Costa Rica: Páginas Amarelas

Coloco aqui algumas informações práticas da nossa viagem à Costa Rica, em julho de 2006, para quem estiver pensando em visitar o país:

Época – Como em qualquer país tropical, existem duas estações: a seca e a úmida, sendo que esta última vai de abril até aproximadamente setembro. As vantagens de se viajar nesta época: é baixa estação, então os preços vão estar mais amigáveis e os lugares não muito lotados, fora que as chuvas vão deixar tudo mais verde e bonito. Por outro lado, as estradas ficam piores nesta época, além…da própria chuva em si, que pode atrapalhar ou impedir alguns passeios.
De qualquer maneira, existem períodos específicos para quem quer surfar no Pacífico, surfar no Caribe, pescar, observar o quetzal, ver a desova de tartarugas de couro…
Transporte aéreo – A partir de São Paulo, a Taca e a Copa voam até o aeroporto Juan Santamaría: a primeira fazendo escala em Lima e a segunda na Cidade do Panamá. Os preços das duas companhias é parecido: na época paguei em torno de US$ 800, mas com a alta dos preços das passagens, as pesquisas trazem agora tarifas em torno de US$ 1.000. Nós voamos com a Taca porque a companhia era parceira da TAM e a milhagem ia para o programa de fidelidade, mas hoje já não existe essa vantagem.
Transporte terrestre – Para fazer toda essa epopéia costa-riquenha nós alugamos um Grand Vitara com a Mapache. Jipes são recomendados para quem vai se embrenhar pelo país, já que as estradas não têm em geral um estado de conservação muito bom.
Hotéis – Nós ficamos em hotéis de 3 a 4 estrelas, de estilos bem diferentes entre si. Em geral, ficamos muito bem hospedados e a única ressalva é com relação ao Guanamar, em Playa Carrillo. As vistas e áreas comuns eram ótimas, mas o quarto em que ficamos era bem velhinho, com um carpete horrível. Quanto ao restante, nós recomendamos:
– Heredia: La Condesa
– Puerto Viejo de Talamanca: La Costa de Papito
– La Fortuna: Volcano Lodge
– Monteverde: El Establo
Passeios – É tudo muito fácil: os passeios privados têm acesso tranqüilo e estrutura muito bem-feita, os parques nacionais têm postos de informações e mapas, muitas agências de turismo em todo o canto e quiosques de informações. Onde quer que você vá é possível conseguir mapas onde tudo isso está bem marcadinho e descrito, facilitando o trabalho de escolher onde ir e o que fazer.
O único passeio organizado foi o de Tortuguero, que foi comprado com o pessoal da agência Servitur, que também fez a reserva dos hotéis para todo o grupo.
Comer – Além dos restaurantes indicados nos posts, é interessante obter as melhores indicações em guias como o Frommer’s, Lonely Planet, Fodor’s…De qualquer maneira, é difícil comer mal na Costa Rica e a sugestão é de se aventurar pelas sodas e se surpreender com a qualidade da comida caseira.
Guias – Nós levamos o Lonely Planet Costa Rica. Apesar de ter a fama de guia ‘alternativo’, o guia também dá muitas opções ‘Top End’ e tem muitos textos interessantes sobre o país e questões ambientais.

Compras – Não há muito o que se comprar, a não ser as cerâmicas chorotegas, Ron Centenario e souvenirs em geral, como os trabalhos de madeira de Sarchí (em especial miniaturas dos carros de boi). Um conselho: poupe o dinheiro das compras e aproveite para fazer todos os passeios possíveis, inclusive os mais caros, como o canopy. E traga muitas fotos 😉

Soltando os bichos


Voltamos para San José, o nosso ponto de partida, na maior parte do tempo pela Interamericana, e fizemos check-in no Best Western Irazú. Hotel americano padrão, mas que atendia o que precisávamos, que era estar mais próximos do centro da capital para a nossa saída do dia seguinte.
Essa nossa escapada não estava na programação inicial, mas eu fiquei fascinada com a descrição do lugar e dei um jeito de conhecer, nem que fosse em um bate-e-volta: Tortuguero. O nome já prometia coisa boa para alguém que adora tartarugas, mas esse parque nacional é bem mais que um ponto especial no litoral caribenho para a desova das tartarugas marinhas: ele é também uma região alagada formada por vários canais e super preservada.


(mapa de www.1costaricalink.com)
Um dos inconvenientes de se fazer turismo em Tortuguero é que não há muito espaço para planejar a viagem de maneira independente. Como é um lugar de difícil acesso, normalmente se compra um pacote de um dos lodges, onde tudo é bem esquematizadinho: transporte, hospedagem, passeios etc. O outro inconveniente é…o valor dos pacotes. É aquele precinho especial para bolsos europeus e americanos, sabe? O nosso anfitrião já tinha avisado como seria a viagem, se queríamos mesmo…mas quando eu coloco uma coisa na cabeça, vou te contar 🙄 O agente em San José reservou então um pacote de 2 dias/1 noite no Mawamba Lodge.

O ônibus nos pegou no hotel às 6 da manhã, passou por mais alguns hotéis e seguimos em direção ao nordeste do país. Por volta das 8h paramos no restaurante do Lodge para o café da manhã. Apesar da cara de ‘esquema excursão’, a comida era muito boa e variada, numa bonita área verde com um rio e trilhas. E colocamos o pé na estrada de novo…
Um pouco depois entramos numa área de plantação extensiva de bananas e seguimos nela pelo resto do caminho. Como tinha comentado no post sobre Puerto Viejo, as bananas representam uma das maiores atividades econômicas da Costa Rica desde o final do séc. XIX e a costa caribenha é dominada pelas multinacionais americanas exportadoras, como a Chiquita, Del Monte e Dole. Essa cultura sempre foi controversa: nos primeiros tempos, pela exploração dos trabalhadores e agora, pelo abuso de inseticidas e uso de sacos plásticos para amadurecer as frutas – os dois acabam sendo levados até o mar, onde o primeiro mata os corais e o segundo é comido pelas tartarugas, confundido com águas vivas, e estas morrem sufocadas.
À parte as questões ambientais, é bonito andar pelos bananais a perder de vista, só interrompidos pelas esteiras que levam as bananas penduradas, como que passeando sozinhas pela plantação. Nesse ritmo, chegamos a Matina, a cidade onde fica o ponto de embarque para os barcos que nos levariam pelos canais até Tortuguero.

Depois de esperar pelo nosso barco, ainda teríamos duas horas navegando até o hotel. O caminho é longo, mas o visual à beira-rio era lindo e ajudava a passar o tempo tranqüilamente. Passamos por vilas de pescadores…

…e muitas aves, como uma família de colhereiros.


