Costa Rica

Mim Tarzan, você Jane

O nosso próximo destino, Monteverde, estava a uma distância ridícula em linha reta de La Fortuna, fiquei animada. Mas…que ilusão. As estradas que pegam o caminho mais curto são horríveis e teríamos que dar a volta em todo a Laguna Arenal (que não é pequena) e ainda percorrer um bom trecho de serra. Ok…

Não que a paisagem fosse um problema, ao contrário: tivemos o lago nos acompanhando uma boa parte da viagem e o vulcão dando tchau, bem atrás de nós.
 
Depois de um tempo, caímos na rodovia Panamericana, que corta as Américas de norte a sul, em caminhos demarcados oficialmente ou não. Na Costa Rica, ela se chama Interamericana e é uma das principais vias de movimentação interna e entre os países vizinhos, Panamá e Nicarágua.
Paramos para almoço em Cañas, uma pequena cidade já no espírito sabanero de Guanacaste (falarei mais sobre isso no próximo post) e aproveitamos que ali perto estava Las Pumas, um centro de recuperação de animais silvestres. Eles recebem bichos confiscados e tentam devolvê-los ao meio ambiente, mas alguns ficam ali por toda a vida, infelizmente. Lá pudemos ver este lindo tucano arco-íris e grandes felinos, que são a especialidade deles.

E depois…ânimo para subir a serra, o que demorou um bocadinho: a estrada é de terra e não está nas melhores condições. No final da tarde chegamos ao centrinho de Monteverde, que não é nada mais que três ruas em formato triangular, com um comércio super movimentado. Só quando seguimos em frente é que percebemos a estrutura da cidade: ela continua por uma estrada de terra que segue até o parque, e as atrações, hotéis e restaurantes estão espalhados por ela. Tudo rústico, mas muito charmoso…Até me lembrou Visconde de Mauá 😉

Monteverde tem sua origem em uma comunidade quaker que chegou ali por volta dos anos 50 e se estabeleceu entre duas áreas de floresta, a Reserva Biológica Bosque Nuboso Monteverde e a Reserva Santa Elena. Eles foram responsáveis por boa parte da preservação que se observa na região, inclusive lutando contra o asfaltamento da estrada que vai da Interamericana até a cidade.
Fizemos o check-in no nosso hotel, o El Establo, não muito longe do centrinho. Ele é imenso…possui spa e canopy próprios e os blocos ficam espalhados por um terreno grande e bonito: existem até mesmo vans que fazem o trajeto dos quartos para a recepção. Os quartos são igualmente imensos e muito confortáveis, além de ter uma super vista: a planície de Guanacaste, o golfo e a península de Nicoya e o oceano Pacífico ao fundo. Era para lá que iríamos em breve…

Aproveitamos para descansar e planejar o dia seguinte durante a happy hour: a única certeza é que no dia seguinte iríamos experimentar o tão falado canopy (ou zip line) e tínhamos escolhido também onde: no SkyTrek, considerado o mais ‘radical’.

Bem, mas vamos ao que é o canopy: é um conjunto de tirolesas onde o sujeito sai deslizando por entre as copas das árvores (canopy em inglês, taí a origem do nome). A idéia aqui é se divertir e sentir um friozinho na barriga, e não observar os pássaros, que fique bem claro (para isso, é melhor seguir para o SkyWalk, ao lado, como fez o Ernesto).
Você se equipa com capacete, luvas e equipamento de rapel (e para nós também capas de chuva, pois o tempo não estava lá essas coisas…) e segue para o primeiro de onze estágios. Este é bem fácil, café-com-leite mesmo, para ver se é ou não a tua praia. Os outros vão aumentando em altura, velocidade e comprimento do cabo. É muito fácil: você é enganchado ao cabo por um equipamento com polia e…sai deslizando, basicamente :mrgreen:

Os primeiros estágios são tranqüilos e ainda tem uma trilhazinha na mata entre um e outro para relaxar. Mas aos poucos eles vão ficando mais altos (200 m de altura está de bom tamanho?) e mais compridos (o de 800 m é uma delícia, pena que é um dos últimos…). Em alguns momentos, parece que se vai bater contra as árvores ou os galhos, mas tudo é preparado para passar raspando…É quase como uma corrida de cipó à Tarzan pela mata, só que mais moderninha :mrgreen:

