Atenas – Αθηνα: reconhecimento de terreno

img_6319
Primeiro dia em Atenas. Com o cansaço de tantos deslocamentos, a preferência foi aproveitar o confortável hotel para dormir até mais tarde e tomar um lento café-da-manhã. A idéia também estar bem preparada para enfrentar a cidade. Não queria ser negativa, mas nunca tinha ouvido maravilhas sobre Atenas: alguns diziam que a cidade era suja e desorganizada, outros que era quente demais, ou então que era um lugar para bater cartão por um ou dois dias e seguir para as ilhas.
Para começar, levei um tempão para decidir sobre o hotel: que difícil! Pelas fotos os hotéis não eram muito empolgantes, a não ser os carésimos. Fora que a dondoca aqui queria porque queria ter vista para a Acrópole 🙄 Até que o grande Grécio, digo, Décio, provavelmente o homem que mais conhece do país por aqui (e autor do indispensável Guia Grécia), indicou o Athens Gate.
Gostei do hotel à primeira vista: novinho e muito bem localizado, do lado do metrô, de Pláka e da Praça Syntagma. E, além da super vista para o Templo de Zeus e Monte Lycabettus do nosso quarto, poderia admirar a Acrópole tomando o café 😎
img_6301 
Saí então para constatar a loucura do trânsito e a dificuldade de se encontrar taxistas…nenhum vazio parou. E a decisão de seguir a pé foi confirmada quando um deles, ao invés de usar o simples desprezo, começou a gritar e a gesticular, bravo. Ok, ok…você venceu, melhor voltar ao metrô. Que sempre se revelou a melhor opção de deslocamento, além do próprio par de pernas: como pode ser visto pelo mapa abaixo, as distâncias entre os principais pontos turísticos não é grande.
athens_map
(mapa de www.aathitya.in, mas eu acho que eles pegaram do site antigo do Lonely Planet).
A recompensa chegou logo: a primeira surpresa vêm da exposição de escavações arqueológicas encontradas no processo de expansão do metrô, que foi atrasado por muito tempo por conta dessas e outras.
img_6309
Aparentemente esses obstáculos foram resolvidos a tempo das Olimpíadas de 2004 (esperamos que da maneira correta…): quase não dá para acreditar na comparação do sistema atual com o antigo. Não deveria ser de uma super ajuda ao turista, como é hoje.
A exposição continua dentro da estação central Syntagma, com objetos de cerâmica e metal, mosaicos e um corte no solo revelando os resquícios das diferentes épocas de ocupação.
img_6314
Nas plataformas de embarque, réplicas dos famosos mármores de Elgin…
img_6973img_6975
… e já dentro do vagão, uma simpática voz que anunciava a cada parada: ‘Epomeni stasi…‘ 😀 (Para mim só perde para a voz forte do metrô de Barcelona: ‘Próxima estació: Cataluuuuña‘ 😆 ) Nem todas as linhas são novas assim, mas posso dizer que o metrô de Atenas entrou com louvor para o meu histórico de apreciação de metrôs 😉
Ele seguiu até a estação Victoria e mais uma caminhada de 15 minutinhos até o Museu Arqueológico Nacional, a atração principal do dia.
img_6347
O museu foi criado no final do século XIX para abrigar as principais descobertas arqueológicas do país, incluindo sítios como Micenas, Thira (Santorini), Delfos e muitos outros. É um dos grandes museus do mundo, abrangendo desde arte pré-histórica até peças dos primeiros séculos da era cristã.
img_6317
É enorme, portanto é melhor selecionar de acordo com os seus pontos principais de interesse. Para mim, uma das coleções mais fantásticas é a de arte pré-histórica, logo na primeira sala, que inclui uma ala só de figuras cicládicas, como essa abaixo: não é surpreendente constatar como a arte primitiva pode ser moderna? É só ver a obra deste moço aqui e deste aqui também.
