, Naxos, Koufounissi
Wazari: Atenas, Mykonos, Santorini
Inquietos: Santorini
Para viageiros:  Atenas, Santorini, Zakynthos
Carrossel de Sonhos: Atenas, Santorini, Mykonos
E, claro, sem esquecer da seção Grécia do Viaje na Viagem e do especializadíssimo Guia Grécia, do gentil Décio, que deu dicas importantíssimas para esta viagem.

Despedida da Grécia: interior de Rodes

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Acordei cedo, abri a janela e a promessa era de um dia lindo. Hora de colocar rápido o pé na estrada, pois a idéia era conhecer ao máximo a ilha. De certo, no roteiro, apenas Lindos, na costa leste de Rodes.

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(mapa de www.faliraki-info.com – clicar para aumentar)

Localizada a 50 km ao sul da Cidade de Rodes, Lindos é o ponto de ocupação mais antigo da ilha, tendo sido fundada pelos dóricos lá pelo séc. X a.C. . É também um dos pontos turísticos mais visitados, por isso a idéia de partir bem cedo para essa pequena viagem. A estrada que liga os dois pontos turísticos mais famosos de Rodes é bem conservada e com várias pistas. Neste trecho a paisagem não é tão atraente, mas quando se chega na cidade é que se entende o motivo do deslocamento (mesmo para quem está na ilha por apenas um dia…)

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Lindos está num ponto estratégico do litoral, numa baía pequena e fotogênica, e sua atração principal, a Acrópole, é ponto para onde a visão primeiramente se dirige: a colina onde foi construída está num nível muito acima do vilarejo e não há como desviar o olhar do conjunto de construções clássicas e medievais que a compõem.

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Ainda é cedo, mas os estacionamentos começam a ser ocupados com rapidez e o sol promete: hora de subir as escadarias até a Acrópole (é possível contratar burricos para a subida, mas este blog desencoraja a prática.) Um vez no topo da colina, é difícil saber para onde olhar: para o mar…

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…a baía e as praias…

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…ou para as construções do sítio arqueológico. A construção mais importante é o Templo de Atena, do séc IV a.C., que está em processo de reconstrução e apenas algumas de suas colunas podem ser vistas.

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A Acrópole de Lindos é uma grande salada de estilos arquitetônicos, pois convivem ali tranquilamente: construções helenísticas, romanas (como esse templo da foto da direita acima), uma igreja bizantina do séc. XIII (Igreja de São João, na foto abaixo, fazendo uma composição com uma stoa que está em adiantado processo de restauração – ou reconstrução, praticamente)… 

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 …algumas estruturas medievais internas e tudo isso contido por uma sólida muralha da mesma época, construída pelos Cavaleiros de São João para defesa contra os otomanos.

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Ao pé da Acrópole, a vila de Lindos parece à primeira vista uma daquelas cidades turísticas até a medula, onde uma lojinha de suvenires manjados faz par com outra, que fica ao lado de um restaurante com aquela mesma meia dúzia de pratos…

(Saio um pouco do assunto aqui para explicar uma teoria minha sobre a escolha de restaurantes quando se viaja. A Grécia foi o lugar perfeito para colher uma amostragem representativa para a comprovação empírica desta minha teoria :mrgreen:

Fujo correndo de restaurantes com:

– ‘Vendedores’ na porta (gritando, dando folhetos, tentando te convencer a entrar, simpaticamente ou não);

– Cardápios com fotos dos pratos (em geral); e

– Cardápios em mais de duas línguas.

Fecho parênteses e volto a Lindos 🙄 )

…mas, a exemplo da Cidade Antiga, é só sair um pouco das ruas principais que levam à subida da Acrópole que tudo muda e Lindos volta a ter cara de vilarejo.

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Seguindo os meus próprios princípios, passei a oportunidade de almoçar ali e tomei o rumo sul, um trecho onde a rodovia corre rente ao mar. O dia de sol forte deixava as praias ainda mais bonitas, mas, apesar do calor, meu espírito não pedia por elas. O carro seguiu até Gennadi, onde, virando 90º à direita, pegou uma estradinha que cortava o interior da ilha, quase no seu extremo sul.

Eu estava curiosa para conhecer os vilarejos, ver uma Rodes sobre a qual ninguém fala, onde os visitantes normalmente não chegam. Só não estava preparada para a beleza da paisagem que encontrei ali…Os campos de oliveiras eram onipresentes, no início, antes de entrar em terras montanhosas…

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…e depois os pinheiros, formando cortinas na beira da estrada.

E, quanto mais se subia, melhor a vista dos vales, da vegetação e do mar ao longe.  O interior de Rodes não merece cliques rápidos e afobados, como os meus. Mas sim uma bela máquina, várias paradas (onde puder, pois praticamente não há acostamento) e muitas fotos, pois a inspiração vem em cada curva. Assim como as igrejinhas, que, não bastasse toda a visão grandiosa, ainda lembravam que o solo ali era grego.

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A estrada passava pelos vilarejos de Vati, Istrios e Profilia, pequenos pedaços de Grécia perdidos no tempo e no espaço. Neste último, o almoço: comida camponesa em um ambiente rústico, porém caprichoso. Atendimento simpático. Dois senhores locais fofocavam tendo uma vista inacreditável de toda a planície, a estrada e o mar ao fundo.

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Não sem uma certa preguiça, era preciso retomar o caminho. Mas que tristeza, que nada: a paisagem continuava ainda mais bonita que antes! Um sorriso bobo tomou o meu rosto o trajeto inteiro até Monolithos, já na costa ocidental. E aí o meu queixo caiu de vez…

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De uma estradinha margeando o penhasco se vê o mar e mais um outro mar verde, de pinheiros, com uma rocha se projetando em primeiro plano. O castelo veneziano de Monolithos, do séc. XV, está equilibrado sobre ela e foi uma das visões mais impactantes dessa viagem. É possível acessar o castelo e sua igrejinha por uma escadaria, mas ficou para uma outra vez.

