Hors-concours

É claro que, quando se fala em serra da Mantiqueira, não dá para ignorar Campos do Jordão, a estância de inverno preferida pelos paulistas. Tudo ajuda a fazer a fama: a proximidade da capital por boas estradas, o clima agradável, a paisagem da serra, o Festival de Inverno, a balada, a arquitetura alpina…Bem, essas duas últimas não são exatamente uma unanimidade e por isso muita gente torce o nariz para a cidade.

(foto de www.trekearth.com)
É, Campos já foi mais charmosa, mesmo com as construções temáticas. A cidade cresceu muito e virou um gigante espaço para propaganda na temporada: stands de montadoras, veículos de comunicação, muitos shoppings, ‘celebridades’. Fora o aumento da insegurança, que sobe a serra junto com os endinheirados (e outros nem tanto).
Mas a intenção deste blog não é desanimar os possíveis visitantes, ao contrário: conforme já tinha demonstrado uns dois posts atrás, a melhor época para ir a Campos não é o inverno, mas qualquer outro período do ano. Tudo vai estar mais sossegado e bonito, o serviço nos lugares mais legais vai ser atencioso (ao invés da da tática de te ignorar, como acontece em julho), enfim…tudo mais civilizado.
Na cidade a superlotação ainda não é um problema  (apesar de ser quase impossível de conseguir uma mesa no Baden-Baden para um chopinho), mas em lugares de contemplação como o Horto Florestal, por exemplo, a visita é muito melhor no silêncio, ou quase. O Horto é sempre meu destino quando estou lá: as trilhas são fáceis e passam por áreas de mata com rios e quedas ou por áreas mais altas com araucárias. Eu gosto especialmente das áreas de entrada, com a roda d’água e os tanques.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
Na volta do Horto a fome sempre aperta e uma excelente escolha é o Harry Pisek, um restaurante alemão com uma fábrica própria de salsichas artesanais. A comida é deliciosa e a pedida é almoçar no jardim aos fundos.

Outras paradas famosas no caminho do Horto são o churrasco do Beto Perroy e As Alegrias do Gato Gordo, que tem carnes, batatas e palmito pupunha assados em forno a lenha. Deve-se tomar cuidado pois eles lotam nos finais de semana. Ali do lado tem um circuitinho divertido de arvorismo e um ponto de aluguel de quadriciclos, para percorrer as estradas de terra dos arredores.
Um dos meus pontos favoritos é o Museu Felicia Leirner, junto ao Auditório Claudio Santoro, onde todo mês julho acontece o Festival de Inverno de Campos do Jordão, com uma programação de música erudita.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
O melhor horário para visitar o museu de esculturas ao ar livre é no final da tarde, quando a luz do sol bate sobre as esculturas brancas e árvores ao redor: é magnífico. Mas o museu não se resume à encosta do jardim, é só subir mais um pouquinho e você encontra as trilhas com as esculturas metálicas da artista e uma vista inacreditável da famosa Pedra do Baú. Infelizmente nunca consegui chegar até a base da pedra e escalar até o seu topo por escadinhas tenebrosas: as duas vezes em que tentei a estrada estava muito ruim, é melhor tentar em épocas de seca.

Na mesma estrada que vai para o Alto da Boa Vista está o Palácio do Governo, onde hoje funciona um museu com obras de artistas brasileiros consagrados, como Portinari e Tarsila do Amaral. Bem no começo desta avenida, próximo à cidade, está também o Mosteiro das Beneditinas, construído no meio de um bosque. Na capela são realizados recitais de canto gregoriano e geléias são vendidas na lojinha. É um lugar pouco visitado, mas de uma paz absoluta.
Passeios clássicos de Campos são o bondinho que cruza a cidade no meio dos plátanos (que ficam lindos no outono, dourados) e o passeio de trem até Santo Antônio do Pinhal, passando pelo ponto ferroviário mais alto do Brasil. As estações estão bem preservadas, mostrando bem como eram na época em que foram construídas, no começo do século passado.

