Aqui, ali e em toda a ilha

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Santorini é uma ilha grande e, se quiser conhecer um pouco dela além do cantinho onde está hospedado, vai ter que escolher alguma maneira de se deslocar: a minha opção foi bem tradicional – aluguel de carro. Não recomendo usar os seus pobres pés: fazer uma trilha bacana é sempre um prazer, caminhar por uma estrada sem acostamento é tortura. Li também que o transporte público é escasso. Uma outra possibilidade, o quadriciclo, saiu da cabeça assim que os vi competindo a 10km/h, nas ribanceiras, com carros e seus motoristas impacientes.
Decisão feita, o simpático Micra seguiu ilha afora. Primeira parada em Fira para almoçar: o Sphinx é ótimo e a vista é aquela já sabida, ou seja: impecável. Umas olhadinhas desejosas nas joalherias de Fira e segui o caminho para finalmente conhecer as praias da ilha. Não que eu estivesse ansiosa por isso: sabia que não eram grandes maravilhas, mas queria pelo menos ter um gostinho. Depois de chegar em Perissa…uma saída rápida.
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Não que fosse feia, sabe? Mas o visual pedra-cinza-com-visual-sujo, hmm…não foi convidativo. Não era uma praia paradisíaca ou particularmente animada. Poderia ter ido para Kamari ou Perivolos, mas achei que estava de bom tamanho.
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Mas com uma certa praia eu estava curiosa: Praia Vermelha. E o nome não é à toa…Linda praia, salva a reputação da ilha. 
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Ela fica bem ao sul, próxima ao sítio arqueológico de Akrotiri. Deve ser uma visita interessantíssima, mas a precariedade das instalações gerou alguns acidentes, entre eles um acidente fatal com um turista britânico em 2005. Desde então, as escavações se mantêm fechadas ao público.
Da mesma maneira que uma visita a Europa sempre causa algumas decepções aos fotógrafos, devido à quantidade de andaimes e tapumes das obras em restauração, a Grécia em particular reserva como surpresas os sítios arqueológicos que são fechados temporariamente. Aqui o Akrotiri, em Milos as Catacumbas…
A tarde terminava e desci até o porto principal, Athinios, que recebe os ferries.
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Eu acabei herdando um gosto estranho do meu pai, que quando viajava sempre dava um jeito de passar um tempo observando estações ferroviárias e portos, a movimentação de gente para lá e para cá. Até hoje gosto de descobrir para quais destinos são as próximas saídas, imaginando o caminho, o objetivo dos passageiros: turismo, negócios, ver família…
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Mas não fiquei para o pôr-do-sol, devidamente aproveitado já em Oia. No dia seguinte, o último em Santorini, acabei não indo muito longe também: após aproveitar a última manhã na piscina, só para variar um pouco :mrgreen: , desci até o porto de Ammoudi, na base de Oia (e que vocês já viram no post anterior, numa das últimas fotos).
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É um vilarejinho de pescadores que tem algumas tavernas na beira da água: são as psarotavernas (psaro=peixe), onde você vai até a cozinha, escolhe o(s) peixe(s) que serão convidados para a sua mesa, fala como serão preparados (grelhados, fritos etc.). A sua comida é pesada in natura e o resto do trabalho é escolher acompanhamentos e pedir uma cervejinha. 
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O lugar é simples, assim como a cozinha, mas o ambiente é absolutamente relaxante. Nessa mesa da frente estava um casal, os dois ainda vestidos de noivos, comemorando com amigos e família. Deveria ter cumprimentado os felizes pombinhos, mas a minha cara-de-pau ainda não tinha vindo à tona 🙄
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Talvez ela aparecesse com vinho: depois de subir até Oia e descer novamente, dessa vez em direção à planície, surgiu a Domaine Sigalas. Santorini é uma grande produtora de vinhos brancos, em especial a da variedade assyrtiko, que é endêmica da ilha: ele foi a base da maioria dos vinhos provados ali e fiquei fã.
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Degustei dois excelentes brancos e um tinto, e também vinsanto, um vinho de sobremesa também típico dali. Um pouco doce e intenso demais para o meu paladar, mas ótimo na preparação de molhos para carnes (humm…). E se estiver ainda no pique, existem muitas outras vinícolas preparadas para oferecer degustações (só não recomendo a grande Boutaris, onde o atendimento foi inexistente.)
Além de todas estas particularidades na produção vinífera, Santorini tem sua paisagem tomada na maior parte por estes ‘ninhos de cegonha’:  esse formato inusitado de vinha foi a solução encontrada para enfrentar os ventos constantes e a maresia.
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A essa altura estava quase virando abóbora: o tempo na ilha da fantasia já tinha se esgotado. Era hora de pegar as malas no hotel, dar uma olhada para trás com um suspiro e seguir para o aeroporto, próxima parada: Mykonos.
Antes da viagem, Santorini era, na minha cabeça, um grande clichê: casais em lua-de-mel em um lugar bonito, badalado e incensado pela mídia do turismo.
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(Sim, é o mesmo casal que estava na taverna em Ammoudi 😆 )
Depois destes três dias absolutos e necessários, a conclusão foi que, se os clichês surgem, é por um bom motivo. E Santorini não é só hype: é tudo verdade mesmo. E muito melhor 😉