O começo do trajeto tem uma paisagem mais aberta…

…passando por uma área bem próxima ao mar…

…e depois mudava para uma mata mais fechada ao se aproximar do nosso destino.

Chegamos ao lodge na hora do almoço e deixamos nossas malas no quarto: um bangalô espartano, mas enorme e novinho, além de um banheiro clean e com uma bela banheira. Não era dos mais próximos da área social, mas achei que demos sorte…dei uma espiada nos bangalôs mais próximos (e mais antigos) e os achei abafados. Fora que nós tínhamos esse jardim lindo e muito bem cuidado em frente…




No restaurante é que sentimos o drama de ter tudo organizado: até turnos de refeição tínhamos que obedecer! Pertencíamos a um grupo que faria tudo juntinho: almoço, passeio, jantar, passeio… (suspiros)
A comida não era excepcional, mas não havia nada que desabonasse também. E a companhia do nosso grupo se revelou muito agradável, tanto que resolvemos pegar a carona no barco para ir até a vilinha de Tortuguero, mas não sem antes reservar os nossos lugares para ver as tartarugas à noite, com os monitores (pago à parte, um absurdo considerando que o pacote não é barato).
A comunidade de Tortuguero está situada em uma ilha muito longa e fina que faz parte do parque nacional. A vila e os lodges estão distribuídos por essa faixa de areia espremida entre o mar e os canais, sendo que o Mawamba, por exemplo, tem saída tanto pela praia quanto pelo canal.

A vilinha é mais que rústica: construções, em geral de madeira, organizadas em ruas e praças de areia e grama: alguns restaurantes, lojinhas, pousadas bem alternativas. É um ponto muito remoto do país, onde só se chega de barco ou avião, o que pode trazer alguns problemas para a população local…

Acabamos indo diretamente para o CCC, Caribbean Conservation Corporation, uma ONG americana de proteção às tartarugas marinhas e que tem sua base costa-riquenha em Tortuguero. São eles que conduzem as pesquisas na região, monitoram as desovas e nascimentos e fazem os controles das pequenas que aparecem nas areias do Caribe norte.

Eles foram a primeira organização formada no mundo com o intuito de preservar as tartarugas marinhas de extinção e intercederam junto ao governo da Costa Rica – país onde começaram as ações do CCC – para a formação do Parque Nacional Tortuguero, através da figura do biólogo Archie Carr, pioneiro no estudo destes lindos animais. Eles têm informações sobre as espécies que nadam pela região e sobre os estudos em Tortuguero, mostrando videos com a atuação do CCC. Nada muito diferente do que se vê nas bases do Tamar no Brasil, mas é interessante ver o trabalho de quem protege tartarugas há quase 50 anos.
Voltamos a pé para o hotel, pela praia, o que nos faz deduzir que as tartarugas têm definitivamente um gosto diferente dos nossos: Tortuguero é uma praia desinteressante, areia escura cheia de algas e plantas, ondas fortes demais para banho. A beleza da região está mesmo na parte de dentro, nos canais…

Entrando no lodge pela praia, passamos por um jardim de rãs, sendo a maioria da espécie rana  de ojos rojos, praticamente um símbolo da Costa Rica. São lindas e ágeis, verde na maior parte do corpo, olhos vermelhos (claro…), patas laranjas e laterais azul e amarelo bem vivos. O tratador das bonitinhas, vendo meu interesse, perguntou se eu gostaria de pegar uma delas. Claro que sim…fui lavar muito bem minhas mãos (para que a pele fina dela não aborvesse nada de protetor solar) e voilà 😀
Até que ela ficou quietinha por um tempo…e depois saltou para a folha mais próxima. A textura dos batráquios (eu adoro essa palavra 😆 ) é sempre surpreendente ao toque. E o bichinho é lindo demais, não dá para parar de olhar…


Aproveitamos o resto da tarde na piscina e jantamos cedo porque as tartarugas nos esperavam. Nos juntamos ao grupo perto da praia, já com o monitor a postos. Uma verde imensa já tinha chegado e estava começando o trabalho. Lá fomos nós…
Quanta diferença da tranqüilidade que tivemos no Pacífico…Aqui o processo era o seguinte: espera-se o grupo anterior admirar a tortuga e sair (umas 6 a 8 pessoas cada grupo); aí é a vez do seu grupo, fica-se uns 10 minutos; toca a dar espaço para quem vem atrás…Não dá para ser feliz assim, né? 🙁 E no final, os que quiseram esperar um pouco mais, como nós, ainda puderam ver a tartaruga sair em direção ao mar. Mas, ao invés de observar de longe, a maioria das pessoas desobedece a orientação dos monitores e forma um ‘corredor polonês’ para a pobrezinha  😡
Talvez o objetivo seja até alcançado, que é o de sensibilizar as pessoas para a questão ambiental e os riscos de extinção para a tartaruga marinha, mas acho que mais controle e menos gente seria essencial para preservar um pouco o sossego da bichinha, que já tem um trabalho monstruoso o suficiente. A que observamos parecia tão incomodada, que nem conseguiu descansar direito o tempo que precisaria e já sentiu vontade de ir embora.
Melhor curtir a noite estrelada e dormir…para estar de pé às 4 e meia da manhã 🙄 Mas é por um bom motivo: o passeio pelos canais começa de madrugada pois nessa hora a fauna está mais ativa que no meio do dia. Depois de umas bolachinhas com chá (tomaríamos café da manhã como se deve na volta), saímos com o nosso grupo, um guia e o condutor do barquinho para umas horas de silêncio no meio do mato.

Que beleza de lugar: o sol nascendo e brilhando suavemente na água, a mata fechada ao redor, o ventinho no rosto, hmm…Depois de um tempo pelo canal principal, o barco vai se embrenhando pelos secundários e aí vamos vendo as figurinhas: iguanas (esquerda) e basiliscos jesus-cristo (direita), que tem esse nome por poder correr curtas distâncias sobre a água…

…bugios e famílias de pequenos micos, um jacarezinho…

…aves diversas e um casal de magníficos tucanos arco-íris.
Um bicho que eu queria muito ver, mas infelizmente é raro de ser encontrado por ser ainda alvo de caça por sua carne, é o manatí ou peixe-boi. Quem me conhece sabe que tenho um fraco por essas coisas fofas, como bem observou a Lucia Malla, num lindo post 😀
Voltamos para o hotel: hora de tomar café e ir embora para San José…Mesmo não concordando com a organização para ver a desova, esse é ainda um espetáculo maravilhoso da natureza e o parque, como um todo, tem uma beleza única. Adoraria ficar mais um dia para outros passeios pelos canais e descansar nas redes, só observando a mata…