(foto de www2.uol.com.br/jornaldecampos)
Estas são só algumas coisas que se pode fazer na cidade, as minhas preferidas, mas ainda tem outras opções para todos os gostos. Algo que eu descobri nesta última vez que estive lá é que foi inaugurado um parque chamado Amantikir, na estrada que vai para o Hotel Toriba. Não cheguei a ir até lá, mas pelo prospecto que vi e pelas informações na internet, me pareceu um lugar divino: uma coleção de jardins de diversos estilos, incluindo um labirinto de grama, um jardim inglês, um de pedras, outro de capins…Ainda estão planejadas outras fases para expansão, mas o que existe hoje pode ser visto neste site. Na próxima vez quero conferir para ver se parece tão bonito ao vivo.
Perto do jardim está uma opção deliciosa para quem estiver nesta região de Campos e quiser tomar um chá da tarde: o Lenz Gourmet. Eles estão numa bonita área verde e servem chá com strudel numa casa aconchegante e outros quitutes suculentos. Perto também está o Haras Tarundu, um centro de atividades esportivas ótima para crianças (dica do meu irmão, que tem um pimpolho).
À noite fica difícil escolher um restaurante entre tantos, mas se o que quer é um fondue básico e gostoso num ambiente aconchegante, o Davos é uma boa opção, bem perto do centrinho. Mas o restaurante mais romântico, na minha opinião, é o Ludwig. Longe da badalação, luz de velas, lareira, flores e uma ótima comida: não é isso o que os casais querem?
Na última vez ficamos na pousada Vila das Cores, num canto tranqüilo de Capivari: básica, mas com uma vista bonita, nova e bem decorada. Uma boa alternativa de hospedagem é Santo Antônio do Pinhal, a poucos quilômetros antes de chegar em Campos. Quando estivemos lá ficamos na Pousada do Cedro, um charme: são uns lofts ultra confortáveis, com lareira e varanda com vista, mais mimos como amenities de boa marca, roupões fofos…difícil é sair dali para ir para Campos ou qualquer outro lugar   :mrgreen:   Quando fomos estavam terminando de instalar ofurôs em alguns dos lofts, deve estar uma belezinha.


Santo Antônio do Pinhal ainda é um pouco tímida em relação à irmã maior, mas a cidade já tem várias pousadas lindas e alguns restaurantes bacanas. Para os que gostam de vôo livre, o Pico Agudo é um ponto famoso na região e pode-se visitar algumas cachoeiras nos arredores.

Uma coisa é fato: dificilmente alguém vai se sentir entediado vindo para cá 😉

Serra à moda mineira


Falando em lugares simpáticos na serra e (ainda) pouco procurados, não dá para esquecer Gonçalves, em Minas. Mesmo perto de Campos do Jordão, é um lugar para passar longe da muvuca e das construções alpinas: ali o estilo arquitetônico preferido é aquele rústico do interior de Minas, acolhedor e simples.
Chegar até ali não é muito complicado: deve-se seguir em direção a Campos do Jordão e virar à esquerda na saída para Santo Antônio do Pinhal. Essa estradinha atravessa a divisa algumas vezes até passar por São Bento do Sapucaí e logo após aparece a saída para Gonçalves.

A área urbana em si é bem pequena e não tem muitos atrativos a não ser o sossego de cidade do interior e a hospitalidade da Tanea em sua casa antiga na entrada da cidade, sede d’A Senhora das Especiarias. Vale a pena uma parada na volta para bater papo com ela e experimentar os chutneys e as geléias diferentonas e deliciosas que ela faz: que tal uma de cachaça? Ou de café? Talvez de hibisco? Na dúvida levamos várias 😉
Saindo da cidade, pega-se a estrada de terra em direção ao bairro de São Sebastião das Três Orelhas (!!!), por onde estão espalhadas as pousadas, restaurantes, cachoeiras…é onde também fica a pousada que escolhemos para esse final de semana estendido em maio de 2006, a Passaredo. É uma pousada simples e aconchegante, com vários chalés em um jardim bem cuidado.

Os donos são de São Paulo e se mudaram para Gonçalves: caíram de amores pelo lugar e resolveram levar o sonho adiante. Eles estão sempre presentes e especialmente à noite, quando são servidas sopas para espantar o frio: eles gostam de bater papo e dar dicas para os hóspedes. Do lado de fora do restaurante a atração durante o dia fica por conta dos beija-flores, muitos e muitos…

Dá para relaxar na piscina ou na sauna ou simplesmente ocupar uma das redes na beira do rio, que passa bem em frente aos chalés…

Depois de relaxar um pouco, é hora de reconhecer o terreno. A área do município é cheia de atrações interessantes, mas nós nos concentramos na estrada da pousada que passa pela Pedra do Forno, um pouco à frente, e continua no sentido de Monte Verde. Por falar em formações rochosas, elas não faltam por aqui: você pode subir as trilhas para a Pedra Chanfrada, a Pedra Bonita, a do Cruzeiro…além da própria Pedra do Forno, de onde se tem uma visão inacreditável da serra: dizem que dá para ver as vizinhas Campos do Jordão e Monte Verde dali.