img_6320
Seguindo no tempo, é também aqui que se encontram os achados da civilização micênica, como o afresco ‘A Dama de Micenas’, no topo do post, e peças diversas em ouro, como máscaras funerárias. A principal delas é essa no centro da foto abaixo, conhecida como ‘Máscara de Agamemnon’.
img_6316
Os lindíssimos kouroi
img_6325img_6327
(Gente, esse é um blog de família, mas não resisti à foto da direita 😆 )
Outros destaques são as esculturas de bronze, como esse magnífico Posêidon…
img_6328
…ou o Jóquei de Artemision, encontrado no mesmo local que a estátua acima.
img_6334
Ainda merecem destaque, entre as esculturas em mármore, esse Minotauro abaixo, além da enorme coleção de vasos no andar superior. Neste ao lado se pode ver Hércules, com sua pele do leão de Neméia, em alguma de suas aventuras…
img_6331img_6340
Mas uma das peças mais divertidas é essa escultura representando Afrodite, com a ajuda do seu filho Eros, repelindo as investidas de um fauno abusado com o chinelo (!) que acabou de tirar do pé 😆
img_6342
Há um bocado de outras coisas interessantíssimas, como o mecanismo de Antikythera, inventada para realizar cálculos astronômicos, mas se você quiser fazer uma pausa, há uma loja muito simpática e um restaurante à beira do jardim. Um lugar delicioso, onde até uma tortuguita passeava…
img_6344img_6343
Mas os planos para almoço eram outros….desci em direção à praça Omonia – ponto agitado da cidade -, passandopelo Mercado Central e virando à direita em direção a Psiri.
img_6355
Este é um bairro boêmio, cheio de tavernas tradicionais e barzinhos da moda. Queria ter a primeira refeição numa boa taverna e testei uma dica comendo na Nikitas. Já era tarde e mesmo assim havia muitos locais comendo, o que referendava o local. Me fartei com tomates e pimentões recheados, souvlákis e algumas outras coisinhas. Foi ali que experimentei a onipresente Mythos, que caiu muito bem no calorzão…e também onde tive o primeiro contato com essa coisa maravilhosa que é o tzatziki. Essa virou minha entradinha preferida, presente em quase todas as refeições na Grécia, acompanhando sempre pães deliciosos…Aliás, pães responsáveis por uma boa parte do excesso de peso corporal trazido de volta ao Brasil 🙄
img_6350img_6352
A cenografia não podia ser melhor: ruas para pedestres cheias de mesinhas, casarões antigos, igrejinhas ortodoxas em todos os cantos. Quem não adoraria ter um lugar assim sempre à mão, charmoso e cheio de história, onde se possa beber uma cervejinha com amigos numa noite quente?
img_6351
Reunindo toda força de vontade para sair de Psiri, continuei a volta de reconhecimento, que incluía também uma tentativa de se familiarizar com a língua grega…pude ter a oportunidade de, nesse primeiro dia, colocar em prática os estudos do alfabeto grego, iniciados no vôo até Atenas :mrgreen:  Mas a transcrição começou de maneira bem leeenta… 😀
img_6609 img_6610
Uma leve caminhada e se chega em Monastiraki, uma super área comercial onde se encontra de tudo: jóias, falsificações, souvenirs, sandálias de couro, roupas, restaurantes…para os que gostam de comprinhas é uma tentação! Até uma espécie de 25 de março você encontra lá, o mercado de pulgas.
img_6362img_6359
É ali, no limite entre Monastiraki e Pláka, que estão alguns dos sítios arqueológicos mais interessantes, como a Ágora Antiga e a Ágora Romana. Mas só iria visitá-los no dia seguinte…por hoje, só queria ainda sentir um pouco gostinho de Pláka, o bairro mais famoso e turístico de Atenas. Gostei do que vi à tarde e decidi voltar para jantar.
img_6390
E que decisão acertada! Pláka é um dos bairros mais deliciosos em que já estive e é ainda mais especial à noite, quando todos saem para jantar e em cada bequinho se encontra uma taverna, música, escadinhas com flores, igrejinhas ortodoxas…
img_6393
A caminhada terminou na Palia Taverna tou Psara, numa mesa ao ar livre, onde comi uma lula grelhada recheada com queijo e pimentões. Uma maravilha, realçada ainda mais pelo ambiente.