No centro da caldeira

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Depois de uma manhã preguiçosa, reservei a tarde para um passeio de veleiro pela caldeira. Nikos foi o motorista até Fira, já que os barcos saem do porto antigo, Skala, na base da capital da ilha – o mesmo usado para os tenders que levam e trazem os inúmeros turistas que chegam à ilha por cruzeiros.
Fira é frenética, como se pode esperar da principal vila da ilha: além do forte comércio e da concentração de hotéis e restaurantes, aqui ainda se encontram alguns museus, como o Megaro Gyzi (com fotos de antes/depois do terremoto de 1956) e o Museu Arqueológico (com algumas peças do sítio arqueológico de Akrotiri que não foram levadas para Atenas).
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A cidade é badalada, coisa e tal, mas…sinceramente? Não é a minha praia, não entrei no espírito de Fira. Não sei se o erro foi ter escarafunchado Oia primeiro ou se estava mesmo num esquema menos muvuca e mais relax, mas é fato também que Fira tem um perfil menos sofisticado, as construções e a vila em si não são tão bem cuidadas.
Os fãs de Fira vão contestar e eu já aceito de pronto: acredito que com os lugares acontece a mesma coisa que com pessoas –  com alguns não vamos muito com a cara e com outros caímos de amores, à primeira vista. Mas com certeza ela deve ser a grande escolhida dos mais jovens, que devem se sentir em casa com tantos bares e casas noturnas.
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Do centro de Fira parte o teleférico que vence o desnível de 300m até o porto. A outra alternativa de transporte é representada por essa categoria tão explorada na Grécia: os pobres burrinhos, que carregam massas humanas muito mais pesadas do que o razoável, todo o dia. Decidi poupar os pequenos e usar a prática primeira opção.
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Em contrapartida à experiência em Milos, esse barco era bem maior…e cabia um tantinho de gente a mais 🙄 Pelo menos não havia música a bordo (ou quase, veria mais tarde :mrgreen: )
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E o barco saiu navegando pelas águas da caldeira: Santorini é na verdade o respiradouro de um vulcão que já entrou em erupção várias vezes, sendo a mais violenta delas ocorrida em 1.650 a.C., quando a cratera expeliu tanto magma que depois murchou e submergiu criando um tsunami forte o suficiente para chegar até Creta, onde exterminou a civilização minóica.
Já o que restou de Santorini (ou Thira, seu nome grego oficial), foi sepultado com as cinzas e começou a vir à tona com as escavações do sítio arqueológico de Akrotiri, no sul da ilha (atualmente fechado para visitação).  Mas o vulcão continuou ativo e criou posteriormente Palia Kameni (em 197 a.C.) e Nea Kameni (1707), que é essa ilha das fotos abaixo e primeira parada do barco.
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Fica mais fácil entender a geografia de Santorini com um mapinha: dá para perceber que existe um formato circular envolvendo a ilha principal, Thirasia e a pequena Aspronisi, formando o que antigamente eram as encostas do vulcão. Tudo o que está nesse meio, incluindo Palia e Nea Kameni, era a cratera deste vulcão, ou caldeira.
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(mapa de www.santorinigreece.net)
Aliás, ainda é a cratera, já que o vulcão ainda está em atividade e é monitorado de perto. É interessante levar um tênis na exploração de Nea Kameni, pois anda-se um pouquinho e em terreno irregular, até chegar à cratera atual.
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Não espere fogo, apenas fumaças e crostas amareladas de enxofre. E muitas rochas.
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A caminhada é interessante, mas o melhor dela (e meu motivo principal para fazer o passeio de barco) é poder ter essas incríveis vistas de Santorini…
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Essa é uma das grandes vantagens de se chegar à ilha por ferry: ter a visão dos grandes paredões se aproximando. Como cheguei por ar, as vistas de Nea Kameni ajudam a fazer uma simulação…
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(Impressionante. E lindíssimo. Complementa a visão inversa, da ilha para a caldeira.)
A segunda parada é em Nea Kameni, nas águas termais. Não é quente o suficiente, o enxofre (quase) mancha o biquíni. Passo.
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Nessa hora servem comidinhas e bebidinhas, bom para aquecer já que o dia não estava muito quente. E também para passar o tempo, enquanto um dos marinheiros resgatava com bóia um rapaz que não agüentava voltar nadando para o barco 🙄 (Como eu sou má… :mrgreen: )
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E seguimos em direção a Oia, na ponta norte de Santorini, passando por Thirasia à esquerda e suas syrmata. O nublado da tarde foi dando lugar um a uma luz maravilhosa e um friozinho gostoso.
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Todos em terra firme já estavam a postos para o espetáculo de final de tarde, no castelo.  Dá para ver também que existem ainda muitas casas-caverna abandonadas num ponto nobre da vila, só esperando para serem restauradas.
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O sol deixava tudo dourado e vermelho: as casas no porto de Ammoudi, as rochas da encosta, até mesmo o mar.
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Nesse momento o barco pára e são içadas as velas…

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…e o comandante do veleiro começa a tocar saxofone! (Apesar de nunca ter ido a João Pessoa, me lembrei na hora do Jurandir do sax :mrgreen: )

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Apesar das interferências sonoras e de algumas nuvens, o sol não desaponta. Mais um pôr-do-sol inesquecível na viagem, para a coleção.

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Na volta para a Fira, a noite já ia descendo e os muitos cruzeiros estavam totalmente iluminados, esperando por seus passageiros que desciam ininterruptamente com o teleférico. Fiz o caminho inverso, seguindo para a  ‘casa’ e mais uma noite em Oia.

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