Velha Boipeba

Não poderia deixar de falar de Velha Boipeba, a principal vila da ilha e local onde se pode dar uma olhada no dia-a-dia do pessoal que vive lá, bater um papo e conhecer alguns boipebenses (É isso mesmo? Ou boipebanos? Tô confusa 🙄 )
Bem de acordo com o espírito baiano, o pessoal de Boipeba é muito gentil e acolhedor: alguns vêm conversar com você, saber de onde vem, se está gostando…Por outro lado, muitos são tímidos, provavelmente pelo fato de não estarem totalmente acostumados com a invasão turística no seu pedaço.

Algumas vezes, estando na vila de canga, sacola de praia e outros apetrechos praianos, eu me sentia uma alienígena… eu destoava da rotina tranqüila que estava ali instalada. Tenho que lembrar que a época em que estive lá era considerada baixa temporada, vi pouquíssimos turistas. Talvez a sensação mude no verão, alta temporada.

Saindo da Boca da Barra, chega-se à vila andando à esquerda em direção ao atracadouro no rio. Chegando ali, é só subir uma ladeirinha e já se vê a praça principal.

É grande e muito tranqüila, com umas árvores de sombra boa, onde dá para relaxar e observar o movimento: a criançadinha da pré-escola brincando, os meninos jogando futebol no campinho, as charretes transportando de tudo, para todos os lados…

Subindo a ladeirinha à esquerda, você já vê no alto a Igreja do Divino Espírito Santo, do século XVII. Uma fofura de igreja, pena que estava fechada.

Adorei essa foto no site da pousada, que deve ser da festa de Iemanjá… é da lavagem da igreja (ou de suas escadarias), que acontece em maio, quando várias mães-de-santo vêm do continente. (Obrigada, Ana Carolina!)

(foto do site da Pousada Santa Clara)
Andando pela vila, dá para ver as casinhas do pessoal…

…as ruas mais comerciais (a vila tem algumas pousadas e uns poucos restaurantes)…

…a garotada no intervalo da escola…

…e muitos outros detalhes.

Num dos cantos da vila, no sentido do centro da ilha, está o roldão de dendê. Aqui podemos ver o método mais tradicional de extração do azeite de dendê.
Primeiro o dendê é amassado no roldão…

…e depois vai para o tanque, onde o dendê moído é lavado para soltar o óleo, que se separa da água e sobe à superfície.

Depois retirado da superfície da água, ele vai ainda para um tanque, para ser fervido e ter o restante da água evaporada. E aí está prontinho para ser envasado: R$ 3 o litro, dá para acreditar?
Se você for a Boipeba, tire um final de tarde para conhecer a vila, vale a pena. Eu sempre arranjava qualquer desculpa para dar uma passadinha por lá: comprar água, telefonar (eu não levei celular)…
E aqui acaba o relato. Depois de três dias de um delicioso não fazer nada, voltei para Salvador numa manhã ensolarada, só para me deixar com mais vontade de ficar. Eu realmente fiquei um pouco triste de ter que ir embora, mas não tem problema: pretendo voltar logo.  😀

Boipeba 360º

No meu segundo dia na ilha, queria ir um pouco além e fazer um passeio de barco. Batendo papo com o Charles, na noite anterior, falei o que queria e ele já tinha esquematizado uma ida até às piscinas naturais de Moreré para uma família dinamarquesa que eu já tinha conhecido, também hospedada na pousada.
Éramos sete na lanchinha: eu, os quatro da família e um casal de Salvador. Estava tudo bem, só que…eu não queria ir só até Moreré, eu queria dar a volta na ilha.

(foto do site www.boipeba.tur.br)
Claro que o preço era um pouco maior, mas para mim estava ok e para o casal também. Os dinamarqueses não tinham certeza, me perguntavam se valia a pena…eu não sabia, era a minha primeira vez em Boipeba! Mas só descobriríamos indo e eles então concordaram em completar o circuito.
Primeira parada: as famosas piscinas naturais de Moreré. Como era baixa temporada, havia pouca gente e pudemos aproveitar bem o nosso tempo lá. Os tradicionais peixinhos listrados estavam lá e a menina, de uns 4 anos, estava encantada com tantos deles comendo na sua mão…nunca tinha visto algo parecido (os pais me confessaram que eles também não!).