San José seria o nosso destino para mais uma noite antes de voltar para o Brasil no dia seguinte…pena. Vontade de continuar explorando outros tantos pontos mais no país: ver praias lindíssimas no Parque Nacional Manuel Antonio, na área central do Pacífico, fazer umas trilhas no Parque Nacional Corcovado, no Pacífico Sul, navegar pelas regiões alagadas de Puerto Viejo de Sarapiquí, no norte do país…No entanto, eu também tinha um bom motivo para ter saudades de casa: meu primeiro sobrinho e afilhado querido, que tinha nascido bem no meio da viagem 😀
Mas espero por uma próxima vez na Costa Rica…

Outros mares…


Saímos cedo de Monteverde, ainda com tempo chuvoso…fizemos todo o trajeto de volta até a Interamericana e, a caminho de Guanacaste, o sol e o calor apareceram com toda força. Nosso destino hoje era a Playa Carrillo, à beira do Pacífico, atravessando a península de Nicoya, famosa pelas suas praias desejadas por surfistas do mundo inteiro.

(mapa de www.dreamsincostarica.com
Mas antes, uma parada no meio do caminho: fomos convidados pelos tios do Charles para almoçar na fazenda deles, em Guanacaste. Essa província está no noroeste do país, sendo uma boa parte dela em Nicoya – a maior das duas penínsulas que ficam na costa do Pacífico – e poderia ser o equivalente ao nosso Oeste Paulista ou até a um Texas ‘tico’: esta é a terra dos cowboys sabaneros, das fazendas e das tradições, como os carros de boi coloridos e a marimba, um tipo de instrumento musical parecido com um xilofone crescidinho.

E foi ao som de marimba, especialmente contratada para animar a reunião, que fomos recebidos na fazenda para um delicioso almoço. Delicioso e animado, já que todo mundo dançou muito, numa tarde que deu direito a comemoração de aniversários com quebra de piñata, piscina e observação de bugios ao lado da sede.

A gentileza e alegria deles em nos receber foi tocante e saímos todos encantados com a hospitalidade 😀
Ainda sobrou tempo para umas comprinhas, claro. A fazenda fica perto de San Vicente, um centro de cerâmica especializado em réplicas de peças chorotegas, uma etnia indígena precolombiana que vivia na região. Visitamos a casa de um artesão e sua oficina, onde ele explicou a técnica e mostrou as peças à venda. Claro que comprei umas pecinhas :mrgreen: , que vieram no meu colo na volta 🙄 : pequenos berimbaus 😀
Dá para ter uma idéia das peças no site deste museu, que foi inaugurado depois da nossa visita. Outra possibilidade para comprá-las é a cidade de Guaitil, mas ela é mais turística e tem preços maiores.
Depois dessa escala bem-vinda, continuamos cruzando a península até a costa. Chegamos à noite e descansamos: só iríamos ver o Pacífico no dia seguinte…

…num dia maravilhoso. E vamos para a praia!

Nosso hotel, o Guanamar, ficava em Playa Carrillo, bem no centro da península: uma praia super tranqüila, cheia de coqueiros. É ótima para descansar, pois além de quase deserta, tem pouca infra-estrutura e carros circulando.

Fomos depois conferir a praia Sámara, que fica a poucos quilômetros em direção ao norte. O ambiente é bem diferente da Carrillo, pois ela é um pouco mais urbanizada, além de ter muito mais gente aproveitando a areia. Aliás, não só a areia, mas principalmente a água: Sámara é um ótimo point para surf e se você quiser tentar, tem escolas prontas para te dar aulas 😉

Não, eu não tentei…só nadei um pouco (super correnteza!) e relaxei no sol e na sombra dos coqueiros, afinal os últimos dias tinham sido cheios de atividade e viagens.

E depois de uns camarões apimentados de almoço, acompanhados de uma Imperial (a principal cerveja da Costa Rica), no restaurante Las Brasas, nada como uma caminhada. E relaxar mais um pouco 😉


Uma das coisas que eu estava mais ansiosa para ver na viagem, e não poderia ter certeza nenhuma de que iria acontecer, eram as tartarugas marinhas desovando. Eu não sei bem o que as areias da Costa Rica têm de tão interessantes, mas é fato que praticamente todo o litoral do país, seja Pacífico ou Caribe, recebe diariamente tartarugas de cinco das sete espécies que existem no mundo: a verde, a oliva (ou lora), a cabeçuda, a de pente e a de couro (ou baula).
Eu já tinha escolhido ir a Tortuguero, no final de nossa viagem, justamente para ter mais chances de vê-las, mas quis garantir e tentar ver no Pacífico também. Por isso, voltando para o hotel naquela tarde, passamos por uma agência, a Carrillo Tours: quem sabe eles teriam algo para indicar? Não haveria saídas para ver as tartarugas em lugares mais distantes, como o Ostional ou o Parque Marinho Las Baulas, já que éramos só em dois, mas ele poderia nos levar ao Refugio de Vida Silvestre Camaronal, mais próximo de Playa Carrillo.
Mais próximo em termos…depois de descansar um pouco, saímos às 20h e levamos cerca de uma hora e meia até Camaronal: as estradas eram todas de terra. Chegamos numa praia com pouquíssimas construções, totalmente escura, só iluminada pela lua e fomos recebidos por um guarda. Ele conversava no walkie-talkie com um voluntário mexicano que estava fazendo o turno ali naquela noite e logo nos indicou o caminho: uma oliva já tinha chegado!

(foto de Josep Figuerola Sanchis em www.fotonatura.org)
Seguimos rapidinho até o canto direito da praia, silenciosamente, e com a ajuda de uma lanterna com infravermelho (para não atrapalhar a mocinha), pudemos enxergá-la. A tartaruga já estava em pleno processo de escavar a areia para montar o ninho e ficamos surpresos com a sua habilidade em usar as nadadeiras traseiras para escavar e retirar a areia ao mesmo tempo: como é cansativo! De vem em quando ela pára, descansa e retoma…seus olhos ficam brilhantes com as lágrimas que escorrem para ajudar a limpar a areia que os cobre.
Depois de cavar um buraco profundo (mais do que eu imaginaria que aquelas nadadeiras poderiam cavar), ela começa o processo de colocar os ovos, bem mais de uma centena deles. Eles vão se amontoando no ninho até que a futura mamãe decida que já está ok e ela então começa a tapar o buraco, arrastando a areia e compactando o ninho com o sua carapaça batendo para um lado e para o outro. Gente, é um trabalho danado…Bonito depois é ver a fofinha voltando para o mar, deixando seu rastro e desaparecendo na água…

(foto de www.turtlewatch.org (e) e www.jmarcano.com (d))
Depois disso, um sinal no walkie-talkie e corremos para o outro lado da praia: mais uma! Conseguimos ver agora as medições de casco e controles. O voluntário, muito simpático, nos explicou o trabalho ali e nos levou até os ninhos protegidos. O bacana é que éramos só nós dois ali, a praia era puro deserto e silêncio, a não ser pelas tortugas.