A trilha até o topo é fácil e pode ser percorrida em cerca de uma hora. Se você for de manhã, pode aproveitar para repor as energias almoçando no restaurante do Zé Ovídeo, na base da pedra. Comida caseira deliciosa e farta, servida no fogão à lenha e feita com ingredientes fresquinhos do próprio sítio. Não dá vontade de parar de comer, especialmente se acompanhada de uma cerveja geladinha. O atendimento tem aquela hospitalidade mineira e o próprio dono é uma simpatia. Hmmm…deu fome :mrgreen:
Outra possibilidade é partir para a água. Entre a Pedra do Forno e a cidade existem belas cachoeiras, como a do Retiro, que é na verdade composta por várias quedas impressionantes: a visitação se dá num dos pontos mais altos dela, de onde se tem uma visão do vale lá embaixo. Se existisse uma trilha para a base da cachoeira, com certeza ela teria sucesso. O desnível total é de cerca de 400 metros, uma bela visão.

Outra possibilidade é visitar a cachoeira do Simão, próxima da primeira e de acesso muito fácil. Ela não é muito alta, mas dá para acompanhá-la caminhando sobre as pedras, já que o rio escavou uma espécie de cânion na rocha.


As caminhadas são curtas até as duas cachoeiras, mas pode ter dado uma vontade de nadar e a fome apareceu…convenientemente ao lado da cachoeira do Simão está um dos melhores restaurantes de Gonçalves, o Le Bistrot: comida muito boa e um visual imbatível.
No nosso último dia resolvemos alugar uma moto para fuçar pela região. Que delícia andar pelas estradas de terra vendo os detalhes, parando onde dá vontade e sentindo o vento e o cheiro de mato. Aproveitamos a facilidade e resolvemos ir mais longe, até um lugar recomendado para o nosso almoço, um restaurante junto a um criadouro de trutas. Pena que não me lembro do nome, mas anda-se um bocado Descobri o nome através de um pessoal que tem casa lá: Truta Queda D’Água, mais conhecido também como Trutário do Bob, no caminho para Monte Verde, passando pela Pedra do Forno, perto do bairro Juncal (tem umas fotos bonitas aqui). O lugar faz sucesso entre o pessoal do motocross, o que faz sentido, considerando as distâncias percorridas em estrada de terra.
Em primeiro lugar você vai até os tanques para escolher a sua truta, que é abatida na hora e segue para a cozinha. No restaurante você se serve de saladas e acompanhamentos, curtindo o barulho do riozinho que passa ao lado enquanto espera pelo peixe, preparado da maneira que você quiser. Comida super fresquinha e gostosa, num lugar de puro sossego.


Já estamos sentindo falta de Gonçalves e queremos voltar logo. Aquele charme do interior mineiro misturado com o clima e visual de serra é de querer ir ficando, ficando…até deu vontade de comprar aquela ‘casa no campo’ de que fala Elis, como acontece com muitos por aqui. Quem sabe um dia?

Dolce far niente em SFX


Depois de Passa Quatro, escolhemos sanar uma lacuna nossa em relação às cidadezinhas de serra em São Paulo: São Francisco Xavier, a mais próxima delas da capital. Estávamos precisando urgentemente de descanso, depois de um período insano de trabalho que não dava sinais de melhoria no ritmo.
A escolha recaiu sobre a pousada A Rosa e o Rei, na estrada de terra que liga São Francisco Xavier a Joanópolis e Monte Verde, distante cerca de 11km do centro da vila, que na verdade é um distrito de São José dos Campos. A maior parte do distrito é legalmente reconhecido pelo Estado como APA (Área de Proteção Ambiental), por ainda manter um trecho original de Mata Atlântica na Mantiqueira.

Para chegar até lá é necessário passar por dentro de São José, num caminho um pouco confuso. A partir dali é uma estradinha bonita que segue até Monteiro Lobato e depois até o centrinho de SFX. A estrada é estreita e de mão-dupla, mas não é perigosa: tem poucas curvas e não há uma subida de serra forte, já que a vila não está numa posição muito alta, são os arredores que tem altitudes mais compatíveis com a serra.

