Minha França favorita

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            O tempo estava frio e chuvoso. Exatamente como há 14 anos, quando estive rapidamente na região. As gotas de chuva nos acompanharam até Carcassonne, a primeira de nossas paradas no sudoeste francês.

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            O desejo de voltar a essa região me acompanha desde aquela viagem. Com o passar do tempo, os livros me forneceram material para conhecer um pouco mais e sonhar. Tudo me fazia gostar – a história, a arquitetura, a comida – e tornou o processo de escolha do roteiro muito difícil, dado o pouco tempo de viagem que teríamos. A área que me interessava ia desde os Pirineus, passando pela região de Midi-Pyrénées, subindo pelo Lot e entrando a região conhecida atualmente como Dordogne.

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             Uma das maiores características dessa parte da França é a quantidade de monumentos medievais bem preservados: castelos, igrejas, cidades fortificadas. Um dos maiores símbolos da França, verdadeira representação da Idade Média, é Carcassonne. Difícil não deixa escapar um “uau” quando se vê suas muralhas de longe, saindo da parte ‘nova’ da cidade ao atravessar o rio Aude. Tivemos a sorte de ter deixado a chuva para trás e chegado com as luzes do final da tarde iluminando a ponte antiga sobre a água do rio e as torres da cidade medieval acima dele.

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            E pensar que por pouco a cidade não foi demolida, pela situação triste em que se encontrava no século XIX – sorte que alguns defensores conseguiram reverter a decisão oficial. Logo em seguida veio o arquiteto Viollet-le-Duc, responsável por outras restaurações famosas, reconstruir sua muralha dupla, o castelo, construções internas e a catedral. O final do processo resultou em polêmica, já que o arquiteto deixou de lado a acuracidade histórica em alguns pontos, especialmente em relação os telhados pontudos que todos amam.

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             Alheios às questões acadêmicas, nós, turistas, admiramos a atmosfera de conto-de-fadas, especialmente à noite, quando as ruas ficam desertas e as (poucas) luzes refletem as pedras das casas e das muralhas. Mas a história de Carcassonne é bem mais sombria: em um dos episódios mais tristes da Idade Média francesa, aqui também foram massacrados os cátaros, dissidentes da Igreja Católica que viviam reclusos em castelos da região do Languedoc. Todos foram dizimados na Cruzada Albigense, contada numa animação reproduzida à noite nas muralhas do Château Comtal.

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            Daqui até a Albi, lugar onde se origina a perseguição, são cerca de duas horas de viagem por estradas secundárias que cortam as florestas da Montanha Negra. Ao chegarmos ao hotel, a vista nos dá a certeza de que chegamos a um lugar extraordinário: entre sucessivas pontes de diferentes épocas, o rio Tarn reflete o centro histórico, com as gigantescas construções da Catedral de Santa Cecilia e do Palais de la Berbie.

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            Sendo parte da região de influência dos cátaros, Albi foi escolhida pela Igreja para o início da cruzada contra os hereges. Uma vez retomada a cidade pelos católicos, estes fizeram questão de demonstrar o seu poder construindo uma catedral que se confundia com fortaleza. De longe ou de perto, impressiona pelo tamanho e pelo fato de ter sido construída com tijolos, algo fora do padrão. Por dentro, é inteiramente tomada por pinturas renascentistas e afrescos de mestres flamengos: uma delicadeza que não se espera.

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            Faz par com a catedral em sua brutalidade o palácio dos bispos, bem ao lado. Hoje o Palais de la Berbie também tem um interior de beleza: abriga as obras do Museu Toulouse-Lautrec, andares de suas telas e pôsteres, além de obras de contemporâneos. E entre a sensação de se transportar para a Paris da Belle Époque, pelas janelas ainda se tem a vista dos jardins do palácio, com o rio ao fundo.

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            Assim como na descoberta dos jardins, Albi nos surpreendeu em cada canto da cidade medieval e se fez bonita e atmosférica com as nuvens pesadas que nos acompanhavam e nos alcançavam em cada destino quando já nos despedíamos deles.

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            Daqui o caminho medieval continua se fixando na defesa em Cahors e sua Pont Valentré, fortificada…

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            …e assume contornos religiosos na pequenina Conques, um vilarejo que parece perdido em alguma outra época, em meio ao caminho francês de Santiago de Compostela.

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            Com uma população de menos de 300 pessoas e uma estrutura urbana que viu as últimas alterações no final do século XVIII, Conques é tão bem preservada que às vezes surge a sensação de se estar num cenário. Mais que as casas em pedra e pan de bois, o que realmente atrai é a Catedral Sainte-Foy, enorme, se destacando sobre todas as outras construções.

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             Sua estrutura românica tem beleza e elegância, mas também uma proporção que assombra e que nos torna pequenos, especialmente diante da sua fachada – de pedra, maciça. Mas aqui também existe delicadeza: o seu tímpano é uma amostra do que há de melhor em escultura românica.