Completando a volta à ilha ao retomar sentido norte, um pequeno desvio voltando ao interior leva à região vinícola ao redor do ponto mais alto de Rodes, o Monte Attavyros.

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As estradas são praticamente vazias, os vilarejos, como Agios Isidoros e Siana, ainda menores e mais bucólicos. E as encostas são uma mistura de oliveiras, pinheiros e vinhedos, compondo um degradé em verde que surpreende, quando se já tem certo que as paisagens mais bonitas ficaram para trás. 

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Depois de tanto mimo para os olhos, hora de continuar rumo à cidade antiga, no final da tarde, passando por praias desoladas e castelos ao longe…

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O meu ânimo despencou na manhã do meu último dia na Grécia: ter que acordar às 5 da manhã, com chuva, arrastar a mala pelas ruas de pedra até o carro não era a idéia que eu fazia de uma boa despedida. A minha perspectiva era maravilhosa, estar em Istambul ainda a tempo de almoçar um kebab. Mas, depois de três semanas na terra de Hércules e do Minotauro, era natural que eu me apegasse à tudo aquilo que tinha visto e experimentado, ainda mais tendo Rodes como última parada: um jogo sujo planejado por mim mesma, sem sequer imaginar.

A essa altura Atenas já estava distante, Milos talvez…parecia que estava há tanto tempo no país que já estava me sentindo à vontade com os seus jeitos, mesmo tendo visitado tantos destinos totalmente distintos entre si. Tinha visto lugares de natureza belíssima e história que me tinha tocado desde menina. Tinha conhecido, mesmo que superficialmente, pessoas hospitaleiras e gentis. Esquentei o corpo ao sol de Milos, usei todas as roupas e ainda senti frio em Meteora. Comi gyros pita na rua, peixes delicados em tavernas à beira mar e comida contemporânea em restaurantes com vista para a caldeira em Santorini. Perdi a a referência para dizer o mais bonito pôr-do-sol , tantos os que eu vi. Tinha me emocionado, tantas vezes. A sensação nessa hora, e mesmo agora, depois de quase um ano da viagem, é a de que falta tanta coisa ainda por ver…Sei que terei muitas surpresas se um dia der mais uma chance à Grécia. E é o que pretendo fazer.

Perdida na cidade antiga

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Se a ilha inteira é um acontecimento, a cidade antiga de Rodes é um mundo concentrado em muralhas de pedra, no extremo norte da ilha. Que, aliás, são um capítulo à parte…

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A minha entrada era o Portão de São João (ou Koskinou), o mais próximo do hotel, o Andreas. Pausa para admirar a estrutura da muralha e seu fosso, antes de entrar no labirinto…
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… deixando para trás a cidade moderna e comum: eu entrava numa outra realidade.
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Arrepios só com a lembrança dos primeiros momentos arrastando a mala pelas calçadas de pedra. O desconforto era minimizado pelo assombro de ver uma cidade medieval muitíssimo bem preservada, silenciosa…cada rua, cada beco estimulavam a ir além. O que foi devidamente feito mais tarde…e sem malas :mrgreen:
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Ver o cair da tarde sobre as casas e as muralhas traz uma sensação de melancolia, saudades de algo que não se viveu. E a noite não é menos impressionante…
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Na cidade antiga é possível caminhar por ruas desertas, encontrando moradores, ter a sensação de ser o único turista ali… e quanto mais ao sul se anda, dentro das muralhas, mais isso é evidente. Eu tive a sorte de me hospedar num hotel que, embora simples, tem um dos atendimentos mais gentis que experimentei na Grécia…além de estar justamente nessa área calma, com uma super atmosfera.

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(mapa de www.rodosnightlife.com)
Mas áreas agitadas e cheias de lojas também existem, assim como pracinhas tomadas por gente querendo curtir o resto do verão ao ar livre. Para quem prefere essa segunda opção, os pontos certos são a Praça Ippokratous…
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… e a rua Sokratous, a mais movimentada e comercial. Aqui o espírito medieval e aquele do século XXI se encontram 😉
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Ao subi-la, é inevitável sentir que todos os visitantes da cidade tenham se concentrado ali. Mas é preciso continuar, seguindo entre as joalherias e lojas de souvenires, pois no final da rua está um cantinho com todo um jeito islâmico, que inclui a mesquita Süleyman…

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 e a biblioteca muçulmana.

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Igrejas ortodoxas, sinagogas, mesquitas…essa mistura de povos, religiões e suas influências na arquitetura é um dos maiores prazeres ao se andar por aqui.

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E para provar o contraste, logo ao lado da mesquita está um dos maiores atrações da cidade antiga, o medieval Palácio do Grão-Mestre. Era aqui a sede da Ordem dos Cavaleiros de São João, enquanto estes estiveram no controle da ilha. Hoje a construção abriga um museu com esculturas e mosaicos da ilha de Kos, além de exposições temporárias. É daqui que sai o passeio semanal pelas muralhas: pena que só acontece uma vez por semana (deve ser espetacular).

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Logo em frente ao palácio começa (ou termina?) a Rua dos Cavaleiros (Ippoton). A minha primeira visão dela foi de impacto: à noite, deserta, com a iluminação misteriosa, típica do intra-muros. Lindo, de babar…pena que as minhas fotos não deram conta do que eu estava vendo. Melhor ficar com algumas tiradas durante o dia.