(foto de www.world-travel-photos.com)
Puxa, terminou? Dá para ir de novo? 😳
Pois é, até daria, mas a chuva começou bem nessa hora. Melhor procurar um cantinho aconchegante para repor as forças. Fomos parar no Sofía, um restaurante super charmoso, com várias críticas positivas no Trip Advisor. Ótima escolha, fizemos um longo almoço, com direito a uma beringela com queijo de cabra que estava uma belezinha 😉
Como continuava a chover, tivemos que abandonar os planos originais, que era visitar o Bosque Nuboso Monteverde. Essa região é considerada uma das reservas de floresta tropical mais importantes dos trópicos, pela variedade de fauna e flora que se encontra ali. É por causa de altitude onde se encontra, sobre a cordilheira de Tilarán, que a reserva se chama bosque nublado e não uma floresta tropical úmida e isso pudemos conferir durante o tour do canopy, afinal em certas partes passávamos voando dentro das nuvens…

(foto de Wikipedia)

A reserva biológica oferece passeios guiados pelas trilhas durante ou dia ou à noite, quando é mais fácil observar os animais. Um dos mais procurados, mas dificílimo de ser avistado é o quetzal, uma ave lindíssima, que atrai muitos ornitólogos ao local somente para vê-la.

(foto de critterimages.com)
Uma outra possibilidade é visitar a Reserva Ecológica Santa Elena, que fica na estrada oposta à que vai a Monteverde a partir do centrinho. Ela é um pouco menos visitada que a Monteverde e pode oferecer passeios mais tranqüilos. As duas reservas têm administração privadas e interessantes histórias de preservação.
Mas não teve jeito de ver uma ou outra, com a chuva que tinha intenção de entrar pela noite, então seguimos para um lugar coberto: o Ranário, perto do centrinho. Sapos, claro. Nunca se pode vê-los demais 🙄 Apesar de já termos visto um jardim deles no La Paz Waterfall Gardens, e soltos, este aqui vale a pena pela variedade e pelo acompanhamento do monitor, que explica muito bem cada tipo e suas particularidades.
Apesar de sempre existir jardins de bichos diversos pelo país, Monteverde parece concentrar interesses de todos os tipos: além de sapos, tem o tradicional jardim de borboletas, o de insetos, o serpentário… Para os que não fazem questão de tanta interação com a natureza, existem livrarias, lojas e galerias de arte onde o forte é trabalho com madeira. Como o que queríamos era mesmo botar o pé na lama, acabamos tomando um café e voltando para o hotel.
E descansar, pois tínhamos um convite muito especial para o dia seguinte…

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Outras viagens…

O que faz Monteverde tão especial é justamente o seu ambiente. Por isso, numa próxima vez eu adoraria visitar:
– o Bosque Nuboso Monteverde: o parque têm 13km de trilhas demarcadas, cada uma passando por vários tipos de paisagem diferentes.
– Reserva Santa Elena: para uma caminhada mais tranqüila e silenciosa. A reserva também oferece os passeios noturnos e passeios diurnos guiados, por 12km de trilhas.
– Sky Walk: é o irmão do SkyTrek, mas mais calmo. É parecido com as Puentes Colgantes do post anterior, mas com um ecosistema bem diferente e mais rico.

20 Comments

  1. Patsy

    Emília,
    Que delícia isso, adorei.
    Vai entender né? Esse eu adorei e as pontes abertar morro de pavor.
    😆
    Passeio super legal, continua contanto que todos estamos adorando.
    Super beijos
    Pat

  2. Ernesto

    Emilia . Voce viu o quetzal? Eu não tive esta sorte!

  3. Emília

    Patsy, te garanto que o canopy dá muito mais friozinho na barriga 😀
    Não vi o quetzal, não, Ernesto. Dizem que é questão de muita sorte, pois o bichinho é muito tímido. Talvez se eu tivesse conseguido ir às reservas…Mas ele é lindo, não é mesmo?

  4. Camila

    Emília, você é muito corajosa! Imagino o tamanho do “friozinho” na barriga! Beijos!