Que animal maravilhoso! Tive a oportunidade de nadar com elas em Noronha e ver colocar seus ovos na Costa Rica: agora só me falta ver os filhotinhos nascendo e correndo para o mar…
Se eu já gostava das tartarugas antes, agora muito mais… 😀
Voltamos bem tarde e no dia seguinte preferimos passar a manhã entre a piscina do hotel e Playa Sámara, onde almoçamos uma massa no Pizza & Pasta a Go-Go e voltamos em seguida, pois tínhamos marcado um passeio de barco para ver os golfinhos, que são freqüentemente avistados nessas águas.
Nossos guias eram um pescador e sua mulher, que nos levaram para um passeio que não contou com golfinhos, infelizmente…mas fomos premiados com uma visão desta baleia com seu filhote, uma visão hipnotizante 😀

Ainda tivemos algumas paradas para snorkeling e aproveitar os nossos últimos momentos no Pacífico…

Nessa noite o apéro teve um ingrediente especial adicionado às tradicionais bebidinhas: um ceviche preparado pelo hotel com os peixes trazidos pelos pessoal que não quis ir atrás dos golfinhos e preferiu se arriscar na pescaria. Depois, um jantar mexicano de despedida, já que iríamos nos separar depois de quase duas semanas viajando juntos. Alguns iriam embora para seus países, outros continuariam a viagem, como nós.

Nós dois ainda tínhamos mais uma escala antes de nos despedirmos da Costa Rica 😀

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Outras viagens…

Essa região do Pacífico é cheia de praias maravilhosas e para todos os gostos. Outros cantinhos que eu gostaria de visitar: 

Parque Marino Las Baulas: área especialmente criada para a proteção das baulas (tartarugas de couro), a maior das espécies de tartarugas marinhas, e que gosta especialmente desta região da costa.
– Mergulho no norte da península: o mergulho nas ilhas Catalina e Murciélago são famosos não pela visibilidade e corais, mas pela grande quantidade de vida marinha: raias, baleias, tubarões, tartarugas…
– Playa Tamarindo: surfistas adoram esta praia, uma das mais freqüentadas por eles na península.

Mim Tarzan, você Jane

O nosso próximo destino, Monteverde, estava a uma distância ridícula em linha reta de La Fortuna, fiquei animada. Mas…que ilusão. As estradas que pegam o caminho mais curto são horríveis e teríamos que dar a volta em todo a Laguna Arenal (que não é pequena) e ainda percorrer um bom trecho de serra. Ok…

Não que a paisagem fosse um problema, ao contrário: tivemos o lago nos acompanhando uma boa parte da viagem e o vulcão dando tchau, bem atrás de nós.
 
Depois de um tempo, caímos na rodovia Panamericana, que corta as Américas de norte a sul, em caminhos demarcados oficialmente ou não. Na Costa Rica, ela se chama Interamericana e é uma das principais vias de movimentação interna e entre os países vizinhos, Panamá e Nicarágua.
Paramos para almoço em Cañas, uma pequena cidade já no espírito sabanero de Guanacaste (falarei mais sobre isso no próximo post) e aproveitamos que ali perto estava Las Pumas, um centro de recuperação de animais silvestres. Eles recebem bichos confiscados e tentam devolvê-los ao meio ambiente, mas alguns ficam ali por toda a vida, infelizmente. Lá pudemos ver este lindo tucano arco-íris e grandes felinos, que são a especialidade deles.

E depois…ânimo para subir a serra, o que demorou um bocadinho: a estrada é de terra e não está nas melhores condições. No final da tarde chegamos ao centrinho de Monteverde, que não é nada mais que três ruas em formato triangular, com um comércio super movimentado. Só quando seguimos em frente é que percebemos a estrutura da cidade: ela continua por uma estrada de terra que segue até o parque, e as atrações, hotéis e restaurantes estão espalhados por ela. Tudo rústico, mas muito charmoso…Até me lembrou Visconde de Mauá 😉

Monteverde tem sua origem em uma comunidade quaker que chegou ali por volta dos anos 50 e se estabeleceu entre duas áreas de floresta, a Reserva Biológica Bosque Nuboso Monteverde e a Reserva Santa Elena. Eles foram responsáveis por boa parte da preservação que se observa na região, inclusive lutando contra o asfaltamento da estrada que vai da Interamericana até a cidade.
Fizemos o check-in no nosso hotel, o El Establo, não muito longe do centrinho. Ele é imenso…possui spa e canopy próprios e os blocos ficam espalhados por um terreno grande e bonito: existem até mesmo vans que fazem o trajeto dos quartos para a recepção. Os quartos são igualmente imensos e muito confortáveis, além de ter uma super vista: a planície de Guanacaste, o golfo e a península de Nicoya e o oceano Pacífico ao fundo. Era para lá que iríamos em breve…

Aproveitamos para descansar e planejar o dia seguinte durante a happy hour: a única certeza é que no dia seguinte iríamos experimentar o tão falado canopy (ou zip line) e tínhamos escolhido também onde: no SkyTrek, considerado o mais ‘radical’.

Bem, mas vamos ao que é o canopy: é um conjunto de tirolesas onde o sujeito sai deslizando por entre as copas das árvores (canopy em inglês, taí a origem do nome). A idéia aqui é se divertir e sentir um friozinho na barriga, e não observar os pássaros, que fique bem claro (para isso, é melhor seguir para o SkyWalk, ao lado, como fez o Ernesto).
Você se equipa com capacete, luvas e equipamento de rapel (e para nós também capas de chuva, pois o tempo não estava lá essas coisas…) e segue para o primeiro de onze estágios. Este é bem fácil, café-com-leite mesmo, para ver se é ou não a tua praia. Os outros vão aumentando em altura, velocidade e comprimento do cabo. É muito fácil: você é enganchado ao cabo por um equipamento com polia e…sai deslizando, basicamente :mrgreen:

Os primeiros estágios são tranqüilos e ainda tem uma trilhazinha na mata entre um e outro para relaxar. Mas aos poucos eles vão ficando mais altos (200 m de altura está de bom tamanho?) e mais compridos (o de 800 m é uma delícia, pena que é um dos últimos…). Em alguns momentos, parece que se vai bater contra as árvores ou os galhos, mas tudo é preparado para passar raspando…É quase como uma corrida de cipó à Tarzan pela mata, só que mais moderninha :mrgreen:

(foto de www.world-travel-photos.com)
Puxa, terminou? Dá para ir de novo? 😳
Pois é, até daria, mas a chuva começou bem nessa hora. Melhor procurar um cantinho aconchegante para repor as forças. Fomos parar no Sofía, um restaurante super charmoso, com várias críticas positivas no Trip Advisor. Ótima escolha, fizemos um longo almoço, com direito a uma beringela com queijo de cabra que estava uma belezinha 😉
Como continuava a chover, tivemos que abandonar os planos originais, que era visitar o Bosque Nuboso Monteverde. Essa região é considerada uma das reservas de floresta tropical mais importantes dos trópicos, pela variedade de fauna e flora que se encontra ali. É por causa de altitude onde se encontra, sobre a cordilheira de Tilarán, que a reserva se chama bosque nublado e não uma floresta tropical úmida e isso pudemos conferir durante o tour do canopy, afinal em certas partes passávamos voando dentro das nuvens…

(foto de Wikipedia)

A reserva biológica oferece passeios guiados pelas trilhas durante ou dia ou à noite, quando é mais fácil observar os animais. Um dos mais procurados, mas dificílimo de ser avistado é o quetzal, uma ave lindíssima, que atrai muitos ornitólogos ao local somente para vê-la.

(foto de critterimages.com)
Uma outra possibilidade é visitar a Reserva Ecológica Santa Elena, que fica na estrada oposta à que vai a Monteverde a partir do centrinho. Ela é um pouco menos visitada que a Monteverde e pode oferecer passeios mais tranqüilos. As duas reservas têm administração privadas e interessantes histórias de preservação.
Mas não teve jeito de ver uma ou outra, com a chuva que tinha intenção de entrar pela noite, então seguimos para um lugar coberto: o Ranário, perto do centrinho. Sapos, claro. Nunca se pode vê-los demais 🙄 Apesar de já termos visto um jardim deles no La Paz Waterfall Gardens, e soltos, este aqui vale a pena pela variedade e pelo acompanhamento do monitor, que explica muito bem cada tipo e suas particularidades.
Apesar de sempre existir jardins de bichos diversos pelo país, Monteverde parece concentrar interesses de todos os tipos: além de sapos, tem o tradicional jardim de borboletas, o de insetos, o serpentário… Para os que não fazem questão de tanta interação com a natureza, existem livrarias, lojas e galerias de arte onde o forte é trabalho com madeira. Como o que queríamos era mesmo botar o pé na lama, acabamos tomando um café e voltando para o hotel.
E descansar, pois tínhamos um convite muito especial para o dia seguinte…

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Outras viagens…

O que faz Monteverde tão especial é justamente o seu ambiente. Por isso, numa próxima vez eu adoraria visitar:
– o Bosque Nuboso Monteverde: o parque têm 13km de trilhas demarcadas, cada uma passando por vários tipos de paisagem diferentes.
– Reserva Santa Elena: para uma caminhada mais tranqüila e silenciosa. A reserva também oferece os passeios noturnos e passeios diurnos guiados, por 12km de trilhas.
– Sky Walk: é o irmão do SkyTrek, mas mais calmo. É parecido com as Puentes Colgantes do post anterior, mas com um ecosistema bem diferente e mais rico.

Aos pés do Arenal

Depois de um belo começo de dia na praia, é hora de tomar café, arrumar tudo e pé na estrada. Esse foi o dia mais longo de viagem, pois cruzamos do extremo sul para o centro/norte do país, onde fica La Fortuna, cidade aos pés do vulcão Arenal.

Para chegar até lá precisamos voltar por quase todo o caminho de volta a San José, mas tomando o rumo norte um pouco antes. Também por causa deste dia longo na estrada, optamos por fazer um almoço diferente: compramos coisinhas gostosas num vilarejo para fazer um piquenique e procuramos um lugar à beira rio…
Depois desse momento bucólico, estrada de novo e chegamos a La Fortuna no meio da tarde.
Deixamos as nossas malas no hotel e seguimos rapidamente para o Tabacón Resort para o aproveitar as águas termais e relaxar da viagem longa. Mas todos acharam que não valia a pena o preço para ficar apenas umas duas horinhas e fui voto vencido…chuiff. Tem problema, não. Voltamos para o nosso hotel, o Volcano Lodge, e aproveitamos as piscinas termais de lá mesmo, que tinham uma visão péssima :mrgreen:
O vulcão Arenal é ativo, mas não emite só aquela fumacinha leve que vimos no Poás: diariamente a lava escorre pelas encostas, proporcionando um belo espetáculo à noite, fazendo dos tradicionais apéros na varanda uma super atração. Os olhos de todos estavam sempre grudados no céu, esperando os rios vermelhos e a luminosidade que vinham do vulcão.
(foto de www.travelblog.org)  
Ainda saímos para sentir a noite de La Fortuna: a cidade é pequena e super pacata, tudo acontece em torno da avenida principal, onde se concentram os restaurantes, serviços e alguns hotéis. Jantamos em um restaurante bem recomendado, o Nene’s: comida deliciosa e leve, ceviche e um peixinho no vapor muito bom.
No dia seguinte pegamos a estrada que contorna a base do vulcão até chegar às Puentes Colgantes de Arenal. É uma reserva fabulosa de mata em um cânion, de onde se pode ver o Arenal, atração-mor.
A diferença deste lugar para outros pedaços de floresta, é que existe uma trilha de pontes suspensas cruzando o vale.
Além de ver os bichos e a vegetação…
…ainda se pode acompanhar o riozinho que corre ao longo da trilha.
As crianças adoraram o passeio (que fique claro: crianças de todas as idades 😉 )
Voltando no sentido de La Fortuna, passamos pela pontinha do Lago Arenal que fica mais próxima da cidade, aos pés do vulcão. Essa estrada, que percorremos bastante nesses dois dias, tem uma paisagem linda ao redor: às vezes vemos o vulcão e o lago, muitas vezes mata chegando bem perto e bichos como essa quatizinha que apareceu de repente (para nossa surpresa e medo pela segurança dela)…
Outra coisa que gostei muito foram as cercas ‘vivas’ da região: os troncos das cercas são realmente árvores, com uma poda especial.
Pegamos uns lanchinhos rápidos na cidade para um piquenique no meio do mato: nosso destino era a Catarata de La Fortuna: uma queda de 70 metros, alcançada através de uma trilha curta, mas íngreme.
Não estava com tanto calor assim a ponto de cair na água, mas com certeza dava vontade. Foi um belo fim de tarde para um dia tranqüilo, que terminou no mesmo astral: todo mundo nas piscinas termais do hotel, curtindo a última tarde perto do Arenal 😉  Mas como sempre temos pique para comer, voltamos para o centrinho da cidade para jantar no La Choza de Laurel: um restaurante típico, meio turistão, mas com comida gostosa e ambiente simpático.
No dia seguinte acordamos cedíssimo e nem esperamos pelo café da manhã para entrar na área do Parque Nacional Volcán Arenal e conferir o Observatório. Este lugar é, ao mesmo, uma pousada (a única dentro do parque) e base de monitoramento do vulcão e de atividades sismológicas, conduzida pelo Instituto Smithsonian.
Apesar do contínuo derramamento de lava e da coluna de fumaça que sobe, noite e dia, o Arenal teve sua última grande erupção em 1968 quando causou grande estrago, matando pessoas e espalhando lava por uma área gigantesca. Desde então, ele tem se mantido calmo e os especialistas garantem que a região é (relativamente) segura.  Por via das dúvidas, todos os carros na cidade sempre devem ser estacionados de ré…
Numa próxima vez eu escolheria me hospedar aqui: é o mais próximo do vulcão que você vai estar, com lindas vistas dele e do lago, caminhadas até as trilhas de lava e pelos bosques ao redor, cheio de bichos.
Nós so andamos um pouco por lá, tínhamos que colocar o pé na estrada de novo. Mas o pouco foi suficiente para querer voltar 😀
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Outras viagens…