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Era nessa rua estreita, cheia de prédios dourados, que viviam os Cavaleiros de São João, divididos em ‘albergues’ de acordo com sua origem, ou línguas que falavam: França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Aragão, Auvergne e Provence. Cada um pode ser identificado pelos brasões nas fachadas… 

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Eles foram os controladores da ilha desde o começo do século XIV até 1522, quando a ilha foi sitiada e tomada pelo sultão Süleyman, iniciando o período de dominação otomana em Rodes. Hoje em dia, os prédios são ocupados por consulados, bancos, escritórios…tudo muito prático e moderno, mas que não interfere com a impressão que se tem ao entrar na rua e atravessá-la inteira, especialmente no final da tarde, quando a luz do sol ilumina as pedras das fachadas…

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A Rua dos Cavaleiros está no limite norte da cidade antiga e a partir dali pode-se sair dela e visitar o porto comercial, onde atracam os cruzeiros: um bom lugar também para se apreciar a beleza e grandiosidade das muralhas. Dali é só subir em direção à cidade nova, onde se percebe claramente a ocupação italiana nos prédios fascistas, como o da prefeitura, nos de inspiração veneziana ou art-déco, como o exótico aquário da cidade, na extrema ponta norte da ilha.

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A exploração pode terminar em um ponto conhecido, bem ao lado da cidade nova: o porto de Mandraki.

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A fama vem da sugestão de ter sido ali, na entrada do porto, a posição do Colosso de Rodes, uma das oito maravilhas do mundo antigo. Tudo é especulação, pois nem se tem certeza da existência da estátua, uma gigantesca reprodução do deus Helios, feita inteiramente de bronze.

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Se a essa altura o cansaço ainda não deu as caras, o melhor a fazer é voltar para o início do tabuleiro e continuar a se perder pelos cantinhos da cidade antiga…principalmente se a noite já tiver caído. Depois escolha um bom restaurante, como o Nireas, meu preferido: comida excelente, atendimento simpaticíssimo, numa pequena pracinha. Ou então o restaurante do hotel Marco Polo: comida grega moderna ao ar livre, em um pátio com laranjeiras e fontes, uma delícia.

Depois do jantar, faça mais um esforço e continue caminhando…depois da meia-noite já não há praticamente ninguém nas ruas e a recompensa é certa: não há como esquecer a sensação de ter viajado no tempo.

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Rodes – Ρόδος: Para voltar, um dia…

Último destino grego: Rodes. Uma das ilhas mais distantes de Atenas, mas muito próxima da costa turca, a apenas uma hora de catamarã de Marmaris (ou a um olhar da janela do quarto).
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A própria história da ilha é uma grande sucessão de alianças com Atenas e com os persas (e também com os macedônios sob Alexandre, o Grande.) Foram conquistados pelos egípcios, estiveram sob comando do império bizantino e controlados na Idade Média pelos Cavaleiros da Ordem de São João, estabelecidos na ilha na época das cruzadas. Coloque nesta mistura uma boa dose (quatro séculos!) de ocupação otomana, até que os italianos fincaram o pé no começo do século XX. 
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Rodes é grega. Mas é também italiana, turca…Ocidental e oriental. Uma mistura típica de lugares antigos, de passagem de povos, cujo resultado é absolutamente especial e intrigante.
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Não existe lugar melhor para se sentir a delícia e a estranheza da mistura do que na própria cidade antiga. A sua estrutura claramente medieval se mistura com os minaretes das mesquitas…sempre com a ocupação grega moderna frente aos olhos. E é só sair um pouco das muralhas para conferir os prédios modernistas e art déco construídos pelos italianos.
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A tentação de quem chega a Rodes é se deixar ficar na capital. E eu devo dizer que é difícil mesmo resistir a cada cantinho da cidade antiga, aos seus becos, igrejinhas, muralhas, praças…
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Mas é preciso sair das muralhas e andar pelo porto, conhecer a cidade nova…Ir além, pegar o carro e percorrer a ilha, que é um bocado grande: por mais que se leia sobre a diversidade de paisagens e atrações, a surpresa é inevitável. Que pode começar pelo choque que é chegar a Lindos, segundo lugar mais visitado na ilha e um encanto de qualquer ângulo…
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Sendo o lugar habitado mais antigo da ilha, fundamental é subir até a Acrópole de Lindos e suas ruínas. Mas também caminhar por suas pequenas vielas, espiando seus pátios através das grades, observando os pequenos detalhes das casas…
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Mas quando você acha que a ilha está dada como vista, surge a oportunidade de continuar rumo sul, admirando as bonitas praias quase desertas que surgem aqui e ali…
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…mas praias são outra atração bastante conhecida de Rodes. Mesmo fora de temporada, vários vôos charter aterrissam diariamente, entregando europeus do norte que se hospedam nos grandes hotéis da costa e rapidinho seguem para suas espreguiçadeiras.
Gostoso mesmo é escolher uma rota qualquer e curtir o deslumbrante interior.
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Não é um lugar de onde se esperar grandes atrações. Mas é perfeito para quem gosta de dirigir tranqüilamente: as paisagens são inacreditáveis. Passe por pequenos vilarejos perdidos no meio do nada, coma em boas tavernas, tenha sempre água à vista, seja perto ou no mar que se vê no horizonte…
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…admire o verde nos diversos tons, enquanto percorre a região vinícola…
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…e não hesite em parar quando der vontade. Castelos em ruínas surgirão no seu caminho. Sítios arqueológicos também. Quando menos se espera, vem uma surpresa.
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Rodes é grande, mas acolhedora. Talvez por ter recebido tanta gente na sua história…ou talvez pela hospitalidade e gentileza dos que vivem ali hoje. E é espetacular. E múltipla. E não preciso de mais motivos para querer voltar 😉