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            E ainda há o Tesouro de Sainte-Foy, uma das mais valiosas coleções de arte sacra francesa, cheia de peças raras, como as que datam do Império Carolíngio. Mas a verdade é que a cidade inteira é um encanto e isso descobre-se rápido, no começo, quando a vemos do alto da estrada, encaixada no vale verde. É a mesma sensação de se descobrir um tesouro, um frio na barriga. Não à toa, está na lista de ‘Les Plus Beaux Villages de France’.

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            Numa viagem cheia de ‘plus beaux villages’, no sudoeste e na Provence, uma delas não poderia faltar: Saint-Cirq Lapopie.

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            Para mim o vilarejo era um sonho antigo, a capa de um livro querido que há muito me lembrava do meu desejo de estar ali, sempre que a via. Estar em cada uma das perspectivas clicadas para o livro era um delírio e trouxe muito fortemente a sensação surreal de estar finalmente num lugar que idealizamos muito: como o padrão do que se ocorre é apenas a imaginação, o planejamento e o sonhar, quando finalmente estamos ali é necessário um tempo para que ‘caia a ficha’.

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            Cada rua, cada casa e cada detalhe eram fascinantes e o clima frio e nublado, ao invés de ser um estorvo, ressaltava a atmosfera. Falar que cada cena era saída de uma fantasia de contos de fadas medieval é um clichê, mas descreve perfeitamente a sensação.

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            Como se não bastasse a sua própria beleza como vilarejo, Saint-Cirq está sobre uma falésia debruçada sobre uma curva do rio Lot, o que lhe dá um ar dramático. É bela a vista dos belvederes sobre a cidade, mas também a vista dela própria, das ruínas do castelo, em direção ao rio e ao vale.

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            Fiquei com vontade de ver a cidade à noite (infelizmente a única pousada estava fechada nesta época do ano), mas parti feliz. A beleza da ‘estradinha verde’ que tomamos fez diminuir a saudade de Saint-Cirq: acompanhávamos as curvas do Lot ao lado dele, passando por túneis de rochas cortadas pela estrada.

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            O sudoeste é para ser apreciado através de estradinhas regionais, não por auto-estradas. É enorme a quantidade de rotas cênicas, passando por florestas, montanhas, vales. Uma das mais bonitas passa pelo parque natural de Causses de Quercy e seus canyons de rocha calcária. Um desses canyons abriga Rocamadour, uma das mais bonitas e inacreditáveis visões: uma cidade pendurada no rochedo, descendo pelas falésias.

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            Centro religioso medieval, a cidade se viu transformada em uma das cidades mais ricas da Europa pela enorme movimentação de peregrinos. Muitas das estruturas daquela época foram destruídas em épocas posteriores ao seu apogeu no séc. XII e os peregrinos foram substituídos pelos turistas, mas ainda assim a cidade assombra pela maneira com que se agarra à rocha. O santuário, seu centro, abriga diversas capelas da época e a mais antiga e venerada, a da Madona Negra, tem como parede de fundos a rocha crua.

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            Na parte baixa, a Rue de la Mercerie é lotada de visitantes e lojinhas, mas é só cair a noite que não se ouvem passos pela cidade e por um momento pode-se ter a ilusão de ter escapado ao tempo presente.

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            De Rocamadour, tomamos um trecho curto de estrada até a região central do Périgord Noir, onde é mais difícil ainda escolher um itinerário. São tantos vilarejos bonitos, castelos e cidades medievais (sem contar os belíssimos caminhos entre eles), que é impossível não pensar em voltar para continuar a exploração. No nosso caso escolhemos parar em duas cidades antes do nosso destino final e a primeira delas era Domme.

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            Ela é uma bastide, tipo de cidade planejada e fortificada que, em sua maioria, foi construída na época da Guerra dos 100 anos. É fácil de ver a diferença dela para as cidades medievais padrão: estas têm ruas tortuosas, estreitas, enquanto que as bastides são arejadas, ruas largas perfeitamente paralelas e perpendiculares.

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            Normalmente as bastides têm uma praça central, com um mercado e arcadas. Mas Domme ainda tem algo que nem todas as bastides têm: uma vista maravilhosa do vale do Dordogne, que corre nos pés da rocha onde se ergue a cidade.

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            Acompanhamos o rio por pouco tempo até La Roque-Gageac, conhecida por suas casas trogloditas e sua localização ideal, aos pés do rochedo, numa das curvas mais bonitas do Dordogne. Aqui é possível ver como as pessoas da região realmente aproveitam o rio: muitos andam de caiaque, outros preferem observar a paisagem a bordo de uma gabarre, barco típico para transporte de mercadorias. A maioria prefere passear nas margens (o que vai ficar ainda mais agradável com a reforma da promenade), observando as casas. Mas o rio é ainda mais atraente, com suas águas calmas refletindo o céu e as nuvens, as árvores que o contornam.

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            Num promontório acima do vilarejo fica o castelo de Marqueyssac, mas o que realmente interessa aqui são seus jardins. Espalhados por quilômetros de trilhas estão matas, cascatas, jardins franceses, belvederes – tudo impecavelmente mantido.

