Depois de Passa Quatro, escolhemos sanar uma lacuna nossa em relação às cidadezinhas de serra em São Paulo: São Francisco Xavier, a mais próxima delas da capital. Estávamos precisando urgentemente de descanso, depois de um período insano de trabalho que não dava sinais de melhoria no ritmo.
A escolha recaiu sobre a pousada A Rosa e o Rei, na estrada de terra que liga São Francisco Xavier a Joanópolis e Monte Verde, distante cerca de 11km do centro da vila, que na verdade é um distrito de São José dos Campos. A maior parte do distrito é legalmente reconhecido pelo Estado como APA (Área de Proteção Ambiental), por ainda manter um trecho original de Mata Atlântica na Mantiqueira.

Para chegar até lá é necessário passar por dentro de São José, num caminho um pouco confuso. A partir dali é uma estradinha bonita que segue até Monteiro Lobato e depois até o centrinho de SFX. A estrada é estreita e de mão-dupla, mas não é perigosa: tem poucas curvas e não há uma subida de serra forte, já que a vila não está numa posição muito alta, são os arredores que tem altitudes mais compatíveis com a serra.

(mapa de www.saofranciscoxavier.org.br)
São Francisco Xavier é uma vilinha simpática, com o tradicional centrinho com a matriz, coreto, alguns restaurantes e lojas. Nós não chegamos a experimentar a gastronomia local porque a nossa pousada oferecia pensão completa, mas algumas boas opções podem ser o Yoshi, de comida asiática, e o café Photozofia, que tem espaço para exposições e música ao vivo.
A cidade tem várias cachoeiras, pontos para salto de asa-delta, o Pico do Selado, muito procurado para escalada (já na divisa com Monte Verde, em MG) e várias trilhas, das quais a mais famosa é a travessia São Francisco Xavier – Monte Verde: 12 quilômetros que podem ser feitos em até 6h, em média. Já queria fazer essa trilha há um tempo, lindas vistas, mas não foi dessa vez: a preguiça falou mais alto e acabamos não saindo do hotel 😳
Mas a pousada tem suas atrações próprias, entre elas duas cachoeiras, a Rosa…

…e o Rei…

…que podem ser ouvidas mais fortemente por quem fica nos chalés de baixo, no meio da mata que circunda o rio, mas um som mais suave pode também ser ouvido dos chalés de cima, que têm vista. Nós ficamos uma noite em um dos primeiros e o as outras duas nos de cima: estes tinham uma obra próxima, neste dia, e acharam que talvez o barulho pudesse ser ouvido e sugeriram a divisão da estada, o que aceitamos.

Todos são confortáveis, mas os de cima são mais espaçosos, alem de ter o ofurô dentro do quarto: nos chalés da mata o ôfuro fica em um terraço, ao ar livre. E um ponto crucial (para mim, pelo menos): essa bela vista 😉

Em caso de querer não sair do chalé, você pode escolher DVDs, CDs e livros do catálogo que eles deixam à disposição na recepção e, para curtir o friozinho da serra, nada melhor que uma lareira. O fogo também é personagem principal quando todos se reúnem no jardim para apreciar uma bela fogueira construída para aquecer e deixar a noite ainda mais bonita…

De manhã, a pedida é participar das aulas de tai chi chuan dadas pelo Fred, o dono da pousada, numa bela sala com vista para o vale e com o som das cachoeiras ao fundo. Na verdade a idéia inicial dele era montar um centro de treinamento de tai chi no local, mas impedimentos quanto às construções devido à propriedade estar dentro da APA o fizeram desistir do projeto. Tempos depois o projeto da pousada surgiu e foi aprovado.
Outra boa sugestão é fazer a trilha dentro da pousada, que começa pela parte alta do terreno e segue a beira do rio, passando pelas duas cachoeiras. Em todo o percurso existem pontos para descanso e contemplação. Esse ponto virou um favorito para leitura…
 
Deve ser fabuloso ter um curso d’água como este dentro de uma propriedade, que privilégio! Dá até vontade de entrar, mas não estava exatamente quente e, segundo o pessoal da pousada, mesmo no verão é preciso ter coragem…Mas só a paisagem ao descer pela beira do rio já compensa 😀


Outro ponto que virou um preferido meu foi esse deck, num ponto isolado. Perto dele ficava um caminho d’água para massagear os pés e banquinhos para descanso…


Mas esse não é um lugar para carnívoros: todas as três refeições são ovolactovegetarianas. A comida é muito saborosa e gostamos especialmente dos jantares: sempre sopas creme, tortas ou risotos. Não sentimos falta da carne, realmente.
O tai chi chuan, a comida, a água correndo…a idéia é criar um ambiente de relaxamento e era disso mesmo que estávamos precisando: silêncio, beleza e privacidade. Quem sabe alguma trilha mais pesada da próxima vez? 😉