Um guarda-sol para chamar de meu

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No dia seguinte à visita a Delos, Apolo resolveu interceder e amanheceu um dia lindíssimo de sol. Hora de sair cedo, pegar o carro e seguir em direção às praias, finalmente!
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(mapa de www.lonelyplanet.com)
Pelo que pude perceber, a oferta de praias aqui é uma das melhores de todas as ilhas gregas e por isso tanta gente aparece aqui na alta, inflacionando os preços das espreguiçadeiras. São mais belas que as de Santorini, por exemplo…e bem mais agradáveis que as longas praias cheias de grandes hotéis de Rodes.
E além de tudo, elas são próximas umas das outras e com perfis diferentes, o que agrada os que gostam de variedade. Com apenas mais um dia inteiro na ilha, resolvi reduzir a duas as praias escolhidas para aproveitar o dia de sol. A primeira foi Platys Gialos, muito próxima da cidade de Mykonos.
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É uma enseada pequena, bastante urbanizada…a ocupação aqui é total: hotéis de ponta a ponta e guarda-sóis tomando toda a faixa de areia. Mas com a temporada alta já terminada, pude me dar ao luxo de escolher o que mais me agradava, na beirinha da água.
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É uma praia com freqüência bem diversificada, clima agradável…Ótimo lugar para conhecer pessoas, todo mundo relaxado, puxando papo numa boa… A água tem aquela cor maravilhosa a que já tinha me acostumado no Mediterrâneo e é perfeito para dar aquele mergulho (na verdade é tão boa que não dá vontade de sair). E tem serviço de bordo!
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Tomar sol e banho de mar depois de um dia nublado e de garoa como o anterior foi uma sensação boa demais. Tanto que só saí da minha espreguiçadeira, com muito custo, no meio da tarde para almoçar em Paradise, outra praia linda e deliciosa de se ficar. Adoraria ter mais um dia para poder chegar de manhã e esquecer da vida ali…
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Boa parte das famosas casas noturnas (e, bem, diurnas também…) da ilha fica aqui, na praia. Na temporada, a balada funciona sem parar, com poucos intervalos para os animados dormirem umas horinhas e voltar. Mas como agosto já ia longe, a movimentação era discreta, todo mundo só aproveitando o sol.
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Para quem está no espírito esportista, existe uma operadora de mergulho do lado esquerdo. Já para aqueles no espírito naturista, o lado direito de Paradise é perfeito para tirar a roupa.
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Já no final da tarde, e já no modo exploração, eu quis dar uma passadinha em Super Paradise, a praia-balada com maior freqüência GLS.
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Por causa do horário e da época do ano, a praia estava uma desolação só. Mas deve ser muito bacana relaxar ali e ver a agitação…
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Aproveitando o carro, continuei pelo interior da ilha, por paisagens bucólicas, que nada lembram as imagens de ilha cosmopolita que Mykonos passa…
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…visões de ovelhas e casas antigas, um contraste total com as praias vistas pouco tempo antes.
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Circulando pelas estradinhas estreitas e vazias, o objetivo era chegar a Ano Mera, um vilarejo tradicional, bem no centro da ilha…
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…conhecido por seu mosteiro, estabelecido originalmente ali no séc. VI.
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Amarrando a canga como uma saia comprida, entrei primeiramente no pátio…um lugar calmo e silencioso, cheio de flores ao redor…
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…e, dentro da linda igreja forrada de ícones, foi como se estivesse em um outro mundo. Só eu sentada e dois padres orando: um cantava e o outro percorria a sala com o incenso. Me permiti ficar ali por um bom tempo…e depois relaxar no pátio um pouco mais…
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Na volta para o hotel, uma breve passada pelo porto novo, para admirar a movimentação dos grandes cruzeiros…mas nem precisaria muito, porque poderia vê-los de camarote 😎
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Última noite em Mykonos…feliz de poder aproveitar bem o dia, de sair com a melhor das impressões da ilha. Feliz de poder ter mais um pôr-do-sol inesquecível para a coleção…
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(Próxima parada: Rodes! 😀 )