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            Cada mirante se abre para vistas lindas de todo o vale, incluindo os castelos mais famosos da região, Castelnaud e Beynac-et-Cazenac, além da própria La Roque-Gageac. Esta é uma visita que merece ao menos algumas horas de passeio e talvez um piquenique.

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            Dali são apenas alguns quilômetros e até a nossa última parada do sudoeste, Sarlat-la-Canéda. Eu, que já tinha tido a minha cota de beleza preenchida com folga desde que a viagem tinha se iniciado, não esperava que fosse me encantar tanto com Sarlat, mas eu realmente estava enganada. A cidade é bela, imponente, aconchegante, tudo ao mesmo tempo. Chegar a ela no final da tarde foi perfeito: todas as construções de pedra dourada do centro histórico brilhavam com os últimos raios de sol. E quando veio a noite, elas se vestiram de um tom mais fechado com os reflexos das luzes, que jogavam sombras sobre os becos reveladores do passado medieval da cidade.

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            O sol da manhã não poderia modificar a minha opinião sobre Sarlat, a cidade tinha me conquistado definitivamente com suas mansões renascentistas…

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            …igrejas românicas, construções misteriosas como a Lanterna dos Mortos…

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            …seu mercado cheio da especialidade da região, o foie gras…

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            …os jardins e as torres dos palácios.

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            E se dependesse só da minha vontade, a viagem teria continuado até Périgueux, Brantôme, Bergerac, talvez descer até a Gasconha…Mas nosso destino seguinte não trazia tristeza, ao contrário: alguns dias em Paris e depois, Provence. Mas esse é para mim um canto especial, num país de beleza extrema.

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O trenzinho e a caipira

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Apesar de estar muito longe de ter dado uma volta ao mundo, me senti muito próxima de Phileas Fogg nesta viagem: acredito que quase todos os meios de transporte possíveis foram usados, mas ele ainda ganha por uma carona de elefante 😉
Carro na França e ônibus urbano em Istambul são alguns…Só de trechos de avião foram 13, usando quatro companhias diferentes (e, milagrosamente, não foi cansativo e em parte por conta da pouca bagagem: uma malinha de 15 kg).
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Barcos de todos os tipos, em todos os lugares: lanchas e navettes no sul da França, veleiros na Grécia e ferries para cruzar o Bósforo, em Istambul.
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Queria ainda ter usado os catamarãs e ferries entre as ilhas gregas, mas a falta de informação quanto aos horários (e se iriam mesmo operar em setembro) na época do planejamento da viagem levou à preferência pelos vôos, por segurança. Talvez numa próxima viagem, quando estiver no pique de pegar uma mochila e sair sem planejamento e reservas: hoje tem ferry para Folegandros? Ótimo. Não tem? Ok, vamos para Naxos 😀
Mas uma coisa que eu queria mesmo era andar de trem. Ok, haveria metrô em Paris e Atenas, funiculares em Atenas e Istambul, bondes moderninhos e antigos nesta última. Mas eu queria era mesmo viajar, sentir o que é andar de trem de verdade.
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Sim, parece incrível, mas nunca fiz viagens longas com trem. Na Europa sempre fui viciada em carro e no Brasil…veja bem, não preciso comentar muito. A única vez em que viajei de trem foi quando era bem novinha e meu pai sentiu que precisávamos ter a experiência, além de tentar reproduzir um pouco as sensações que ele próprio e a minha mãe tinham, quando crianças, transitando entre o sul de Minas e São Paulo. A solução: saímos da Estação da Luz em direção a Campinas, andamos um pouco por lá e voltamos. Foi bacana, mas rapidinho e há tanto tempo atrás…
Depois só fiz trajetos curtos e históricos, como o Anhumas-Jaguariúna, Tiradentes – São João del Rey, Passa Quatro – Divisa SP/MG, Memorial do Imigrante…Tudo muito bacana, mas nada realístico. Por tudo isso é que eu optei pelo TGV para voltar do sul da França para o aeroporto: além da experiência, ainda poderia partir com tranqüilidade, aproveitar carona até a estação e chegar com folga ao Charles de Gaulle, pouco mais de 5 horas depois, para pegar o vôo com destino a Atenas.
Os bilhetes foram comprados uns dias antes, numa agência de viagens em Cogolin, do lado de Port Grimaud. No dia de viagem, peguei carona com os anfitriões até Les Arcs, o ponto mais próximo de parada do TGV.
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É uma cidadezinha do Var, cercada de vinhedos, à beira da A8, a auto-estrada da Provence. Tendo algum tempo antes da chegada do trem, queria dar uma volta, mas a mala não deixou, além da estação estar numa área um pouco desoladora da cidade. Aliás, a própria não fica muito atrás não: um prédio pequeno e bonito, do início do séc. XX, mas em triste estado de conservação.
Ok, um pouco de espera e lá vem ele, rapidinho que só…
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Um pequeno sufoco achar o vagão correto dentro do pouquíssimo tempo de parada do TGV na estação, o que me fez pagar o mico de correr com mala plataforma afora 🙄 Mas uma vez dentro…sossego puro! Mesmo não optando pelo vagão de primeira classe, as poltronas são muito confortáveis, mesinhas úteis para escrever e apoiar bebidas e comidinhas.
E a paisagem? Que interessante ver toda a mudança de cenário conforme se passa rapidamente de uma região até a outra! Não dá para se entediar, mesmo porque a visão de sua janela muda num piscar de olhos 😉 Rios, castelos, cidades, montanhas, campos verdes com vaquinhas…Eu parecia uma garotinha, sem tirar os olhos da janela, com um sorriso bobo nos lábios, música nos ouvidos. É…para usar um clichezão, antes tarde do que nunca. Sou mesmo uma garota deslumbrada de 32 😳
O ritmo da viagem foi tão bacana que nem acreditei quando o trem se aproximou da estação final, Charles de Gaulle (que, aliás, não poderia ter contraste maior com a Les Arcs…) Saí do trem, mas não sem uma certa insatisfação, pensando nas chatices básicas do próximo meio de transporte: check-in, embarque, ônibus, avião, ônibus, pegar mala…
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Eu, que já era fã da aura romântica dos trens, mesmo sem nunca ter viajado, depois disso só me certifiquei de que quero usá-los muitas e muitas vezes. O único problema é ter começado por um trem do nível do TGV: talvez fique mais difícil fazer um downgrade depois para um trem mais lento, mais velho e desconfortável…
Depois de um vôo rápido e pontual até Atenas, mais uma boa surpresa com trilhos… Estava na dúvida entre tomar um táxi (um certo pânico – depois confirmado – de enfrentar os taxistas atenienses) e usar o metrô. Decidi arriscar e pegar um dos últimos trens, depois de correr muito e esquecer de compostar o bilhete…Não façam isso, crianças! Fiquei tensa depois que me lembrei deste pequeno detalhe: não aconteceu nada, mas na volta para o aeroporto vi um fiscal autuando uma turista francesa que não sabia que tinha que compostar o tíquete na entrada da estação.
Uns quarenta minutos de viagem depois (num trem super limpo e novinho), estava em pleno centro de Atenas, na linda estação Acrópolis. Mais dois quarteirões caminhando e voilà: o hotel,  Athens Gate. Mais uma vez deslumbrada: que civilizado! Que fácil! Nessa hora eu me lembrei dos R$ 80 cobrados para ir de Guarulhos até a minha casa 🙁
Água e um loukomi depois eu já nem me lembrava mais dos taxistas de Guarulhos, de Atenas ou de qualquer lugar que fosse. Especialmente depois de entrar no quarto e dar de cara com essa vista 😀
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Do alto 2: Gassin