Voltei para o hotel na sombra da Acrópole iluminada…
img_6385

O trenzinho e a caipira

img_6264
Apesar de estar muito longe de ter dado uma volta ao mundo, me senti muito próxima de Phileas Fogg nesta viagem: acredito que quase todos os meios de transporte possíveis foram usados, mas ele ainda ganha por uma carona de elefante 😉
Carro na França e ônibus urbano em Istambul são alguns…Só de trechos de avião foram 13, usando quatro companhias diferentes (e, milagrosamente, não foi cansativo e em parte por conta da pouca bagagem: uma malinha de 15 kg).
img_70221
Barcos de todos os tipos, em todos os lugares: lanchas e navettes no sul da França, veleiros na Grécia e ferries para cruzar o Bósforo, em Istambul.
img_9328
Queria ainda ter usado os catamarãs e ferries entre as ilhas gregas, mas a falta de informação quanto aos horários (e se iriam mesmo operar em setembro) na época do planejamento da viagem levou à preferência pelos vôos, por segurança. Talvez numa próxima viagem, quando estiver no pique de pegar uma mochila e sair sem planejamento e reservas: hoje tem ferry para Folegandros? Ótimo. Não tem? Ok, vamos para Naxos 😀
Mas uma coisa que eu queria mesmo era andar de trem. Ok, haveria metrô em Paris e Atenas, funiculares em Atenas e Istambul, bondes moderninhos e antigos nesta última. Mas eu queria era mesmo viajar, sentir o que é andar de trem de verdade.
img_8812img_8832
Sim, parece incrível, mas nunca fiz viagens longas com trem. Na Europa sempre fui viciada em carro e no Brasil…veja bem, não preciso comentar muito. A única vez em que viajei de trem foi quando era bem novinha e meu pai sentiu que precisávamos ter a experiência, além de tentar reproduzir um pouco as sensações que ele próprio e a minha mãe tinham, quando crianças, transitando entre o sul de Minas e São Paulo. A solução: saímos da Estação da Luz em direção a Campinas, andamos um pouco por lá e voltamos. Foi bacana, mas rapidinho e há tanto tempo atrás…
Depois só fiz trajetos curtos e históricos, como o Anhumas-Jaguariúna, Tiradentes – São João del Rey, Passa Quatro – Divisa SP/MG, Memorial do Imigrante…Tudo muito bacana, mas nada realístico. Por tudo isso é que eu optei pelo TGV para voltar do sul da França para o aeroporto: além da experiência, ainda poderia partir com tranqüilidade, aproveitar carona até a estação e chegar com folga ao Charles de Gaulle, pouco mais de 5 horas depois, para pegar o vôo com destino a Atenas.
Os bilhetes foram comprados uns dias antes, numa agência de viagens em Cogolin, do lado de Port Grimaud. No dia de viagem, peguei carona com os anfitriões até Les Arcs, o ponto mais próximo de parada do TGV.
img_6272
É uma cidadezinha do Var, cercada de vinhedos, à beira da A8, a auto-estrada da Provence. Tendo algum tempo antes da chegada do trem, queria dar uma volta, mas a mala não deixou, além da estação estar numa área um pouco desoladora da cidade. Aliás, a própria não fica muito atrás não: um prédio pequeno e bonito, do início do séc. XX, mas em triste estado de conservação.
Ok, um pouco de espera e lá vem ele, rapidinho que só…
img_6273img_6267
Um pequeno sufoco achar o vagão correto dentro do pouquíssimo tempo de parada do TGV na estação, o que me fez pagar o mico de correr com mala plataforma afora 🙄 Mas uma vez dentro…sossego puro! Mesmo não optando pelo vagão de primeira classe, as poltronas são muito confortáveis, mesinhas úteis para escrever e apoiar bebidas e comidinhas.