No centro do mundo: Delos – Δήλος

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Era uma vez…uma deusa que, grávida de Zeus, fugia da ira de Juno (esposa dele). Latona procurava um local protegido, onde pudesse dar à luz os gêmeos que esperava, já que Juno tinha uma colaboração fundamental: Gaia, a deusa terra, que impedia a fixação da futura mãe em qualquer solo.
Mas aí entra em cena Delos, uma ilha flutuante, sem vínculos com Gaia, mas com Posêidon, deus dos mares. É ela quem vai abrigar Latona e ser o local de nascimento de Apolo, deus da luz e das artes, e sua irmã gêmea Ártemis, deusa da caça.
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Depois do nascimento dos dois deuses e de Zeus torná-la uma ilha fixa, Delos foi presenteada com um templo, tornando-se sagrada. E também centro das Ilhas Cíclades, que formam justamente um círculo em torno de Delos.
Qualquer lugar que tenha como história um mito desses, deve ter algo de realmente especial…Então aproveitei o primeiro dia em Mykonos para…sair dela e seguir para a vizinha. O sítio arqueológico fecha às segundas (o outro dia inteiro que teríamos) e o tempo nublado convidava a trocar a praia pela exploração histórica (não acho que sol combine com grandes espaços descampados…)
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Como estava em cima da hora, o hotel reservou o lugar no barco, mas pode-se ir diretamente ao porto antigo da cidade e adquirir os tíquetes de ida e volta, além da entrada no sítio. A decisão foi também pegar um tour com guia, para aproveitar melhor a experiência. Os barcos tem várias saídas de manhã, assim como várias alternativas de volta, sendo a última às 15h.
A viagem é curta, cerca de meia hora e no píer já se tem uma visão ampla da ilha e do sítio arqueológico…
(Caso queira se localizar, tem um mapa bastante completo e legível de Delos aqui.)
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A guia, uma grega espalhafatosa e divertida, começou o tour pelo bairro do Teatro, à direita de quem desembarca na ilha. Além de ser originalmente um local sagrado, sede do Santuário de Apolo desde o século VIII a.C. e tendo depois sido submetida a Atenas, Delos experimentou seu apogeu econômico e comercial na época helenística. Nesta época grandes comerciantes se estabeleceram na ilha e construíram suas mansões, exatamente neste bairro. Passear por aqui é encontrar os vestígios das que já foram restauradas, como a Casa do Tridente, identificada pelos mosaicos relacionados ao mar, como o do próprio tridente de Posêidon e do golfinho ao redor da âncora.
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Estas grandes casas do Bairro do Teatro têm como padrão a disposição dos cômodos ao redor de um pátio ao ar livre com colunatas, normalmente decorados com mosaicos complexos, cheios de cores. Esse é o caso também da Casa de Dionísio, uma das mais grandiosas, onde o pátio central abriga o mosaico do deus em questão montando uma pantera. O que se encontra no local hoje é uma cópia, o original está dentro do museu do sítio arqueológico, de onde tirei a foto que abre este post.
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Outras casas interessantes para se dar uma olhada são: a Casa de Cleópatra (não, não é a que vc está pensando…), onde ainda pode-se ver as estátuas dos donos da casa (decapitadas, mas o que esperar? Estátuas são uma raridade aqui…); e a Casa dos Golfinhos, com um lindo mosaico retratando os próprios. Em todo lugar se vê resquícios destes mosaicos coloridos…
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Ao final desta rua, se chega ao Teatro propriamente dito: infelizmente a construção está bem deteriorada… 
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…mas o cisterna ao seu lado está em muito melhor forma. Ela abastecia a cidade inteira e era essencial, já que a ilha é inóspita.
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Voltando no sentido do píer e seguindo em frente, entra-se na área que era originalmente o grande Santuário de Apolo e onde estão também todas as estruturas que davam apoio aos peregrinos. Infelizmente pouco ainda foi recuperado desta área: as escavações, iniciadas no final do séc. XIX, deram prioridade ao Bairro do Teatro.
Mas é aqui que estão as réplicas do mais famoso símbolo de Delos, o Terraço dos Leões. 
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Originalmente existiam nove leões, formando uma avenida chamada Caminho Sagrado, que margeava o santuário. Hoje os poucos originais que resistiram foram levados até o museu do sítio, que guarda também os mosaicos originais mais preciosos e outros objetos.
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É bacana sentar no terraço do museu, só observando o perfil do sítio arqueológico, com uma pequena área verde à direita, onde ficava o Lago Sagrado (onde Apolo e Ártemis teriam nascido), os poucos vestígios da área do santuário, as construções mais recuperadas à esquerda…
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Depois de uma pausa e já sem guia, com a volta marcada para o último barco, dando tempo de subir o Monte Kythnos, o ponto mais alto da ilha.
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É um caminho árido, mas a todo lugar se pode ver restos históricos, jogados por aqui e ali…e alguns poucos moradores da ilha: lagartos e caramujos.
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Passa-se ainda por algumas das mais bonitas construções da ilha, a Casa de Hermes…
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…e o Templo de Ísis, no Santuário dos deuses estrangeiros, já na encosta do monte.
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A subida vale a pena: não é muito íngreme e dali se tem uma visão completa de Delos quase que inteira, além das ilhas próximas, incluindo Mykonos.
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A essa altura do dia, já não tinha mais ninguém no topo, só eu e alguns pássaros divertidos, ‘surfando’ correntes de ar 😀
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Lá em cima, depois de um tempo relaxando, é que percebi como Delos havia me tocado. Não saberia explicar, mas me senti tão bem na ilha…tanto que senti ter que descer, ao ver o barco se aproximando no horizonte e o relógio chegando quase nas 3 horas. Hora de voltar a Mykonos…
* Esse é um post com bibliografia 😀 Para outras novelas gregas, dêem uma olhada em ‘O Livro de Ouro da Mitologia’, de Thomas Bulfinch. Ótima companhia para uma viagem à Grécia.

Mykonos – Μύκονος: …sem balada

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Vou ser muito sincera com vocês: a escolha de Mykonos foi uma dúvida até o último momento. E vários são os motivos para isso: o primeiro deles é que tinha a impressão de que era uma ilha temática – balada. E não era bem isso que estava procurando.
O outro motivo então era…justamente a falta de motivo. A escolha de Santorini foi pela beleza impactante e única, Rhodes pela história, Milos pela calma e paisagem… Se não queria agitação, por que Mykonos então? Vilas cicládicas típicas e praias bonitas podiam ser encontradas em qualquer outro lugar. Mas havia também a questão Delos, o que fazia a diferença. E, já que a curiosidade estava instalada…ok, fechado 😀
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Felizmente, o hotel foi uma das escolhas mais fáceis da viagem e outro grande acerto. O Vencia fica um pouco acima da cidade de Mykonos, em cinco minutos de caminhada. Está todo reformado e novinho, é moderno e confortável, ótima comida e café da manhã, serviço atencioso e internet gratuita (atualmente está em 1º no Trip Advisor na cidade). Além disso tem uma piscina de borda infinita linda, com uma super vista da cidade e do mar. E o quarto tinha uma das melhores vistas, oba!
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O primeiro dia foi reservado para Delos, pois o tempo não estava bom para pegar praia e, dos dias em que ficaria na ilha, era o único em que o sítio arqueológico estaria aberto. Sem problemas…como não dá para ficar até muito tarde lá, aproveitei o resto do dia nublado para conhecer a famosa cidade de Mykonos.
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(mapa de mappery.com)
Junto com Santorini, Mykonos faz parte do pacote básico de qualquer um que sonhe em ir para as ilhas gregas pela primeira vez. Você pode dar uma olhada em qualquer anúncio de pacote para a Grécia e as duas vão estar lá, de mãos dadas. Mas com uma grande diferença: os casais vão se identificar mais com a primeira, enquanto a última atrai quem quer dançar o dia inteiro (e algo mais…). Mas Mykonos também tem praias famosas e uma das cidades cicládicas mais típicas, onde também fica o porto da ilha.   