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Continuando o tour das cidades-fofas-no-alto-de-rochedos, outra preciosidade que pode (e deve) ser visitada é Gassin. Como Grimaud, ela está sobre o maciço de Maures, uma região montanhosa situada no Departamento do Var, onde se encontra esta parte de Côte d’Azur vistada.
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(foto de www.suntrop.co.uk)
Ela está localizada na península de St Tropez, bem próxima à cidade, mas separada dela por uma estradinha rodeada de vinhedos. Aqui nesta região, o espaço é valorizado e as vinhas são plantadas até nos canteiros das rodovias, chegando quase até o asfalto.
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O forte da produção vinícola na região é de rosés, tipo de bebida que combina perfeitamente com o clima quente e o espírito da boa vida do sul da França. Funciona muito bem a qualquer hora (talvez não no café da manhã, mas alguns ainda hão de discordar de mim 😉 ) e mesmo os vinhos da cooperativa de Grimaud (Les Vignerons de Grimaud) são muito gostosos.
Muita gente não curte muito rosés por aqui, mas como ouvimos por lá que este tipo vinho não viaja muito bem, esta tendência pode até ser justificada… Alguns meses antes de viajar experimentei um em um restaurante em São Paulo e não gostei. Experimentei o mesmo vinho lá e era completamente diferente. Será que a teoria tem mesmo um fundo de verdade? Ou foi o cenário que melhorou o gosto do vinho?
Bem…chega de divagações enológicas, mesmo porque eu entendo lhufas de vinho: nada de muita teoria, o bom mesmo é beber :mrgreen:
 
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Terminando a subida chega-se a uma praça que dá as boas vindas a quem chega à Gassin. Dali é que se tem uma idéia da posição privilegiada da cidade…
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…com a visão dos vinhedos na planície.
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Como é de praxe, Gassin parece uma cidade cenográfica, muito bem restaurada e cheia de cantinhos que imploram por fotografias…
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…especialmente os muros de pedras cheios de primaveras, flor mais que característica do Mediterrâneo e que me acompanharia durante toda a viagem, especialmente na Grécia. Outra flor muito presente em todos os lugares era a bela-emília (nenhuma parcialidade por parte da dona do blog! 😆 ), como nesta parede…
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Poderia ter ficado mais tempo na cidade, mas havia uma reserva para almoço: mesmo a cidade sendo pequena, vale a pena ir com calma e explorar todos os bequinhos porque sempre há algumas surpresas, como uma torre medieval. Que, neste caso, é chamada de Porta dos Sarracenos, antiga entrada do Castrum (forte de defesa).
 