E a paisagem? Que interessante ver toda a mudança de cenário conforme se passa rapidamente de uma região até a outra! Não dá para se entediar, mesmo porque a visão de sua janela muda num piscar de olhos 😉 Rios, castelos, cidades, montanhas, campos verdes com vaquinhas…Eu parecia uma garotinha, sem tirar os olhos da janela, com um sorriso bobo nos lábios, música nos ouvidos. É…para usar um clichezão, antes tarde do que nunca. Sou mesmo uma garota deslumbrada de 32 😳
O ritmo da viagem foi tão bacana que nem acreditei quando o trem se aproximou da estação final, Charles de Gaulle (que, aliás, não poderia ter contraste maior com a Les Arcs…) Saí do trem, mas não sem uma certa insatisfação, pensando nas chatices básicas do próximo meio de transporte: check-in, embarque, ônibus, avião, ônibus, pegar mala…
img_6283
Eu, que já era fã da aura romântica dos trens, mesmo sem nunca ter viajado, depois disso só me certifiquei de que quero usá-los muitas e muitas vezes. O único problema é ter começado por um trem do nível do TGV: talvez fique mais difícil fazer um downgrade depois para um trem mais lento, mais velho e desconfortável…
Depois de um vôo rápido e pontual até Atenas, mais uma boa surpresa com trilhos… Estava na dúvida entre tomar um táxi (um certo pânico – depois confirmado – de enfrentar os taxistas atenienses) e usar o metrô. Decidi arriscar e pegar um dos últimos trens, depois de correr muito e esquecer de compostar o bilhete…Não façam isso, crianças! Fiquei tensa depois que me lembrei deste pequeno detalhe: não aconteceu nada, mas na volta para o aeroporto vi um fiscal autuando uma turista francesa que não sabia que tinha que compostar o tíquete na entrada da estação.
Uns quarenta minutos de viagem depois (num trem super limpo e novinho), estava em pleno centro de Atenas, na linda estação Acrópolis. Mais dois quarteirões caminhando e voilà: o hotel,  Athens Gate. Mais uma vez deslumbrada: que civilizado! Que fácil! Nessa hora eu me lembrei dos R$ 80 cobrados para ir de Guarulhos até a minha casa 🙁
Água e um loukomi depois eu já nem me lembrava mais dos taxistas de Guarulhos, de Atenas ou de qualquer lugar que fosse. Especialmente depois de entrar no quarto e dar de cara com essa vista 😀
img_6284
 
 

javaversion1 Warning: passthru() has been disabled for security reasons in /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-content/themes/simplepress-2/footer.php on line 3 Call Stack: 0.0001 240104 1. {main}() /home/aturistaacidental.com.br/public/index.php:0 0.0002 243496 2. require('/home/aturistaacidental.com.br/public/wp-blog-header.php') /home/aturistaacidental.com.br/public/index.php:17 0.4442 29403304 3. require_once('/home/aturistaacidental.com.br/public/wp-includes/template-loader.php') /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-blog-header.php:19 0.4460 29422480 4. include('/home/aturistaacidental.com.br/public/wp-content/themes/simplepress-2/index.php') /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-includes/template-loader.php:74 0.7461 30283848 5. get_footer() /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-content/themes/simplepress-2/index.php:32 0.7461 30284480 6. locate_template() /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-includes/general-template.php:76 0.7462 30284680 7. load_template() /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-includes/template.php:647 0.7464 30301256 8. require_once('/home/aturistaacidental.com.br/public/wp-content/themes/simplepress-2/footer.php') /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-includes/template.php:688 0.7464 30301544 9. passthru() /home/aturistaacidental.com.br/public/wp-content/themes/simplepress-2/footer.php:3