(foto do site www.boipeba.org.br)
A água tem uma temperatura perfeita e você perde um pouco da noção do tempo, conforme vai se afastando para conferir os recifes mais distantes, indo atrás de um peixe aqui, procurando algo mais ali…infelizmente os polvos e lagostas vêm rareando nestas áreas. Os pescadores têm que ir cada vez mais longe para conseguir algum resultado.
Seguimos para a praia de Moreré e fizemos uma caminhada até Bainema, dando uma olhada na vila. É um bom intervalo para se recuperar dos pulos da lancha, que neste trecho circula em mar aberto.
A nossa última parada nesse lado da ilha é na Ponta dos Castelhanos, uma pequena praia onde um navio espanhol naufragou no século XVI. Dizem que dá para vê-lo quando se faz snorkeling na maré baixa.

Muitos pescadores também montam acampamento aqui, para uma semana intensiva de pesca.

A essa altura já estávamos morrendo de fome e o nosso almoço já estava devidamente encomendado ao seu Orlando, dono do (único?) restaurante em Cova da Onça, um dos três povoados da ilha, junto com Velha Boipeba e Moreré.
Chegando lá, pudemos tomar um banho de água doce e tomar uma decisão difícil: polvo, lagosta, peixe ou camarões? Na dúvida, pedimos todos e…estava tudo perfeito. Foi uma bela tarde à beira-mar, lindo sol, comida deliciosa e boa conversa, ali na varanda da casa do seu Orlando. Aliás, ele é uma simpatia de pessoa, adora puxar papo e contar suas histórias. O dinamarquês estava em êxtase, não acreditava estar num lugar daqueles…tinham adorado tudo.

Andamos um pouco pela vila, visitando a igreja de São Sebastião, e saímos dali um pouco contra a vontade…

Nosso passeio continuou por águas calmas, contornando a parte da ilha que é voltada para o continente. Mangues e mais mangues, uma paisagem que caiu bem para aquela tranqüilidade pós-almoço 😀

Já estávamos felizes com tudo isso, mas ainda tinha mais uma parada: o Ponto das Ostras. São bares flutuantes em frente a uma pequena comunidade na Ilha de Tinharé, que servem também como pontos de cultivo das ostras. Muito prático: eles puxam as cordas ao lado do bar e vão abrindo as ostras ali mesmo. A princípio não iríamos comer muito, mas depois de ver as ostras fresquinhas…ninguém resistiu! Mais caipirinhas foram pedidas e ali continuamos com ‘la dolce vita’. Um sossego…só nós ali, batendo papo e observando a garotada brincando nas margens…

Mais um pouco de passeio pelos canais e estávamos de volta à Boca da Barra…passou tão rápido.
O balanço do passeio: mais que aprovado, por todos 🙂
PS: Como todo fim de dia, ainda fiquei ali na Boca da Barra para esperar o pôr-do-sol incrível que bate cartão naqueles cantos…

E com vocês…as praias

Descansou bem? Tomou um café-da-manhã gostoso? Então vamos explorar as praias de Boipeba.

(mapa do site www.boipeba.tur.br)
O ponto de partida é a a praia da Boca da Barra, onde encontramos a maioria das pousadas, o acesso à vila e os bares pé-na-areia.

Uma característica bacana da praia é que ela tem dois lados: um virado para o oceano e outro para o Rio do Inferno, na sua foz. Água salobra ou salgada, você escolhe. Você pode vê-la na foto abaixo, com o rio no canto direito.
 
Apesar de ser a praia mais acessível da ilha, a Boca da Barra é bem tranqüila, pouca gente na areia e circulando.

Através de uma trilhinha chegamos à praia de Tassimirim, cheia de lindos chapéus-de-sol.

Apesar de ter alguns recifes que podem atrapalhar um pouco o banho, a praia é uma delícia: pouquíssima gente efetivamente relaxa por ali e as árvores criam a sombra perfeita. Coqueiros são muito fotogênicos, mas nada como um chapéu-de-sol para abrigar o banhista naquela horinha da sesta 😀

Não cochilei, mas foi o lugar perfeito para ler um pouquinho e cair a ficha de que eu realmente estava naquele lugar incrível…A única companhia que tive nessa manhã foram uns poucos pescadores.
Está tudo muito bom, mas é hora de levantar canga e continuar o praia-tur. Tassimirim não é muito grande e, andando mais um pouquinho e contornando uma grande pedra, chegamos em Cueira.