 
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Ou poços antigos, como na…Rua dos Poços 🙄
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São muitos detalhes interessantes e há uma visita guiada ao vilarejo, cujos horários podem ser conferidos nos mapas informativos à entrada de Gassin.
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Voltando ao ponto de partida, é recomendado caminhar pelas muralhas até chegar à Place deï Barri. Apesar de não ter ficado para comer, sugiro um almoço demorado na ali: são vários restaurantes charmosos, vizinhos de galerias de arte (como a tradicional Galerie deï Barri) e todos com uma super vista panorâmica 🙂
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(foto de www.les-plus-beaux-villages-de-france.org)
E ainda dá para visitar as vinícolas…mas isso fica para uma próxima vez. Dá para entender porque os freqüentadores de St Tropez pegam essas estradinhas quando querem um pouco de sossego…
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Outras viagens…
Para completar a trilogia, faltou visitar Ramatuelle, do ladinho de Gassin. Parece ser uma gracinha também 😉

 
 
 
 
 
 
 

Do alto 1: Grimaud

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Esse cantinho do Mediterrâneo é feito de vida à beira d’água e também de muito mais… No entorno do golfo de St Tropez existem algumas cidadezinhas charmosas, mas não de praia: elas olham o mar encarapitadas nos maciços rochosos ao redor. Em comum, além da situação geográfica e lindas vistas, elas têm a origem medieval e uma certa beleza e calma que nos dão vontade de só andar e andar…
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Grimaud é uma delas. Essa belezinha é o centro administrativo da comuna ao qual pertence Port Grimaud, onde estava. Ao contrário do ‘filhote’, a cidade tem uma longa (e ainda um pouco obscura) história como ponto de defesa do golfo. O que mais evidencia este passado é o castelo do século XI, que, apesar de em ruínas, ainda protege a cidade aos seus pés com ar imponente…
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Outras marcas do passado estão nos detalhes, basta observar bem para conferir nas paredes e muros…
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…e nas igrejas como a de Saint-Michel, do século IX, e capelas muito fotogênicas (só não saíram bem nas minhas fotos 😆 )
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(foto de www.diocese-frejus-toulon.com (e) www.grimaud-provence.com (d) )
 
Falando em observação, esta é uma das atividades imperdíveis em Grimaud. Mas tem outras: que tal caminhar? E que tal só relaxar e curtir? Como esses são os meus esportes prediletos :mrgreen: , eu passei uma tarde deliciosa por lá…
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Cada vez mais eu me surpreendo num certo ritmo caymmiano ao turistar…andar, olhar algo lindo até ficar bem gravado na memória, andar mais um pouco, brincar com um cachorro, descansar. Sem lerês. Aliás, eu percebi nessa viagem que ando precisando me preparar psicologicamente para os grandes lerês (N.B.: para os não familiarizados com a expressão cunhada pelo Freire, são aquelas atrações turísticas muito famosas e lotadas).
Mas algo te dá certeza de que há algo errado (ou muito certo?) quando você começa a se encantar com portas 😀
 
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…e placas (elas de novo!).
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Muita gente nas ruas? Imagina…a cidade deve ficar só levemente agitada na época de Les Grimaldines, o festival de verão. Pena que cheguei um pouco tarde.
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Apesar da proximidade do mar, o ambiente é totalmente diferente, mais de interior, bastante provençal… 
 
 
 
 
 
 
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…e é justamente essa característica que atraiu muita gente interessada num estilo de vida relax, o que gerou muitos restauros de casas, feitos com propriedade. Além da localização e da atmosfera única, esses moradores ganharam também uma vista maravilhosa, especialmente à noite, quando se pode ver os vultos luminosos de Port Grimaud, Saint Tropez e St Maxime ao longe…E tive a sorte de conferi-la como convidada para um jantar delicioso e altamente agradável numa dessas casas.
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Caso você também esteja procurando beleza, mas sem precisar sair da primeira marcha, pode vir que esse é o seu lugar 😉
 
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Procurando BB

 
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Quando se pensa fala em Saint Tropez, pensamos em…Brigitte Bardot. Assim como fez com Búzios, a musa transformou o pacato vilarejo de pescadores em destino-desejo de artistas, milionários e celebridades em geral. Ela chegou em meados dos anos 50, para as filmagens de …E Deus criou a mulher, ponto de virada de sua carreira. Depois de seduzir os homens e escandalizar a igreja com o filme (dirigido por seu marido Roger Vadim), BB e Saint Tropez nunca mais foram as mesmas.
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(mapa de www.frenchfriends.info)
É, os tempos de vilinha charmosa e quase desconhecida ficaram para trás, mas a beleza da cidade e sua fama de lugar glamouroso continuam atraindo especialmente artistas e também anônimos desejosos de sentir o clima de ‘St Trop’.  Desde que decidi ir para o sul, então, sabia que ela seria um dos poucos cantinhos a quebrar a rotina de descanso puro. Era tão perto, uma tentação: 15 minutos de carro ou menos de meia hora de barquinho-táxi saindo da capitania de Port Grimaud. Acabei gostando tanto que fiz várias visitas.