  5. Emília

    Oi, Camila! Corajosa nada, é super tranqüilo (para quem não tem pavor de altura, claro) e divertido.
    E como foi a Canastra? Gostou?

  6. Majô

    Emília, gosta de emoções fortes não ? Acho que eu não encarava isso não 🙄

  7. Emília

    Majô, teve gente no nosso grupo que não queria ir de jeito nenhum e depois que terminou queria mais também 😉 Só não foram as crianças e a recém-casada, que tinha realmente muito medo de altura. A sensação é muito boa 😀

  8. Arthur

    Realmente, apesar do pequenino tamanho, a Costa Rica rivaliza com o Brasil em termos de ecoturismo, legal!

  9. Debora

    Tudo muito legal, mas só de olhar as fotos das pontes abertas sinto tontura!
    Bjs

  10. Tony

    O canopy deve ser legal demais, mas foi essa foto do Bosque Nuboso que me deixou completamente hipnotizado.
    Tive a sorte de ver dois quetzales na Guatemala, são aves de uma beleza indescritível. Mas todos os guias com quem falei concordavam que era cada vez mais difícil vê-los.

  11. Emília

    Arthur, o país é pequeno, o que ajuda bastante o turista no deslocamento e o que impressiona é a variedade de paisagens e ecosistemas justamente nessa área! Em termos de paisagens, acho difícil bater o nosso cantinho…a única coisa difícil por aqui é chegar nos lugares!
    Debora, você fala isso vendo as fotos, mas duvido que iria ficar quietinha se estivesse ao vivo e vendo todo mundo se divertindo 😉
    Tony, pena que essa foto do Bosque Nuboso não é minha, chuiff…é só para ilustrar o post e mostrar que é um lugar mágico!
    E você é mesmo um sortudo de ver os quetzales: na Costa Rica eles estão restritos a Monteverde e Cerro Chiripó, a montanha mais alta do país. E falando em Guatemala, tem uma história curiosa sobre o quetzal: o pássaro pode ser visto tanto em um país como outro, mas a Guatemala foi mais rápida em registrar o bichinho como símbolo do país. Um pouco de cultura inútil 😆

  12. Tony

    Bom, na Guatemala você vê o quetzal cada vez que enfia a mão no bolso para pagar alguma coisa… rs, rs.
    Não, sério, acordamos às 5 da manhã para ir em uma reserva apropriadamente chamada Biotopo del Quetzal. E nossa guia e o guia do biotopo iam conversando e falavam, não sei por quê fazemos os coitados acordarem tão cedo se nunca vimos quetzales aqui. E olha só, esse dia aparecem dois. A cauda é espectacular, e vê-los volar com a cauda balançando de um lado para outro é emocionante.

  13. Emília

    Sortudo! Pelo jeito a Guatemala é mesmo ‘o’ lugar para vê-los, afinal.

  14. Camila

    Emília, o passeio foi muito legal. No primeiro dia conhecemos a parte alta da Casca Danta e no caminho a nascente e o Curral de Pedras. No domingo fomos na parte baixa e de lá já seguimos viagem. A cachoeira e toda a região é linda, mesmo com pouco tempo deu pra aproveitar. Ah! Vi a fazenda em que você se hospedou! 🙂 Beijos!

  15. Emília

    Bacana, Camila! As paisagens são realmente maravilhosas, fiquei impressionada com o paredão do parque…nada como um pouco de beleza para dar uma relaxada 😉

  16. Mari Campos

    Mais Ecomília impossível, não, querida? 😆
    Beijinhos mexicanos pra vc!

  17. Emília

    Mari, na Costa Rica, até o mais urbano vira eco, hehe…É um país para explorar natureza, é o forte deles. Quem não vive sem uma cidade grande por perto pode ficar em pânico 😀
    Aproveitando…que luuuxo aquelas fotos do Las Ventanas! Eu também quero!

  18. eduluz

    Emília, muito bom o título e melhor ainda a descrição do post. Deste jeito a Costa Rica vira top 3, logo, logo.

  19. Emília

    Obrigada, Edu! Eu é que vou ficar com vontade de matar as saudades do Canadá com esses posts que virão no DCPV… 😀

  20. Pingback: Costa Rica | Domingão de Twittadas

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