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chora (capital) da ilha  é um dos maiores labirintos onde já estive, talvez perca para Veneza. Para ‘control freaks’ e fanáticos por mapas, como eu, é uma loucura: é melhor simplesmente esquecê-los e andar sem direção. E logo a ansiedade por se encontrar desaparece – o padrão casas-brancas-e-becos é sempre delicioso de se observar.
Como uma das ilhas mais cosmopolitas, Mykonos também é uma maravilha para quem gosta de comprinhas, lojas e mais lojas de vários tipos: marcas internacionais, souvenirs, ateliês, estilistas locais…Tem também vários pontos turísticos manjadíssimos (mas muito simpáticos), conhecidos de todos que folheiam as revistas de turismo: para começar a ‘Pequena Veneza’ (Little Venice)…
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É um daqueles lugares de que se tem idéia totalmente diferentes de se conhecer ‘ao vivo’. Bem, pelo menos nessa minha cabeça…São várias casas construídas quase que dentro d’água e a maioria delas funciona como bar/balada. Há uma continuação desse trecho com restaurantes com mesas à beira d’água. É bem bacana caminhar por ali à noite, beber alguma coisa num dos bares, com a visão dos moinhos, do outro lado – outro clássico miconiano.
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Voltando desta parte da cidade, Alefkandra, para o porto, passa-se por um dos cartões postais de Mykonos, a igreja de Panagia Paraportiani. Na verdade ela é uma mistura de várias delas, construídas em torno do do século XV. Ela fica linda em fotografias, toda branca e linda contra um céu azul. Claramente não foi o efeito que eu consegui 🙄
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E finalmente, não um ponto turístico, mas um mascote: Petros, o pelicano. Na verdade seus substitutos, que andam para lá e para cá ao redor do porto…já que o verdadeiro está empalhado em um dos museus da cidade 🙄 Mas a verdade é que observá-los é uma diversão e dão um charme extra à capital, que já tem um bocado de personalidade.
(Para a @Marcie14, um oferecimento d’A Turista Acidental :mrgreen:
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A verdade é que a pequena capital da ilha é um lugar encantador…Sob as luzes do pôr-do-sol é muito romântica, assim como ao anoitecer.
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Uma delícia sair para fazer umas comprinhas nos trechos badalados e e jantar em restaurantes escondidos e charmosos…
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…depois percorrer as áreas mais tranqüilas, desertas, passando ao lado do mar e ouvindo a água batendo contra os muros e casas…a visão dos moinhos iluminados…