(mapa de www.saofranciscoxavier.org.br)
São Francisco Xavier é uma vilinha simpática, com o tradicional centrinho com a matriz, coreto, alguns restaurantes e lojas. Nós não chegamos a experimentar a gastronomia local porque a nossa pousada oferecia pensão completa, mas algumas boas opções podem ser o Yoshi, de comida asiática, e o café Photozofia, que tem espaço para exposições e música ao vivo.
A cidade tem várias cachoeiras, pontos para salto de asa-delta, o Pico do Selado, muito procurado para escalada (já na divisa com Monte Verde, em MG) e várias trilhas, das quais a mais famosa é a travessia São Francisco Xavier – Monte Verde: 12 quilômetros que podem ser feitos em até 6h, em média. Já queria fazer essa trilha há um tempo, lindas vistas, mas não foi dessa vez: a preguiça falou mais alto e acabamos não saindo do hotel 😳
Mas a pousada tem suas atrações próprias, entre elas duas cachoeiras, a Rosa…

…e o Rei…

…que podem ser ouvidas mais fortemente por quem fica nos chalés de baixo, no meio da mata que circunda o rio, mas um som mais suave pode também ser ouvido dos chalés de cima, que têm vista. Nós ficamos uma noite em um dos primeiros e o as outras duas nos de cima: estes tinham uma obra próxima, neste dia, e acharam que talvez o barulho pudesse ser ouvido e sugeriram a divisão da estada, o que aceitamos.

Todos são confortáveis, mas os de cima são mais espaçosos, alem de ter o ofurô dentro do quarto: nos chalés da mata o ôfuro fica em um terraço, ao ar livre. E um ponto crucial (para mim, pelo menos): essa bela vista 😉

Em caso de querer não sair do chalé, você pode escolher DVDs, CDs e livros do catálogo que eles deixam à disposição na recepção e, para curtir o friozinho da serra, nada melhor que uma lareira. O fogo também é personagem principal quando todos se reúnem no jardim para apreciar uma bela fogueira construída para aquecer e deixar a noite ainda mais bonita…

De manhã, a pedida é participar das aulas de tai chi chuan dadas pelo Fred, o dono da pousada, numa bela sala com vista para o vale e com o som das cachoeiras ao fundo. Na verdade a idéia inicial dele era montar um centro de treinamento de tai chi no local, mas impedimentos quanto às construções devido à propriedade estar dentro da APA o fizeram desistir do projeto. Tempos depois o projeto da pousada surgiu e foi aprovado.
Outra boa sugestão é fazer a trilha dentro da pousada, que começa pela parte alta do terreno e segue a beira do rio, passando pelas duas cachoeiras. Em todo o percurso existem pontos para descanso e contemplação. Esse ponto virou um favorito para leitura…
 
Deve ser fabuloso ter um curso d’água como este dentro de uma propriedade, que privilégio! Dá até vontade de entrar, mas não estava exatamente quente e, segundo o pessoal da pousada, mesmo no verão é preciso ter coragem…Mas só a paisagem ao descer pela beira do rio já compensa 😀


Outro ponto que virou um preferido meu foi esse deck, num ponto isolado. Perto dele ficava um caminho d’água para massagear os pés e banquinhos para descanso…


Mas esse não é um lugar para carnívoros: todas as três refeições são ovolactovegetarianas. A comida é muito saborosa e gostamos especialmente dos jantares: sempre sopas creme, tortas ou risotos. Não sentimos falta da carne, realmente.
O tai chi chuan, a comida, a água correndo…a idéia é criar um ambiente de relaxamento e era disso mesmo que estávamos precisando: silêncio, beleza e privacidade. Quem sabe alguma trilha mais pesada da próxima vez? 😉

Mantiqueira Lado B


Fazer um post sobre curtir a serra bem no final do inverno? É, eu sou um pouco do contra…o friozinho pode ser delicioso para um relax nas alturas, mas os hotéis lotados e caros me fazem perder a vontade. Passada a loucura da temporada, as cidades da Mantiqueira ficam mais calmas e bonitas também: na primavera as hortênsias florecem, no verão dá até para arriscar um banho de rio ou cachoeira e no outono as folhas amareladas ficam lindas na paisagem.
E foi justamente no finalzinho do verão, começo de outono que nós resolvemos aproveitar um feriado para descansar na serra. A idéia era conhecer algum lugar novo, fora do roteiro mais tradicional…tinha algumas idéias há algum tempo e tiramos uma delas da manga: Passa Quatro, em Minas.
A cidade fica a 250 km de São Paulo, vindo pela Via Dutra e subindo a serra por Cachoeira Paulista e Cruzeiro. É uma típica cidade de interior, tranqüila, cheia de jardins e construções de estilo eclético, do começo do séc. XX. A nossa pousada, a Maria Manhã, fica afastada do centro, num vale em plena zona rural.