A primeira foi de barco, passeando pelo golfo: a cidade é discreta e elegante com suas casas em tons terra. Os enormes iates no Vieux Port parecem destoar um pouco da paisagem, em tamanho e quantidade maiores que o recomendado para uma cidade tão delicada. Ainda assim é uma bela combinação, assim como a citadela do séc. XVI e as maravilhosas casas de veraneio, que podem ser vistas de barco, à distância.
Mas nada como colocar os pés em terra e ver tudo de pertinho, então no dia seguinte peguei a navette e logo descia no mítico porto. Tudo muito divertido: turistas andando para lá e para cá, os donos dos iates se exibindo nos próprios… 
 
 

…ou comendo nos restaurantes branchés ao longo da marina…

…a maioria fazendo comprinhas, de todos os tipos   :mrgreen:
Quem chega a Saint Tropez pela primeira vez e bate perna pelo cais tem a impressão de que esse é o real espírito do lugar. Na verdade, as ruas agitadas das marinas velha e nova fazem parte de um lado da cidade: o outro você conhece ao se perder pelas ruas estreitas da vila medieval.
 
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Ali, a poucos quarteirões do burburinho, é possível encontrar ruas desertas…
 

…e pracinhas encantadoras.
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Uma coisa muito boa de se fazer é xeretar os ateliês e lojinhas charmosas, num esquema bem diferente do enxame de marcas luxuosas que vimos ao chegar. Os artistas e donos de lojas gostam de bater papo e estavam planejando uma festa ao ar livre na pracinha mais fofa dali, dois dias depois.
Outras recompensas de andar pelos bequinhos de Saint Tropez é dar de cara com cenas como essa 😀

…ou ver casas como essa aqui.

É numa dessas ruazinhas que fica a principal igreja, com sua torre colorida facilmente identificada de longe, desde o golfo…

Dá para andar horas sem cansar, curtindo cada pracinha, admirando as construções medievais e as casas com fachadas cobertas por primaveras floridas, fuçando em uma lojinha bacana. Ou comendo uma tarte tropezienne, hmm…
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Com certeza teria ficado até à noite se tivesse vindo de carro. Mas a última navette saía um pouco depois das 5, então era hora de voltar, mas com vontade de ficar mais…
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No último dia voltei, mas não para a cidade: íamos até a badalada praia de Pampelonne para almoçar no Club 55, um clássico da família e perfeito para o almoço de despedida. Este é um dos restaurantes mais antigos de Saint Tropez, tendo sido criado especialmente para atender às estrelas e equipe de filmagem do já citado filme de BB, sendo o nome uma homenagem ao ano em que a estrela e seu marido chegaram à vila.
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Apesar da clientela endinheirada que chega nos carros mais incríveis ou de barco, o lugar é bastante relax. O ambiente é delicioso, sendo as mesas dispersas por uma área cheia de árvores e não totalmente coberto. Perfeito para beber o tradicional rosé e escolher com calma o que comer num menu pequeno, mas cheio de sugestões de dar água na boca. Fui de moules marinières e steak tartar.
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Depois do almoço, dar uma volta pela praia em frente ao restaurante…
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A praia de Pampelonne é extensa e cheia de bares de praia e restaurantes charmosos. É limpa e a água, azul-turquesa, barquinhos ao fundo. Eu, se fosse você, reservaria um dia para bronzear seu corpinho aqui nessas areias  😉
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Outras viagens…

Existem muitas outras possibilidades de esticadas ao longo do litoral sul, a partir do Golfo de St Tropez.
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(mapa de www.villacotedazur.info)
Em um dos dias no sul da França viajamos cerca de uma hora e meia até Cap D’Antibes, para onde fomos convidados para passar o dia. É um península num canto muito calmo e exclusivo da Côte D’Azur. 
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Ao contrário de Saint Tropez, onde há muito espaço para passeios na cidade e praias para tomar sol, Cap D’Antibes é mais indicada para quem tem uma casa lá ou pode se dar o presente de mergulhar na piscina lindíssima do hotel Eden Roc.
Do farol é possível ver outras cidades perfeitas para bate-e-volta: Cap D’Antibes está entre Cannes, com seu festival de cinema (mais uma vez indico o Beto, que esteve conferindo o burburinho) e Nice, com Mônaco logo ao lado.
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Dá para ir a Grasse, Saint Paul de Vence (e Vence)…com um pouco mais de disposição, dá para ir a Marselha ou Aix-en-Provence. As ofertas são inúmeras, você é quem manda  😀

E o barquinho vai…

Depois de um breve tour pelo interior do país, enfim a chegada a Port Grimaud, com a idéia de passar quase uma semana de papo para o ar, para descansar.

