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Depois de uma manhã preguiçosa, reservei a tarde para um passeio de veleiro pela caldeira. Nikos foi o motorista até Fira, já que os barcos saem do porto antigo, Skala, na base da capital da ilha – o mesmo usado para os tenders que levam e trazem os inúmeros turistas que chegam à ilha por cruzeiros.
Fira é frenética, como se pode esperar da principal vila da ilha: além do forte comércio e da concentração de hotéis e restaurantes, aqui ainda se encontram alguns museus, como o Megaro Gyzi (com fotos de antes/depois do terremoto de 1956) e o Museu Arqueológico (com algumas peças do sítio arqueológico de Akrotiri que não foram levadas para Atenas).
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A cidade é badalada, coisa e tal, mas…sinceramente? Não é a minha praia, não entrei no espírito de Fira. Não sei se o erro foi ter escarafunchado Oia primeiro ou se estava mesmo num esquema menos muvuca e mais relax, mas é fato também que Fira tem um perfil menos sofisticado, as construções e a vila em si não são tão bem cuidadas.
Os fãs de Fira vão contestar e eu já aceito de pronto: acredito que com os lugares acontece a mesma coisa que com pessoas –  com alguns não vamos muito com a cara e com outros caímos de amores, à primeira vista. Mas com certeza ela deve ser a grande escolhida dos mais jovens, que devem se sentir em casa com tantos bares e casas noturnas.
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Do centro de Fira parte o teleférico que vence o desnível de 300m até o porto. A outra alternativa de transporte é representada por essa categoria tão explorada na Grécia: os pobres burrinhos, que carregam massas humanas muito mais pesadas do que o razoável, todo o dia. Decidi poupar os pequenos e usar a prática primeira opção.
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Em contrapartida à experiência em Milos, esse barco era bem maior…e cabia um tantinho de gente a mais 🙄 Pelo menos não havia música a bordo (ou quase, veria mais tarde :mrgreen: )
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E o barco saiu navegando pelas águas da caldeira: Santorini é na verdade o respiradouro de um vulcão que já entrou em erupção várias vezes, sendo a mais violenta delas ocorrida em 1.650 a.C., quando a cratera expeliu tanto magma que depois murchou e submergiu criando um tsunami forte o suficiente para chegar até Creta, onde exterminou a civilização minóica.
Já o que restou de Santorini (ou Thira, seu nome grego oficial), foi sepultado com as cinzas e começou a vir à tona com as escavações do sítio arqueológico de Akrotiri, no sul da ilha (atualmente fechado para visitação).  Mas o vulcão continuou ativo e criou posteriormente Palia Kameni (em 197 a.C.) e Nea Kameni (1707), que é essa ilha das fotos abaixo e primeira parada do barco.
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Fica mais fácil entender a geografia de Santorini com um mapinha: dá para perceber que existe um formato circular envolvendo a ilha principal, Thirasia e a pequena Aspronisi, formando o que antigamente eram as encostas do vulcão. Tudo o que está nesse meio, incluindo Palia e Nea Kameni, era a cratera deste vulcão, ou caldeira.
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(mapa de www.santorinigreece.net)
Aliás, ainda é a cratera, já que o vulcão ainda está em atividade e é monitorado de perto. É interessante levar um tênis na exploração de Nea Kameni, pois anda-se um pouquinho e em terreno irregular, até chegar à cratera atual.
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Não espere fogo, apenas fumaças e crostas amareladas de enxofre. E muitas rochas.
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A caminhada é interessante, mas o melhor dela (e meu motivo principal para fazer o passeio de barco) é poder ter essas incríveis vistas de Santorini…
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Essa é uma das grandes vantagens de se chegar à ilha por ferry: ter a visão dos grandes paredões se aproximando. Como cheguei por ar, as vistas de Nea Kameni ajudam a fazer uma simulação…
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(Impressionante. E lindíssimo. Complementa a visão inversa, da ilha para a caldeira.)
A segunda parada é em Nea Kameni, nas águas termais. Não é quente o suficiente, o enxofre (quase) mancha o biquíni. Passo.
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Nessa hora servem comidinhas e bebidinhas, bom para aquecer já que o dia não estava muito quente. E também para passar o tempo, enquanto um dos marinheiros resgatava com bóia um rapaz que não agüentava voltar nadando para o barco 🙄 (Como eu sou má… :mrgreen: )
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E seguimos em direção a Oia, na ponta norte de Santorini, passando por Thirasia à esquerda e suas syrmata. O nublado da tarde foi dando lugar um a uma luz maravilhosa e um friozinho gostoso.
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Todos em terra firme já estavam a postos para o espetáculo de final de tarde, no castelo.  Dá para ver também que existem ainda muitas casas-caverna abandonadas num ponto nobre da vila, só esperando para serem restauradas.
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O sol deixava tudo dourado e vermelho: as casas no porto de Ammoudi, as rochas da encosta, até mesmo o mar.
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Nesse momento o barco pára e são içadas as velas…

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…e o comandante do veleiro começa a tocar saxofone! (Apesar de nunca ter ido a João Pessoa, me lembrei na hora do Jurandir do sax :mrgreen: )

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Apesar das interferências sonoras e de algumas nuvens, o sol não desaponta. Mais um pôr-do-sol inesquecível na viagem, para a coleção.

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Na volta para a Fira, a noite já ia descendo e os muitos cruzeiros estavam totalmente iluminados, esperando por seus passageiros que desciam ininterruptamente com o teleférico. Fiz o caminho inverso, seguindo para a  ‘casa’ e mais uma noite em Oia.