A primeira visão da praia impressiona…grande, coqueiros sem fim, ela faz uma curva muito bonita. As ondas são fortes e vi algumas pessoas surfando, mas o canto esquerdo da praia é bom para banho.

Além disso, neste cantinho também fica o seu Guido, famoso por cozinhar suas lagostinhas numa barraca improvisada à beira-mar.

É tudo muito rústico, mas uma delícia e o seu Guido é uma simpatia. É só pedir uma cervejinha, enfiar o pé na areia e esperar a sua lagosta. A porção individual varia de R$ 15 a 20 reais, que tal? Se você pedir com antecedência, ele também faz um polvo maravilhoso.
Depois de comer um pouquinho, que tal uma caminhada? A próxima praia é Moreré, uma outra vilinha de Boipeba, famosa pelas piscinas naturais que ficam em frente à praia.

Você tem duas opções: ir pela praia e atravessar o rio, se a maré estiver baixa. Como ela já estava subindo na hora em que fui para Moreré, acabei indo por dentro da ilha, através de uma trilha de mais ou menos 50 minutos.

O bom da trilha é que, além de queimar as calorias, ela passa por uma parte alta de Boipeba em que se pode ver quase todas as praias do lado leste e sul da ilha. Uma beleza. Essa aí de baixo é Moreré, dá até para ver uma parte mais clara, onde ficam os recifes.

A vila é bem pequena e tem um restaurante muito recomendado, o Mar e Côco. Uma pena que não o peguei aberto, fica para a próxima vez…

Mais uma pequena trilha e você está em Bainema, a última praia que pode ser atingida a pé neste trecho da ilha. É uma longa praia cheia de coqueiros, deserta.
Mas não acabou…vamos um pouco mais longe no próximo post.
PS: Apesar de eu ter feito um só post sobre as praias, acredito que tentar visitar todas em um só dia vai te deixar mais estressado/a, o que não é o objetivo num lugar desses! Como sugestão, fique um dia na Boca da Barra, Tassimirim e Cueira e em outro vá até Moreré e Bainema. Na alta me disseram que existem barquinhos trazendo de volta os visitantes para a Boca da Barra, assim como tratores que fazem aquela trilha que eu percorri, indo de Moreré à Velha Boipeba, a vila principal. Não foi o caso quando estive lá, era baixa temporada e a ilha tinha poucos visitantes. É bom se programar antes…

Preparativos para a ilha…

O primeiro passo foi escolher a pousada e acabei ficando com uma das três opções que o Ricardo sugeriu no seu post no Viaje na Viagem (ver post anterior): a Pousada Santa Clara.
Eu já tinha gostado das fotos do lugar, achei que tinha um astral bacana. Depois, ao fazer as cotações, descobri que era o melhor custo-benefício e, além disso, o atendimento feito pelo dono, o Charles, foi uma simpatia.
Só faltava descobrir como…chegar lá. As opções eram muitas: ferry-ônibus (ou táxi)-barco (rápido ou lento), avião até Morro-transfer, catamarã até morro-dormir-transfer, avião fretado direto e várias outras combinações de meio de transporte. Complexo…
Descartei as opções que passavam por Morro, pois não queria dormir lá uma noite ou acordar cedo e me apressar para o aeroporto. O fretado direto para Boipeba foi descartado por razões óbvias – R$ 4.000,00 está bom para você? 🙄
Combinei então o transfer com a pousada: eu pegaria o ferry até Itaparica (Bom Despacho) e lá pegaria o ônibus para Graciosa, um vilarejo um pouco abaixo de Valença. Ali eu pegaria um barquinho rápido até a ilha.