Este é um lugar curioso: uma cidade planejada, nos anos 60, para funcionar como um condomínio e também como uma gigantesca marina. Que conforto melhor para os que gostam de velejar do que estar no quintal e ter o seu barco estacionado em frente? 

O criador de Port Grimaud foi um arquiteto alsaciano chamado François Spoerry, apaixonado por barcos, que drenou o pântano local e ali fez surgir uma cidade com formas inspiradas nas casas provençais. Tudo poderia ter resultado em uma Disney do Midi, não fosse o capricho no planejamento de cada casa: harmonia de cores, tamanhos e materiais diferentes, que não cansam o olho como a repetição de projetos comuns em condomínios modernos.
A cidade é tranqüila e discreta, descansando lá no cantinho do Golfo de Saint Tropez, escondida atrás da própria e de St Maxime. O espírito de PG é mais familiar e menos badalação, o que talvez explique o fato de ser pouquíssimo conhecida fora da França.

(foto de iloveportgrimaud.com)
Como dá para perceber pela foto acima, a cidade tem uma quantidade pequena de ruas internas, somente o necessário para estacionar os carros: a maior parte da área é tomada por água, formando mais e mais canais. É ali que circulam as lanchas e veleiros, a caminho do mar :mrgreen:

Mesmo quem está ali só visitando pode curtir o clima do lugar: é só alugar um barquinho elétrico, na entrada principal da cidade ou ao lado da igreja, e fazer o seu próprio tour da cidade, observando as simpáticas pontes…

…e as ainda mais simpáticas casas, todo mundo curtindo a tarde como se deve: um rosé geladinho, uma baguete crocante e aqueles queijos loucos e deliciosos 😀

A maior parte da cidade tem acesso restrito aos moradores, mas é possível se hospedar em um dos dois hotéis dentro da vila: o Hotel Giraglia, bem em frente à saída do porto, próximo à capitania dos portos e da praia, e o Hotel Le Suffren, na Place du Marché.
Para quem só está de passagem, outra boa pedida, além do barco elétrico, é dar uma volta de fim de tarde pelo centrinho, onde dá para comer ou tomar um sorvetinho…

…visitar a moderna igreja com vitrais de Vasarely

…e fazer algumas comprinhas, especialmente no domingo, dia da grande feira na Place du Marché.

Por ser muito perto de casa, só um portão à frente, batia ponto fácil no centrinho, seja para comprar pães, usar a internet ou só ficar de bobeira…

O dia-a-dia era bem preguiçoso: acordar tarde, tomar café na varanda, alimentar os peixinhos do canal, ler, bater papo e fazer um looongo almoço. Só depois era hora de bater perna, se desse vontade. Essa rotina boa ajudou muito a entrar no ritmo de férias…
 
 

 
Provavelmente vai surgir uma pergunta: e não tem praia? Tem sim: duas praias, uma particular, onde só se chega de barco, e outra pública. As duas são gostosas, mas não me animei muito a estender minha canga nelas, preferia não fazer nada no quintal, que era tão gostoooso… :mrgreen:
 

Port Grimaud é muito bem localizada para fazer uma série de passeios bate-volta ou simplesmente visitar os arredores, que já têm muito a oferecer, portanto…nada de monotonia, mas um belo equilíbrio entre descanso e turistagem 😉 Da próxima vez quero ficar mais…você também não teria vontade se tivesse essas vistas da sua varanda, ao amanhecer?

 

De norte a sul

Eu adoro pegar uma estrada… ver a paisagem passando rápida, umas vaquinhas ali, uma montanha diferente lá, plantações. Se for numa bonita manhã de sol, boa companhia, mapas e trilha sonora garantida, aí então é que eu posso rodar uma bela quilometragem sem cansar. Ok, ok, parar em alguns lugares charmosos para comer e descansar também ajuda bastante 😀

Por isso eu nem pisquei quando planejamos ir de carro pelos 800 km que separam Paris de Port Grimaud, o próximo destino. Afinal, mesmo indo pela auto-estrada, iríamos cortar regiões como a Borgonha e o vale do Rhône, passar por um pedacinho da Provence (e admirar um pouco o Mont Sainte-Victoire) para depois ver a linda costa sul.
E até das placas eu gosto! Especialmente aquelas marronzinhas com o desenho das atrações de cada cidade ou região…E que tal aquelas simpáticas de Ville Fleurie? Cada louco com sua mania 😛

(fotos de www.lacroix-signalisation.fr (e) e www.st-honore-les-bains.com (d) )
E falando em paradas estratégicas, uma das nossas foi em Tournus, onde a Guilou e o Jacques moraram por um tempo. É uma simpática cidade à beira do Saône, cuja atração principal é a Abadia de St Philibert, do século XI.