Além de passar mais tempo no Observatório, fazendo as trilhas ao redor, outras sugestões de passeios são:
– Trilha até o Cerro Chato: vulcão com um lago na sua cratera e que possui ótima vista para o Arenal.
– Tabacón Hot Springs: com certeza voltaria para uma tarde de relaxamento nas piscinas térmicas naturais, no meio de jardins tropicais.

Pura vida* em Puerto Viejo

A nossa segunda escala na Costa Rica foi Puerto Viejo de Talamanca, região de colonização jamaicana no Caribe Sul, cerca de 210 km de San José. Um lugar remoto e tranqüilo, com lindas praias, povo relax e muitas ondas.

Esse era o nosso primeiro contato mais íntimo com as estradas costarricenses e já tínhamos nos preparado, alugando uma Grand Vitara que se revelaria uma ajuda incrível em alguns trechos rodados. O primeiro trecho, e maior deles, é por uma estrada de boa conservação, mas de mão única e bastante movimentada, já que o seu destino principal é Puerto Limón. Esta é a maior cidade da costa caribenha e base de um grande porto exportador, principalmente de bananas: a economia da região é baseada em boa parte nesta monocultura. A melhor parte deste trecho é pouco depois de Heredia, quando percorremos um longo trecho dentro do Parque Nacional Braulio Carrillo, rodeados de verde a perder de vista.


(mapa de www.1-costaricalink.com)
A segunda parte da viagem, costeando o Caribe depois de Limón, foi um pouco mais difícil, pois a estrada tinha muitos buracos (em parte por causa das chuvas da temporada)  e a velocidade média caiu muito neste trecho. Aproveitamos para fazer uma parada para relaxar um pouco e almoçar. O restaurante escolhido, Sobre Las Olas, é um cantinho lindo à beira-mar em Cahuita, que não se contenta em ter só um belo visual, mas também uma comida muito boa: escolhi um peixe à moda creole que estava uma delícia, hummm…

Tudo isso colaborou para uma refeição demorada… (ah, férias 😀 ) Depois dessa pausa bem-vinda depois de algumas horas na estrada, voltamos à ela por mais uns minutos até nosso ponto final, a pequena Puerto Viejo de Talamanca. Nossa pousada ficava um pouco depois da cidade, já na estrada para o Parque Nacional Gandoca-Manzanillo, com apenas a estrada e um coqueiral a separando da linda Playa Cocles: La Costa del Papito.

(Aqui vale uma nota: a organização da viagem foi toda do anfitrião, que escolheu itinerários e hotéis junto com o seu agente costarricense, além de reservar toda a frota usada por nós. O único trabalho que tivemos foi entrar em contato com a agência e organizar pagamentos. Super gentileza, com tanta coisa que ele tinha para pensar…dá até para ficar mal-acostumado 😳 )

A pousada, além de muito bem localizada, entre o centrinho e as praias mais bacanas, era um chuchu: vários bangalôs de madeira entre um jardim tropical muito bem planejado e cuidado, onde até os macacos davam as caras. Super rústico e confortável, ao mesmo tempo.

Os bangalôs também tinham redes e uma mesa na varanda, onde era servido o café da manhã que você escolhia no dia anterior, junto com o horário preferido: continental, panquecas, ‘tico’ com gallo pinto


(Tradução: tico – apelido dado aos costarricenses e coisas do país; gallo pinto – comida típica do café da manhã ‘tico’: arroz cozido com feijão preto, um pouco de pimenta e temperos, servido com sour cream. Imperdível quando bem feito.)
Como ainda tínhamos um restinho da tarde para aproveitar, resolvemos ir até a Playa Chiquita. Foi aí que tivemos uma idéia melhor da beleza das praias de Puerto Viejo, que já tínhamos imaginado pela praia do restaurante onde almoçamos…Uma bela faixa de areia branca, sempre afastada da estrada por uma mistura de mata e coqueiral que prende o olho com um verde vivo. Apesar da água não estar com uma cor bonita devido à época, a temperatura estava perfeita e nadamos até quase o pôr-do-sol.

(fotos de www.1-costaricalink.com)
As noites em Puerto Viejo são animadas: a cidade é super pequena, mas tem muitas lojas, restaurantes e barzinhos abertos até tarde, sempre com um reggae acompanhando, muitas vezes ao vivo. Não dá mesmo para esquecer a influência jamaicana na região, resultado de um estímulo à imigração com o objetivo de recrutar trabalhadores para as fazendas de banana.
O dia seguinte amanheceu nublado, mas mesmo assim pegamos o carro e seguimos para as praias de Manzanillo e Punta Uva.  A temperatura estava ótima para caminhar na praia, mas com nuvens as praias não ficam tão lindas…mesmo assim nos surpreendeu a tranqüilidade e privacidade que se encontra nestes cantos. É uma maravilha 🙂