São poucos chalés espalhados por um jardim muito bem cuidado, em estilo rústico e muito confortáveis: novinhos, com camas grandes, lareira e vista, além de uma varanda muito convidativa, com rede. Eu sou uma mulher de vistas: este é sempre um dos fatores que eu mais levo em conta ao procurar um hotel 😀
Bem no meio de uma época de trabalho louco, tudo o que eu queria neste primeiro dia era descansar e foi exatamente isso o que fizemos: dormir até tarde, ler na rede, tomar sol e nadar…

À tarde preferimos ver a linda região ao redor da pousada a cavalo…Típica paisagem do interior de Minas: relevo de sobes e desces, riozinhos correndo no meio de taboas, vaquinhas pastando no morro, cerquinhas tortas e flores de São João. Ah, eu adoro isso 😉

No dia seguinte demos uma folguinha para a preguiça e fomos até a cachoeira da Gomeira…


…que é muito bonita, mas não perde nada para as paisagens por onde passamos para chegar até ela.


Voltamos para a cidade para almoçar e nos encontrar com a guia que iria nos mostrar o caminho para as corredeiras do Rio Verde, mas ela e o grupo se atrasaram no almoço e…nos perdemos dela. Queríamos uma ajuda nos caminhos e também caso tivéssemos problemas nas estradas de terra, mas resolvemos seguir em frente mesmo assim.
Bem, até conseguimos chegar ao ponto certo da estrada, mas quem diz que havia placas para indicar a trilha? Até tentamos, mas o paredão de descida era imenso, incompatível com os meus joelhos fora de forma. Pena, parecia um lugar lindíssimo, com várias piscinas naturais…mas a paisagem vista da estrada não decepciona: carneirinhos e quedas d’água, quer paisagem mais bucólica? :mrgreen:





Aproveitamos o final da tarde para passar pelo Floresta Nacional de Passa Quatro, uma bonita área de preservação com cachoeiras e lagos. E…de volta para a pousada onde assistimos, da nossa varanda, uma tempestade de raios que durou mais de meia hora, iluminando as montanhas já escuras. Varanda de onde se podia ver também um lindo amanhecer…

No nosso último dia deixamos a pousada e fomos para o centro de Passa Quatro, mais especificamente para a estação ferroviária. Infelizmente não é mais possível chegar até a cidade com o trem, mas ainda existe um pequeno trecho turístico operado pela ABPF – Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, criada há 30 anos pelo meu sogro para preservar um pouco da história ferroviária do país.

Esse é apenas um dos trechos que a ABPF recuperou e colocou em operação locomotivas maria-fumaça restauradas nas suas oficinas: ainda há o percurso Anhumas-Jaguariúna, talvez o mais conhecido, um trechinho no Memorial do Imigrante, em São Paulo, entre outros. Este passeio que fizemos é conhecido também como Trem da Serra da Mantiqueira, saindo da estação de Passa Quatro, passando pela estação Manacá e tendo como ponto final a estação Coronel Fulgêncio.

Além da própria locomotiva e carros de passageiros restaurados, da paisagem pelo caminho…


…um dos grandes atrativos do passeio é o seu conteúdo histórico: o trem pára um pouco antes do Túnel da Mantiqueira, inaugurado no final do séc. XIX por D. Pedro II, na divisa entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais. Ele foi cenário de combates agressivos da Revolução Constitucionalista de 32 (uma das frentes mais importantes foi o Vale do Paraíba), justamente por contrapor: de um lado os paulistas, constitucionalistas e do outro as tropas federais.

A antiga estação, ponto crucial de confrontos, está sendo restaurada e ainda hoje podem ser encontrados vestígios de trincheiras e balas, resultado dos acontecimentos da época.
Outro projeto é a recuperação de uma locomotiva mais forte que possa vencer o declive do túnel e voltar: o passeio então será feito até o outro lado da serra, com a visão do vale, já no Estado de São Paulo.

Muito bom saber que mais trechos ferroviários estão sendo recuperados, como o recente Ouro Preto – Mariana, que teve a ajuda das oficinas de restauração da ABPF. Acho que o Patrick ficaria contente com mais este pedacinho da história ferroviária trazido de volta à vida.
E de volta a Passa Quatro…A idéia era fotografar a linda estação e os casarões da cidade, mas a chuva deu as caras e não parecia querer ir embora. As fotos e o almoço em Itamonte, no Hotel São Gotardo, ficaram para a próxima…

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Outras viagens…

Para aqueles com espírito aventureiro (e com excelente condicionamento físico), ficam duas sugestões de travessias cuja base para subida é Passa Quatro:
– Travessia Marins-Itaguaré: um trekking/escalada de três dias passando por estes dois picos – seu ponto mais alto tem uma visão abrangente do Vale do Paraíba e regiões montanhosas próximas, como o Parque de Itatiaia.
– Travessia da Serra Fina: considerado um dos trekkings mais difíceis no Brasil, com duração média de 4 dias de caminhada, tem como uma das principais atrações a subida da Pedra da Mina, 4º maior pico do país.

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