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Difícil tarefa escolher poucas ilhas na infinidade de opções que a Grécia oferece: uma competição muito dura, com tantas tentações…Santorini e Rodes eram as únicas com lugar garantido no roteiro e o restante dele foi construído aos poucos. Mykonos foi uma dúvida até o último momento, mas era certeza a inclusão de ilhas mais low profile, sem um apelo turístico tão óbvio.
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Depois de muito ler os guias e consultar, como sempre, o Guia Grécia (especialmente o Ranking das Ilhas), fiquei entre Milos e Folegandros (nas Cíclades) e Patmos (Dodecaneso). Mas o que determinou o corte final foi o ‘quesito’ transporte: as duas últimas tinham conexões difíceis tanto de ferry quanto avião nas simulações de roteiro e acabaram cortadas (mas esperando na fila para a próxima vez…)
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Mas não foi só por isso que Milos conquistou uma vaga na seleção de ilhas: tendo origem vulcânica, ela tem algumas das paisagens mais exóticas do Egeu e isso foi o que mais me atraiu, totalmente capturados por fotos de praias que poderiam estar na lua, formações rochosas espetaculares, vilarejos de pescadores muito originais.  Fora que estava a apenas 25 minutos de vôo de Atenas! E foi num pequeno Dash 8 da Olympic que cheguei à ilha, fugindo do frio que perseguia desde Meteora até Atenas, no dia anterior.
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Fazia um calor incrível, sol forte…tudo estava bem. No táxi para o hotel, conferia de perto as famosas casinhas brancas que já tinha visto pela janela do avião e que fazem a fama das Cíclades. A capital (ou chora) de Milos é Plaka, mas a escolha foi ficar em Adamas, o porto: mais opções de hotéis, restaurantes, mais agitação.
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Quer dizer…não muita agitação. Era meio de setembro e, enquanto Santorini continuava na sua alta temporada, Milos já tinha começado a fechar para balanço. Uma calma absoluta em Adamas àquela hora da tarde: alguns gatos pingados almoçando, um ferry entregando poucos passageiros ao porto e o que deveria ser feito era um básico reconhecimento de terreno. E quer saber? Adorei. O único inconveniente que a baixa temporada em Milos trouxe foi encontrar uma boa parte da listinha de restaurantes com as portas já fechadas, incluindo o Aragosta (mas isso também aconteceu em Atenas, no badalado Baxevanis).
Mas por que lamentar se você tem uma taverna à beira da água, cheia de peixes fresquinhos que você escolhe e pesa na cozinha? A comida no O Flisbos é simples, mas se vê claramente que é muito fresca e feita com capricho. Um peixe grelhado, saladinhas e cerveja, só o necessário para entrar no ritmo (lento), uma adaptação muito fácil :mrgreen: Uma leve caminhada e voltar para a nova ‘casinha’ …Vontade de não fazer nada e depois dormir, e foi essa a atividade no restante da tarde.

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O lugar escolhido em Milos foi o Villa Notos, uma das muitas boas surpresas na Grécia em relação à hospitalidade. Ioannis e sua esposa me receberam um dia após o casamento de sua filha e, depois de mostrar o impecável e enorme quarto e ajudar com aluguel do carro, ele bateu à porta com docinhos do casamento e lembrancinhas: potes do doce tradicional da ilha, feito de melancia. Super fofo.

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Ele está bem localizado, no canto direito de Adamas, junto à pequena praia de Lagada: perto da (suposta) muvuca, mas num canto silencioso e bucólico. Não pode ser considerado uma pousada, já que não há áreas comuns, nem café da manhã, mas nenhum dos dois fez falta…não quando se tem um mini loft novinho, bem decorado e com amenities Korres no banheiro. E acabei de ver que estão em primeiro lugar no Trip Advisor para acomodações em Adamas. Acho que não preciso falar mais para recomendar este lugar 😉
O plano para o dia seguinte era conhecer o canto nordeste: Pollonia, a segunda maior vila da ilha, boa para quem quer mais ficar na praia, além de dois lugares intrigantes: Papafragkas e Sarakiniko.
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(mapa de www.milos-island.gr, um bom guia para ilha)
Mas…a ‘frente fria’ me alcançou. O dia começou com uma chuvinha fina e chata, o calor tinha ido embora. Mas já tínha feito nada no dia anterior e queria alguma ação, então…era hora de pegar o bravo guarda-chuva e sair por aí no surrado Punto alugado por apenas 30 euros por 2 dias (a idéia era pegar só um dia, mas por esse preço? Ah, baixa temporada…)  Ao chegar em Pollonia o que vi não foi muito animador.
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A chuvinha fina deixou a vila com ar desolador. Quem se atrevia a andar pela rua se encolhia em baixo dos guarda-chuvas, apenas os pescadores continuavam na lida.
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Mas deve ser um lugar muito agradável com bom tempo. Mas como não era esse o caso, coloquei o pé na estrada de novo, parando em Papafragkas.

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Taí um lugar absolutamente fora do padrão de qualquer praia: rochas formando cavernas e piscinas de um super azul. Mas não dava nem para pensar em colocar os pés na pequeniníssima faixa de areia. Só para ter uma idéia melhor do que nas minhas fotos, dêem uma olhada aqui.
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Ao chegar em Sarakiniko, não chovia mais, mas o céu ainda estava nublado, o que não impediu de sentir o impacto de um dos lugares mais diferentes e bonitos visitados nessa viagem.
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Se a anterior era interessante, essa aqui sobe uns degraus a mais na avaliação… como o tempo não atraiu banhistas, a praia estava deserta, o que reforçava o aspecto lunar, junto com as cavernas nas paredes e a rocha branquíssima, esculpida pelo vento.
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Do outro lado da prainha, o sonho branco continuava e ainda guardava algumas surpresinhas…
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Fiquei ali um bom tempo, um pouco hipnotizada pela paisagem e pelo barulho da água batendo com força nas rochas. Só fui embora quando chegaram três senhoras russas muito simpáticas, falando alto e escalando as rochas, numa super animação. Mas acabei voltando mais uma vez no último dia, dessa vez com sol.
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Era hora de voltar para o ‘centrinho’ da ilha, que se concentrava entre Adamas, Plaka e a vila de Tripiti. É um faixa de casas sobre a borda do penhasco, cheia de antigos moinhos, alguns deles transformados em charmosas casas para aluguel. Dá para ter uma idéia aqui, é bem bacana.
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Fica perto de Tripiti também o local onde foi encontrado a famosa Vênus (de Milo, de onde mais?), as catacumbas cristãs (únicas na Grécia, mas fechadas para visitação temporariamente) e é daqui também que parte a estrada para visitar as mais fofas vilas de pescadores que se pode imaginar. Mas antes…uma parada estratégica 😉

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(Tony, fiquei com a consciência pesada depois do vídeo… 🙄 )