Outra coisa bacana é que, apesar de não se ver serviço de bordo nas praias, é só caminhar alguns metros até a estrada principal que você tem vários restaurantes à escolha. Com o começo da chuvinha, decidimos parar para almoçar em uma soda, que são os restaurantes mais populares, que servem casados: o nosso conhecidíssimo PF. Este em que comemos era gerido por uma família, a mãe cozinhando e outros ajudando ou servindo. Um ambiente gostoso, totalmente aberto e com vista para a mata…cerveja geladinha e comida saborosa: arroz, peixes, legumes, salada…
E para aproveitar a tarde fechada, um momento ‘eu me permito’: marquei uma massagem no spa da pousada, o Pure Jungle Spa. Eu adoooro massagens e quando soube que tinha um spazinho no lugar, já tratei de experimentar. Primeiro um escalda-pés rápido com flores e depois massagem com produtos locais: cacau, mamão, ervas…uma delícia. A cabana é inteira de madeira e as janelas ficam escancaradas para a mata, àquela hora verdíssima com a chuva, eu não sabia se prestava atenção na massagem ou na paisagem… Eu já estava relaxada, mas é sempre bom se garantir 😉
Iríamos embora no dia seguinte…uma pena, tinha gostado muito do lugar, mesmo com o tempo esquisito. E não é que acordei espontaneamente, antes das 6 da manhã (isso nunca acontece comigo)? E com luzes entrando pelas frestas? Na hora em que coloquei os pés para fora do bangalô…um sol maravilhoso! Fui logo para a praia curtir aquele começo de dia lindo.

A praia da pousada é chamada de Playa Cocles, é bem extensa e com ondas, além daquele visual já conhecido de areia branquinha e coqueiral atrás. Não tinha ninguém na praia, só eu e um sol já de queimar…
Ah, claro, estavam ali também os habitantes da areia: montes e montes de siris, que deram as caras quando estendi a minha canga e fiquei bem quietinha. Uma beleza, vê-los ali, saindo da toca para ver se estava tudo bem…até um pobre coitado cuja toca foi coberta pela minha canga: vi algo levantando o tecido e logo o afastei para a saída do pequeno 😳
Essa praia, assim como as outras que visitamos, são portadoras da Bandera Azul Ecológica, um programa do governo que identifica as praias que têm controle de poluição e estão entre as mais limpas e seguras do país.

Essa manhã na Playa Cocles também é a história da foto do meu cabeçalho 😉
 

Depois dessa manhã linda, nem reclamei de fazer as malas e seguir viagem…
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Outras viagens…

Com bom tempo, eu dedicaria pelo menos uns 3 dias a Puerto Viejo. Aqui seguem algumas sugestões com o que eu faria numa próxima vez em Puerto Viejo de Talamanca:
– Refugio Nacional de Vida Silvestre Gandoca-Manzanillo: seguindo pela estrada que sai de Puerto Viejo em direção às praias, o ponto final é este parque, que se estende até a fronteira com o Panamá. É uma combinação de mata e pântano com praias lindas (e recifes de coral também protegidos): as suas trilhas foram muito recomendadas. Observação de animais também é um ponto forte: tucanos, macacos, peixes-bois e tartarugas marinhas são alguns que podem ser encontrados por aqui.
Aviarios del Caribe: é um centro de pesquisas de bichos-preguiça, um dos animais mais representativos do país (possui também uma pousada). Você pode fazer passeios de canoa pelo delta do rio que passa dentro da propriedade ou simplesmente curtir as fofas preguiças que estão sempre por ali.
* Pura vida: é uma expressão muito usada para difusão do país e dentro dele, significando bom humor, uma atitude positiva, que está tudo bem…enfim, de celebração de vida.

(A grande) San José é uma festa

Chegamos ao aeroporto de San José numa tarde chuvosa e quente, depois de uma escala em Lima. Os nossos anfitriões, mesmo com tantas coisas para resolver antes do casamento, foram nos buscar e seguimos adiante, aproveitando para colocar o papo em dia enquanto esperávamos o trânsito se resolver.

Não nos hospedamos na capital, mas em Heredia, uma charmosa cidade da grande San José, a apenas 11km da capital. Ficam ali a Universidad Nacional, sedes de multinacionais (especialmente de tecnologia), algumas construções coloniais e também pontos de interesse mais pessoais para nós. Além de estar numa região mais alta e com muito verde, Heredia também se revelou ideal para fugir do trânsito de San José e um bom ponto de saída para ir aos lugares que queríamos visitar.

Ficamos no excelente Hotel La Condesa, que, além de ser muito confortável e ter ótimo serviço, era um ponto estratégico, já que a festa de casamento seria no próprio hotel.  Aproveitamos o resto da tarde comendo decentemente, relaxando e fazendo social, já que muitos dos convidados/viajantes já tinham chegado também.

Reservamos estes quatro dias para relaxar, comer bem, (re)ver a família do Charles e, claro, fazer o que todo turista gosta: turistar :mrgreen: A região em torno da capital é cheia de coisas muito bacanas para se fazer e normalmente se chega a elas através de estradinhas pequenas por áreas de linda vegetação e cidadezinhas simpáticas.  Aliás, tudo na Costa Rica é fácil: a escala das cidades é humana, as pessoas sempre têm um sorriso no rosto e adoram te ajudar, a comida te lembra alguma coisa familiar…A única questão a que não nos acostumamos é a da orientação: eu, que sempre me vangloriei de ter um ótimo senso de direção, me senti muitas vezes totalmente perdida por lá, como uma bússola desmagnetizada. O método de usar cem metros como um padrão de referência de distância também não ajuda: pode significar 100m, um quarteirão ou nenhum desses dois 🙄
Bem, vamos lá: o primeiro desejo era ver um vulcão. Sabe aquele clichê de criança, vulcão triangularzinho e tudo? Pois é, nunca tinha visto um e saber que eu estava perto de tantos aguçou a curiosidade antiga: a Costa Rica está localizada sobre o Círculo de Fogo do Pacífico e possui mais de 100 vulcões, apenas alguns destes ainda em atividade. Dois destes estão muito próximos de San José: o Irazú e o Poás, sendo que escolhemos este último por estar mais próximo de Heredia.
O nosso pecado: saímos tarde e nem chegamos ao final da subida até o estacionamento do parque nacional. Uma névoa cobria tudo e não veríamos sombra da cratera. Ok, meia volta e alguns minutinhos até o La Paz Waterfall Gardens. Esse parque particular seria uma amostra do que veríamos freqüentemente na nossa viagem: um turismo muito bem estruturado. O parque é organizado ao redor de um rio que tem cinco lindas cachoeiras, com um conjunto de trilhas e mirantes que facilita a visão de todas elas.


Além disso, eles têm um borboletário (existem muitos destes no país e também fazendas de borboletas para exportação)…


…um jardim de beija-flores (muitos e muitos, eles passam zumbindo por você, sem medo)…

…e um belo ranário, onde você descobre um sapinho (venenoso) diferente em cada canto (ok, com a ajuda do monitor melhora bastante).



