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Se a ilha inteira é um acontecimento, a cidade antiga de Rodes é um mundo concentrado em muralhas de pedra, no extremo norte da ilha. Que, aliás, são um capítulo à parte…

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A minha entrada era o Portão de São João (ou Koskinou), o mais próximo do hotel, o Andreas. Pausa para admirar a estrutura da muralha e seu fosso, antes de entrar no labirinto…
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… deixando para trás a cidade moderna e comum: eu entrava numa outra realidade.
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Arrepios só com a lembrança dos primeiros momentos arrastando a mala pelas calçadas de pedra. O desconforto era minimizado pelo assombro de ver uma cidade medieval muitíssimo bem preservada, silenciosa…cada rua, cada beco estimulavam a ir além. O que foi devidamente feito mais tarde…e sem malas :mrgreen:
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Ver o cair da tarde sobre as casas e as muralhas traz uma sensação de melancolia, saudades de algo que não se viveu. E a noite não é menos impressionante…
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Na cidade antiga é possível caminhar por ruas desertas, encontrando moradores, ter a sensação de ser o único turista ali… e quanto mais ao sul se anda, dentro das muralhas, mais isso é evidente. Eu tive a sorte de me hospedar num hotel que, embora simples, tem um dos atendimentos mais gentis que experimentei na Grécia…além de estar justamente nessa área calma, com uma super atmosfera.

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(mapa de www.rodosnightlife.com)
Mas áreas agitadas e cheias de lojas também existem, assim como pracinhas tomadas por gente querendo curtir o resto do verão ao ar livre. Para quem prefere essa segunda opção, os pontos certos são a Praça Ippokratous…
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… e a rua Sokratous, a mais movimentada e comercial. Aqui o espírito medieval e aquele do século XXI se encontram 😉
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Ao subi-la, é inevitável sentir que todos os visitantes da cidade tenham se concentrado ali. Mas é preciso continuar, seguindo entre as joalherias e lojas de souvenires, pois no final da rua está um cantinho com todo um jeito islâmico, que inclui a mesquita Süleyman…

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 e a biblioteca muçulmana.

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Igrejas ortodoxas, sinagogas, mesquitas…essa mistura de povos, religiões e suas influências na arquitetura é um dos maiores prazeres ao se andar por aqui.

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E para provar o contraste, logo ao lado da mesquita está um dos maiores atrações da cidade antiga, o medieval Palácio do Grão-Mestre. Era aqui a sede da Ordem dos Cavaleiros de São João, enquanto estes estiveram no controle da ilha. Hoje a construção abriga um museu com esculturas e mosaicos da ilha de Kos, além de exposições temporárias. É daqui que sai o passeio semanal pelas muralhas: pena que só acontece uma vez por semana (deve ser espetacular).

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Logo em frente ao palácio começa (ou termina?) a Rua dos Cavaleiros (Ippoton). A minha primeira visão dela foi de impacto: à noite, deserta, com a iluminação misteriosa, típica do intra-muros. Lindo, de babar…pena que as minhas fotos não deram conta do que eu estava vendo. Melhor ficar com algumas tiradas durante o dia.

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Era nessa rua estreita, cheia de prédios dourados, que viviam os Cavaleiros de São João, divididos em ‘albergues’ de acordo com sua origem, ou línguas que falavam: França, Inglaterra, Alemanha, Itália, Aragão, Auvergne e Provence. Cada um pode ser identificado pelos brasões nas fachadas… 

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Eles foram os controladores da ilha desde o começo do século XIV até 1522, quando a ilha foi sitiada e tomada pelo sultão Süleyman, iniciando o período de dominação otomana em Rodes. Hoje em dia, os prédios são ocupados por consulados, bancos, escritórios…tudo muito prático e moderno, mas que não interfere com a impressão que se tem ao entrar na rua e atravessá-la inteira, especialmente no final da tarde, quando a luz do sol ilumina as pedras das fachadas…

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A Rua dos Cavaleiros está no limite norte da cidade antiga e a partir dali pode-se sair dela e visitar o porto comercial, onde atracam os cruzeiros: um bom lugar também para se apreciar a beleza e grandiosidade das muralhas. Dali é só subir em direção à cidade nova, onde se percebe claramente a ocupação italiana nos prédios fascistas, como o da prefeitura, nos de inspiração veneziana ou art-déco, como o exótico aquário da cidade, na extrema ponta norte da ilha.

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A exploração pode terminar em um ponto conhecido, bem ao lado da cidade nova: o porto de Mandraki.

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A fama vem da sugestão de ter sido ali, na entrada do porto, a posição do Colosso de Rodes, uma das oito maravilhas do mundo antigo. Tudo é especulação, pois nem se tem certeza da existência da estátua, uma gigantesca reprodução do deus Helios, feita inteiramente de bronze.

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Se a essa altura o cansaço ainda não deu as caras, o melhor a fazer é voltar para o início do tabuleiro e continuar a se perder pelos cantinhos da cidade antiga…principalmente se a noite já tiver caído. Depois escolha um bom restaurante, como o Nireas, meu preferido: comida excelente, atendimento simpaticíssimo, numa pequena pracinha. Ou então o restaurante do hotel Marco Polo: comida grega moderna ao ar livre, em um pátio com laranjeiras e fontes, uma delícia.

Depois do jantar, faça mais um esforço e continue caminhando…depois da meia-noite já não há praticamente ninguém nas ruas e a recompensa é certa: não há como esquecer a sensação de ter viajado no tempo.

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