 
A igreja tem aquele jeitão sóbrio e sólido, típico do estilo românico e, além da sua monumentalidade, ainda preserva alguns afrescos daquela época, coisa cada vez mais rara de se encontrar. Quando não estão vandalizados e/ou corroídos pela ação de séculos, foram muitas vezes retirados e instalados em museus para evitar maiores perdas. Para quem gosta deste tipo de arte, o MNAC (Museu Nacional d’Art de Catalunya), em Barcelona, é um prato cheio. Maravilhoso.
Uma das melhores coisas em mosteiros, para mim, é sempre o claustro. Este era muito silencioso, pouca gente visitando, uma delícia de sol batendo no jardim verdinho. Um lugar ideal para relaxar de um tempo na rodovia. É possível também visitar o refeitório dos monges, que fica bem ao lado.
Os arredores são muito bonitos, já que a igreja fica dentro da cidade murada. Para quem tem mais tempo, um passeio interessante é aquele que segue pelas ruazinhas medievais até a beira do rio, onde muita gente mantém seus barcos de passeio.

 
E de volta para a estrada, mas não por tanto tempo, pois passaríamos a noite perto de Roanne: é ali que vive o querido Charles e sua família. Claro que aproveitamos seu convite, já que é tão raro vê-los e ainda mais sendo tão perto do nosso roteiro.
Para melhorar, o caminho que sai da auto-estrada e segue até a região de Cours La Ville é uma estrada verde Michelin: vamos cortando o famoso pays Beaujolais e seus vinhedos.

Depois de terminados os vinhedos, segue uma região alta cheia de pastos com vaquinhas charolaise e pinheirais…inacreditável. Ficamos pasmos com o sol de final de tarde filtrando entre as árvores e deixando brilhante os campos verdinhos. Fiquei tão alucinada na paisagem que até me esqueci de tirar fotos 🙄
É nessa beleza toda que fica Cours e o vilarejo onde o Charles mora, bem à beira do Lac des Sapins, onde passamos a noite. 

Depois de matar as saudades com muita conversa e comida boa, acordamos cedo porque afinal era uma terça-feira e todos teriam que trabalhar. Tomamos café da manhã em Cours, com a mãe do Charles e continuamos o nosso caminho. E a próxima parada seria o nosso destino: o Golfo de Saint Tropez 😀
 
 
PS: Outra pessoa que também gosta muito de viajar de carro é o Beto. Ele (e sua Teté) tem ampla experiência em viajar pela França nesse esquema, além de talento para escrever textos danados de bom. Eu se você dava um pulo lá também para saborear a última aventura deles, pela Provence.

Deixando Paris: Île de France

Com a chegada ao Charles de Gaulle, uma recepção como da última vez: com chuva e friozinho, mas com o super carinho do Jacques, que deixa tudo mais acolhedor. Só uma coisa seria diferente: nada de Paris, seguimos direto para o interior, mais especificamente La Fortelle, quase saindo da região de Île de France e entrando na Normandia.

La Fortelle é um vilarejo fofíssimo e minúsculo: em cerca de meia hora se dá a volta nele inteiro a pé, incluindo um tempo para apreciar a vista da cidade ao lado (como na foto acima), onde se concentra todo o comércio. É um lugar para viver a vida com calma, apreciando o campo: observando os pássaros, plantações e conversando com a gente do lugar, como a gentil madame agricultora da casa abaixo. Ela, me observando tirar fotos da vila, me convidou para conhecer a sua casa de fazenda do início do séc. XIX e me contar um pouco da sua história (além de trazer um escargot para a minha apreciação 😀 )

Além de ser fundamental para o descanso, tanto do jet-lag quanto das últimas semanas cheias de trabalho e preparação de viagem, La Fortelle é a casa de campo da Guilou e do Jacques, onde eles organizaram a festa em família. Cerca de 40 pessoas vindas de várias partes da França se reuniram no lindo jardim, onde se serviram de um buffet delicioso, cheio de saladas, pães, charcuterie e aqueles queijos maravilhosos que a gente só encontra por lá.

No dia em que partimos de La Fortelle para voltar a Paris, fizemos ainda algumas paradas pelas fofas cidadezinhas ao redor, como Ezy-sur-Eure e Anet, onde há um castelo renascentista…

(foto da direita: www.gardens-to-visit.com)
 
…e pela casa do Charles, que vive numa fazenda lindíssima dentro de uma vila fundada por templários, que também construíram esta igreja que fica dentro da propriedade deles.

Voltamos então para Paris, finalmente (Neuilly, na verdade). Mas na cidade tivemos um tempinho apenas para um passeio rápido pela Champs-Elysées, deserta no domingo, onde só demos uma olhada nas vitrines e compramos CDs. Seguem duas amostras simpáticas do que comprei por lá:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=X2BEhk1fqZo]
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1ZHWOrekXVE]
Foi triste não ficar nem um diazinho em Paris…ainda mais com convites de várias pessoas. De qualquer maneira, viajar é sempre uma escolha e dessa vez a decisão foi ficar no sul da França e ter mais tempo na Grécia. Espero poder voltar ainda muitas vezes para essa cidade que é preferidíssima (minha e de meio mundo 😉 )
De qualquer maneira ainda pude curtir um pouquinho Neuilly…

…e olhar de relance alguns pontos bacanas perto de casa antes de cair na estrada em direção ao sul 😀

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