(mapa do site www.ilhaboipeba.org.br)
Apesar de parecer um pouco trabalhosa, a ida foi bem tranqüila.  Já dentro do ferry comprei a passagem para Graciosa, pela Viação Cidade Sol. Os horários combinam com a chegada do ferry a Bom Despacho: é descer de um e subir no outro.
O pessoal da pousada sugeriu um táxi, caso não quisesse tomar o ônibus de linha, mas é muito, muito mais barato e também divertido: ele faz algumas paradas no meio do caminho e é sempre bacana de ver a movimentação dos passageiros, dos vendedores que sobem até o ônibus…
Ao chegar a Graciosa, o Silvinho, dono do barco, já estava me esperando para a parte final da viagem, que iria durar cerca de 50 minutos. A paisagem dos canais é linda: mangue e mais mangue, numa super tranqüilidade que já me fazia imaginar o que eu iria encontrar na ilha.

Pouco tempo depois de partirmos, passamos ao lado da ilha de Cairu, sede do município e onde vemos duas bonitas construções coloniais: o Convento de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora da Luz.
 
Infelizmente os horários, tanto da ida, como da volta, não me deixaram parar um pouco em Cairu…fica para um próxima vez.

Já bem relaxada depois do trajeto, com direito a muitas garças e um belo fim de dia, cheguei a Boipeba, na praia da Boca da Barra.
Pude ver a pousada um pouco melhor no outro dia…e era o que eu estava esperando: é simples, bem de acordo com o espírito do lugar, e muito charmosa. Em cada canto que você olha, você vê o capricho e o bom gosto com que tudo foi feito: o jardim impecável, cheio de pequenas esculturas, os mosaicos por toda parte, flores frescas em todos os lugares…

Fiquei com o chalé chamado de ‘casa da árvore’, pequeno e simpático, um banheiro em baixo e o quarto em cima e uma varanda.

Das janelas do quarto se via o jardim tropical…
 
…e um pouco do mar (é, vocês já viram esta foto em algum post antes 😀 ).

Para melhorar, a pousada tem um restaurante delicioso, onde o irmão do Charles, o Mark, prepara comidinhas deliciosas. Eu comi lá na primeira noite e gostei tanto que acabei jantando todas as noites…O ambiente foi montado no meio do jardim, com muitas flores e boa música. O café da manhã também é muito bem feito, cheio de porções individuais (adoro isso!): panquecas, paçoca de côco, batata rösti, além de suco de fruta fresca, pães feitos em casa e outras cositas…
Deu para perceber que eu gostei do lugar, não? 😉
PS: Para outras informações, o site da associação de moradores é bem completo.

Boipeba: praias de pôster

 
Eu não teria conhecido essa maravilha que é Boipeba se não fosse o Ricardo Freire.
Como o Ricardo vem inspirando e orientando muitas viagens por aí (é só passar um dia acompanhando o Viaje na Viagem para comprovar), decidi perguntar a ele qual era a melhor maneira para chegar até Barra Grande / Maraú, lugar que já estava há algum tempo na minha listinha.

E ele me respondeu: ‘Você já foi a Boipeba? É muito mais bacana e bem mais fácil de chegar.’ Eu pesquisei um pouco, no Freire’s e em outros sites (como este com fotos lindas, do fotógrafo Alex Uchôa). Gostei muito do que li (e vi) e perguntei ao Ricardo qual era atualmente a melhor maneira de chegar na ilha.
Aí ele escreveu este post.
Esse super guia foi a base da minha passagem pela ilha e não só pode como deve ser usado por qualquer um que queira aproveitar bem Boipeba. Aqui no blog eu vou relatar um pouco da minha experiência por lá.

Boipeba é uma das três maiores ilhas do arquipélago que forma o município do Cairu, ao sul de Salvador. As outras duas ilhas são Cairu, onde fica a sede do município, e Tinharé, onde fica Morro de São Paulo, vizinha mais famosa e lotada.
Ao contrário de Morro, Boipeba conseguiu manter a tranqüilidade e o dia-a-dia da vila de pescadores que é. Existe uma movimentação turística, especialmente na alta temporada, mas nada que atrapalhe o sossego de quem quer se desconectar. Além disso, a ilha faz parte da APA Tinharé-Boipeba e os habitantes têm a preocupação de evitar a exploração excessiva deste cantinho fabuloso.

Eu estava precisando de um lugar de paz e beleza e também de passar um tempinho comigo mesma. Boipeba foi a escolha perfeita.
Obrigada, Riq! 😀

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