Um caso de amor antigo

Você conhece alguém que não gosta de Paraty? Eu não.
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Já perdi a conta de quantas vezes já estive lá e ainda não consigo enjoar. E duvido que isso aconteça um dia. Paraty é um daqueles lugares pelo qual você se apaixona à primeira vista: paixão avassaladora, da qual você não consegue tirar os olhos. Vocês conhecem a sensação…é assim que me sinto toda vez que estou lá. Uma excitação de estar ali de novo, e ao mesmo…um conforto como estar em casa.
Por isso não hesitei em seguir para lá na última Páscoa, com alguns amigos também fãs, com os quais já estive lá outras vezes. Dessa vez a idéia era fazer algumas coisas diferentes das últimas viagens, mas os meninos queriam mostrar para o resto da turma alguns lugares que eles gostam muito. Se para eles estava ok, para mim estava perfeito, então…descemos todos a serra, deixamos nossas malas no hotel e seguimos para a pousada Le Gite d’Indaiatiba.
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Eu gosto sempre de ficar no centro histórico, mas se hospedar no Le Gite é uma experiência bem diferente: é optar por ficar no ‘sertão’, na Serra da Bocaina, com uma vista da baía de Paraty ao longe. O hotel é rodeado por uma linda área verde e é perfeito para quem quer sossego absoluto.
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E o melhor é que dá para aproveitar a pousada mesmo sem se hospedar, pois seu restaurante, bastante premiado, é aberto ao público: muito peixe e frutos do mar num ambiente rústico e charmoso.
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Os donos da pousada são uma mineira e um francês, que decidiram fazer da serra a sua casa e receber muito bem seus hóspedes. Além de mimar com boa comida e papo, ainda podemos abusar da hospitalidade e nadar na bonita raia de água natural ou curtir a cachoeira que fica dentro da propriedade.
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Pois é…o tempo não estava maravilhoso, como vocês podem perceber pelas fotos. Mas…como resistir a uma cachoeira, especialmente quando estava precisando urgentemente de uma para relaxar? (Para casos de stress, cansaço e derivados, dra. Emília prescreve: cachoeira já! 😉 )
Estava gelada, mas…ótima! Quase todos não resistiram ao apelo e pularam na água. Difícil entrar, sair…mais difícil ainda.
(Com mais tempo na cidade, vale a pena sair um pouco da beira-mar para conhecer as cachoeiras nos arredores: são várias no caminho para Cunha. Os nomes fogem à memória –  eu e meus amigos fizemos o circuito há uns 7 anos atrás… – mas me lembro bem da cachoeira do Tobogã. Muito cuidado com ela. Sério.)
Outro passeio clássico é ir até Trindade, antiga vila hippie que hoje é apenas…muvucada. O esquema ‘alternativo’ pode até não ser a sua praia, mas Cachadaço sim. Vale sair da cidade, dirigir um trecho da Rio-Santos, outra estradinha até a vila e ainda fazer uma trilha, para chegar até essa prainha que se parece mais com uma grande piscina, cheia de grandes pedras e peixinhos. Estar num dia de sol em Cachadaço é um grande prazer. Mas ficará ainda melhor se puder vir fora de feriados e ter um pouco mais de privacidade.
Dessa vez nada de Cachadaço, mas o destino era próximo: a praia do Sono.
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Para chegar até ela, é preciso virar à esquerda um pouco antes da estradinha para Trindade, já tendo saído da Rio-Santos, seguir até o condomínio de Laranjeiras, deixar o carro e seguir por uma trilha por cerca de uma hora. A caminhada é bem tranqüila e já dá para receber a recompensa um pouco antes de chegar: a visão da praia do alto.
A praia é lindíssima, cheia de chapéus-de-sol em toda a extensão. É toda aninhada no colo da montanha e rodeada de muito verde. Apesar da grande ocupação de campings, a praia é limpa e tem siris de montão 😉
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Uma pena só que o tempo estivesse tão nublado…e com ressaca! Não pudemos curtir a praia como se deve, pois o mar estava muito perigoso…Caminhando pela praia, uma onda me pegou de surpresa e levou minhas havaianas… a sorte é que eu estava bem longe da arrebentação. Tudo bem…Iemanjá reclamou a oferenda 😳
(Abaixo o resto do grupo andando despreocupadamente, ainda sem perceber a fúria marítima…)
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Depois de descansar e comer, observamos o mar bravo e veio a constatação de que não daria para simplesmente estender a canga e relaxar. Resolvemos a vontade de entrar na água procurando uma queda d’água indicada pelo pessoal da vila. Bem, era mais um poço, mas bem agradável e suficiente para tirarmos a maresia do corpo, trazida pela ressaca.
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A essa altura o sol já tinha saído timidamente, mas nada de banho de mar, as ondas continuavam fortes…
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Dava vontade de ficar até o pôr-do-sol, sentados nas mesinhas sob as árvores, mas ainda tínhamos uma trilha pela frente…
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A trilha para Antigos e Antiguinhos, duas praias lindas que queríamos ter visitado, ficou para uma próxima. Para chegar a elas é só cruzar a praia do Sono, subir e descer um morro. Ficamos só na vontade com a descrição dos meninos.
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Contra todas as expectativas, foi realmente um lindo final de tarde…
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…que não confirmou uma melhora do tempo no dia seguinte. Pelo menos a ressaca tinha acalmado e resolvemos fazer um passeio de barco. Mas nada de escuna, acabamos fechando um barquinho pequeno no cais para nós 6. Como já era domingo e mar ainda tinha um resto de ressaca, haviam vários há disposição, todos ligados à Associação de Barqueiros de Paraty, preço tabelado, mas nesse dia totalmente negociável.
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Queríamos ir até a vila de Paraty-Mirim, chegando até o Saco do Mamanguá e mais, se possível. Mas o mar não estava totalmente sossegado para sairmos da baía e ficamos por perto mesmo. Fomos até a linda praia Vermelha, onde pudemos nadar e curtir um pouco, sem sinal de ressaca…
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…a pequena e adorável praia da Lula, com direito à parada estratégica para água de côco…
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…Saco da Velha e parada final da ilha do Algodão, para almoçar no Restaurante do Hiltinho: boa comida, ótimo ambiente e vista.
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Na volta, a sempre aguardada visão do centro histórico: primeiro a visão da pequena igreja de Nossa Senhora das Dores, depois a Matriz e no final, a conhecidíssima Santa Rita.
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Já era domingo e último dia…final de tarde é sempre uma hora mágica para andar pelo centro histórico: a luz do final do dia dá um ar melancólico e muito belo aos casarões. Bom é caminhar sem pressa, evitando a movimentação da rua do Comércio e da praça da Matriz, seguindo pelas ruas desertas mais próximas ao mar, onde as luzes começam a ser acesas…

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Outras viagens…

Paraty tem atrações para uma tonelada de visitas…Além das muitas possibilidades de passeios de barco (e que valem a pena pela linda paisagem de mata com mar verde), Trindade com suas praias e as cachoeiras (sobre as quais já comentei), vale comentar sobre o trekking de três dias percorrendo as praias da Ponta da Joatinga, acampando. Deve ser lindo, mas somente para os mais animados.
Outro atrativo da cidade é a sua concentração gastronômica. Além dos dois restaurantes citados aqui, podemos indicar o Merlin, o Mago e o Porto. Mas o melhor de todos, de longe, é o Banana da Terra, da chef Ana Bueno. Imperdível.

Quem diria…

…que um dia eu iria participar de uma comunidade virtual.
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…que eu, ‘analógica’ convicta, criaria um blog.
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…que o fato de participar dessa comunidade e ser dona do blog me levaria a conhecer pessoas incríveis.
               (são tantos que as fotos não caberiam aqui!)
…que esse blog ajudasse as pessoas nas suas viagens.
               (como a Miss-Simpatia Paula* – ou @paula_rj – que veio me agradecer, junto com o maridão Fred, as dicas de Buenos Aires 😀 )
…que esse blog fosse reconhecido por esses viajantes experientes e blogueiros de mão-cheia e, além disso, saísse na mídia tradicional.
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(Esta já faz tempo, numa matéria de eco-turismo feita pelo Riq. Pena que não achei o link.)
 …que esse blog chegasse um dia a completar 100.000 acessos 😀
Pois é…muitas coisas bacanas têm acontecido por causa do Viaje na Viagem, entre eles o meu bloguinho, que depois trouxe muitas outros acontecimentos felizes. Nesta última semana, tive o prazer de ver A Turista Acidental na Viagem & Turismo e de ter um feriado mais que especial no Rio, junto a uma boa parte dessa comunidade tão querida.
(Para ver relatos da conVnVenção, visitar a Majô – a grande diretora social – e o super-Riq, o grande responsável por tudo isso.)
Essa viagem tem sido uma delícia e isso graças a todos vocês que têm me visitado – elogiando, sugerindo, pedindo dicas ou simplesmente dando um oi. A todos os leitores fiéis e freqüentes e àqueles esporádicos, aos comentaristas e aos ‘leitores ocultos’…muito obrigada! 😀