(Já deu para perceber que eu adoro sapos? 🙄 :mrgreen: )
O lugar é lindíssimo e divertido e ainda bem que a chuva só foi cair bem no final do nosso passeio. Mas ainda não tínhamos desistido de visitar o Poás. Uma boa parte do nosso grupo se animou no dia seguinte e saímos bem mais cedo. Hmmm…os deuses que habitam os vulcões deviam estar enfurecidos, porque a névoa estava lá. Bem, já que não iríamos voltar por uma terceira vez, continuamos. Estacionamos. Andamos até a borda da cratera. E esperamos.

E esperamos…eba!

Essa é a cratera principal, com seu lago cor-de-experimento-químico-que-não-deu-certo. É aqui que se pode ver o vulcão em atividade: nestes últimos tempos o único sinal visível é a fumacinha discreta que sai das paredes da cratera (felizmente). A visão que se tem da cratera principal é muito impressionante, assim como a mata que cobre as encostas do vulcão e que abriga algumas trilhas, como a que vai até a outra cratera, a da Laguna Botos, só que com uma visão bem diferente…

Apesar das nuvens, ou por causa delas, a paisagem nos prendeu. Que lago…e que mata! Esta cratera não está ativa há muito tempo e isso explica a existência de todo esse verde. Valeu a pena ter entrado no parque mesmo com todas as chances contra 😉
Ainda pudemos, nestes dias, conhecer Heredia: o clima é de cidade do interior, com muitas pessoas relaxando na praça da catedral, muito comércio e cafés ao redor. O centrinho da cidade é muito simpático e tem algumas construções coloniais, do séc. XIX e começo do séc. XX. 

(fotos de www.tropicocr.com (e) e www.commons.wikipedia.com (d) )
Fomos também até Sarchí, uma cidade cheia de artesãos, que fazem principalmente este tipo de pintura, típica da Costa Rica (o carro de boi também é símbolo do país).

Claro que demos um pulinho em San José, mas a visita a pé foi totalmente frustrada por uma forte chuva, assim como o almoço planejado num restaurante charmoso, que não achamos de jeito nenhum (nem o segundo restaurante escolhido, nem o terceiro…). Simplesmente não nos encontramos por lá. Pelo pouco que vimos, nos pareceu uma cidade muito agradável, com alguns bairros bons para se passear a pé e um centrinho típico de capital latino-americana, mas não é caótico, só movimentado.
E por último, e mais importante, o motivo de nossa viagem: o casamento! O local da cerimônia não poderia ter sido melhor escolhido: uma capelinha charmosa no meio do mato, na área alta de Heredia, de onde se tinha uma vista maravilhosa de San José…e dali, direto para a festa animadíssima no hotel, pertinho dali, com direito a muita salsa, shots de tequila e até escola de samba!

Foi um belo começo de viagem que prometia 🙂

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Outras viagens…

Tem muita coisa a ser feita nessa região chamada Valle Central. Aqui seguem algumas sugestões do que eu faria numa próxima vez em San José e arredores:
Vulcão Irazú (dizem que dá para ver os dois oceanos do topo) e Cartago, cidade colonial: 24 km ao sul de San José
– San José, para explorar o centro, construções históricas e visitar o Museu de Jade.
Fazenda de borboletas La Guácima: aproximadamente 25 km a oeste de San José, é uma oportunidade de ver a exploração comercial das pupas (a borboleta dentro da crisálida).
Parque Nacional Braulio Carrillo: é uma região grande de floresta tropical protegida, que está praticamente às bordas de capital. É possível fazer trilhas, incluindo a subida até o Vulcão Barva, e um outro passeio recomendado, a observação da floresta no Rain Forest Aerial Trams.
– Rafting: a região próxima a Turrialba (64km de San José) é a chamada capital do white-water rafting na Costa Rica e o maior movimento se dá em torno dos rios Pacuaré e Reventazón. Normalmente são comprados pacotes nos quais já está incluído o transporte.
Outro programa muito procurado são as fazendas de café, como a Britt, com programação turística que inclui visitas às plantações e degustação, tudo muito organizado, claro. Mas para uma mulher que tem suas raízes em uma área cafeeira do sul de Minas e desde criança brincou em terreiros de secar café, o passeio me pareceu um pouco ‘gringo’ demais. Mas eles aproveitam todo o seu potencial turístico e isso é de se admirar. Por que não podemos fazer o mesmo por aqui?

Com o pé na estrada: Costa Rica

A Costa Rica não é um destino muito conhecido ou desejado pelos brasileiros. Um dos motivos é uma certa dificuldade para planejar a viagem: existem poucos vôos e, apesar de um destino latino-americano, o país não é muito barato em função das pencas de turistas europeus e, principalmente, norte-americanos que aparecem por lá. O outro motivo é que…por que sair do Brasil para ver florestas tropicais? Fauna típica? Plantações de café? Lindas praias?

Porque o país se parece uma versão miniatura do nosso e essa é justamente uma das boas razões para visitá-lo. Em poucas horas você sai da capital para uma linda praia na costa caribenha, para logo depois estar numa região parecida com o Pantanal, dar um pulinho até os parques nacionais de floresta e em mais duas horas estar na costa do Pacífico. Bacana, não é mesmo? E que tal ainda colocar uns vulcões e um temperinho latino na mistura? 😀

Pelas descrições que já tinha lido, a Costa Rica era um daqueles lugares que eu sabia que iria adorar. A desculpa perfeita para aterrissar no aeroporto de San José era o casamento do Charles, grande amigo do Marc e de quem ele seria padrinho. Depois do casamento, os noivos, amigos e família sairiam para uma lua-de-mel inédita e coletiva, percorrendo o país de costa a costa, literalmente.

(mapa tirado de costa-rica-guide.com)
Se eu quero ir??? Claro que eu quero :mrgreen:
Nossa viagem começa em San José e arredores, continua pela costa caribenha sul, Puerto Viejo de Talamanca…

…passando depois pela lindíssima região do vulcão Arenal…

…pelas florestas de Monteverde (e a super diversão do canopy)…

…até a outra costa, a do Pacífico, praia Sámara e Carrillo…

…e voltando ao Caribe, desta vez na costa norte, para aproveitar as praias e os canais cheios de vida de Tortuguero.

Eu já estava morrendo de saudades dessa viagem, feita em julho de 2006…e esse blog também é uma desculpa, só que para relembrá-la 😉
PS: Essa série é uma homenagem ao nosso queridíssimo anfitrião Charles e à sua muito gentil família 😀

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