Aqui, ali e em toda a ilha

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Santorini é uma ilha grande e, se quiser conhecer um pouco dela além do cantinho onde está hospedado, vai ter que escolher alguma maneira de se deslocar: a minha opção foi bem tradicional – aluguel de carro. Não recomendo usar os seus pobres pés: fazer uma trilha bacana é sempre um prazer, caminhar por uma estrada sem acostamento é tortura. Li também que o transporte público é escasso. Uma outra possibilidade, o quadriciclo, saiu da cabeça assim que os vi competindo a 10km/h, nas ribanceiras, com carros e seus motoristas impacientes.
Decisão feita, o simpático Micra seguiu ilha afora. Primeira parada em Fira para almoçar: o Sphinx é ótimo e a vista é aquela já sabida, ou seja: impecável. Umas olhadinhas desejosas nas joalherias de Fira e segui o caminho para finalmente conhecer as praias da ilha. Não que eu estivesse ansiosa por isso: sabia que não eram grandes maravilhas, mas queria pelo menos ter um gostinho. Depois de chegar em Perissa…uma saída rápida.
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Não que fosse feia, sabe? Mas o visual pedra-cinza-com-visual-sujo, hmm…não foi convidativo. Não era uma praia paradisíaca ou particularmente animada. Poderia ter ido para Kamari ou Perivolos, mas achei que estava de bom tamanho.
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Mas com uma certa praia eu estava curiosa: Praia Vermelha. E o nome não é à toa…Linda praia, salva a reputação da ilha. 
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Ela fica bem ao sul, próxima ao sítio arqueológico de Akrotiri. Deve ser uma visita interessantíssima, mas a precariedade das instalações gerou alguns acidentes, entre eles um acidente fatal com um turista britânico em 2005. Desde então, as escavações se mantêm fechadas ao público.
Da mesma maneira que uma visita a Europa sempre causa algumas decepções aos fotógrafos, devido à quantidade de andaimes e tapumes das obras em restauração, a Grécia em particular reserva como surpresas os sítios arqueológicos que são fechados temporariamente. Aqui o Akrotiri, em Milos as Catacumbas…
A tarde terminava e desci até o porto principal, Athinios, que recebe os ferries.
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Eu acabei herdando um gosto estranho do meu pai, que quando viajava sempre dava um jeito de passar um tempo observando estações ferroviárias e portos, a movimentação de gente para lá e para cá. Até hoje gosto de descobrir para quais destinos são as próximas saídas, imaginando o caminho, o objetivo dos passageiros: turismo, negócios, ver família…
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Mas não fiquei para o pôr-do-sol, devidamente aproveitado já em Oia. No dia seguinte, o último em Santorini, acabei não indo muito longe também: após aproveitar a última manhã na piscina, só para variar um pouco :mrgreen: , desci até o porto de Ammoudi, na base de Oia (e que vocês já viram no post anterior, numa das últimas fotos).
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É um vilarejinho de pescadores que tem algumas tavernas na beira da água: são as psarotavernas (psaro=peixe), onde você vai até a cozinha, escolhe o(s) peixe(s) que serão convidados para a sua mesa, fala como serão preparados (grelhados, fritos etc.). A sua comida é pesada in natura e o resto do trabalho é escolher acompanhamentos e pedir uma cervejinha. 
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O lugar é simples, assim como a cozinha, mas o ambiente é absolutamente relaxante. Nessa mesa da frente estava um casal, os dois ainda vestidos de noivos, comemorando com amigos e família. Deveria ter cumprimentado os felizes pombinhos, mas a minha cara-de-pau ainda não tinha vindo à tona 🙄
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Talvez ela aparecesse com vinho: depois de subir até Oia e descer novamente, dessa vez em direção à planície, surgiu a Domaine Sigalas. Santorini é uma grande produtora de vinhos brancos, em especial a da variedade assyrtiko, que é endêmica da ilha: ele foi a base da maioria dos vinhos provados ali e fiquei fã.
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Degustei dois excelentes brancos e um tinto, e também vinsanto, um vinho de sobremesa também típico dali. Um pouco doce e intenso demais para o meu paladar, mas ótimo na preparação de molhos para carnes (humm…). E se estiver ainda no pique, existem muitas outras vinícolas preparadas para oferecer degustações (só não recomendo a grande Boutaris, onde o atendimento foi inexistente.)
Além de todas estas particularidades na produção vinífera, Santorini tem sua paisagem tomada na maior parte por estes ‘ninhos de cegonha’:  esse formato inusitado de vinha foi a solução encontrada para enfrentar os ventos constantes e a maresia.
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A essa altura estava quase virando abóbora: o tempo na ilha da fantasia já tinha se esgotado. Era hora de pegar as malas no hotel, dar uma olhada para trás com um suspiro e seguir para o aeroporto, próxima parada: Mykonos.
Antes da viagem, Santorini era, na minha cabeça, um grande clichê: casais em lua-de-mel em um lugar bonito, badalado e incensado pela mídia do turismo.
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(Sim, é o mesmo casal que estava na taverna em Ammoudi 😆 )
Depois destes três dias absolutos e necessários, a conclusão foi que, se os clichês surgem, é por um bom motivo. E Santorini não é só hype: é tudo verdade mesmo. E muito melhor 😉

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