Deixe de lado um pouco o jornal…

…e visite este site: http://www.hsdejong.nl/myanmar/.
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O fotógrafo holandês Henk de Jong é um apaixonado pela Birmânia (é, eu sei que é Myanmar, mas prefiro o nome antigo) e por uma birmanesa, que se tornou sua esposa.
Por isso, ele viaja freqüentemente ao país para visitar a família e os amigos e lá tira fotos lindíssimas, que vão parar no seu site: cidades, templos, pessoas, o campo…tudo é fantástico, visto pelas suas lentes.

Nesta época ainda mais conturbada no país, que só tem aparecido na mídia por causa das manifestações pacíficas feitas pelos monges budistas contra uma ditadura militar que já dura 45 anos, vale a pena ver do que o país é realmente feito.

Ele ainda mantém um outro álbum de fotos sobre trekkings feitos no Nepal.
Boa viagem!
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Velha Boipeba

Não poderia deixar de falar de Velha Boipeba, a principal vila da ilha e local onde se pode dar uma olhada no dia-a-dia do pessoal que vive lá, bater um papo e conhecer alguns boipebenses (É isso mesmo? Ou boipebanos? Tô confusa 🙄 )
Bem de acordo com o espírito baiano, o pessoal de Boipeba é muito gentil e acolhedor: alguns vêm conversar com você, saber de onde vem, se está gostando…Por outro lado, muitos são tímidos, provavelmente pelo fato de não estarem totalmente acostumados com a invasão turística no seu pedaço.

Algumas vezes, estando na vila de canga, sacola de praia e outros apetrechos praianos, eu me sentia uma alienígena… eu destoava da rotina tranqüila que estava ali instalada. Tenho que lembrar que a época em que estive lá era considerada baixa temporada, vi pouquíssimos turistas. Talvez a sensação mude no verão, alta temporada.

Saindo da Boca da Barra, chega-se à vila andando à esquerda em direção ao atracadouro no rio. Chegando ali, é só subir uma ladeirinha e já se vê a praça principal.

É grande e muito tranqüila, com umas árvores de sombra boa, onde dá para relaxar e observar o movimento: a criançadinha da pré-escola brincando, os meninos jogando futebol no campinho, as charretes transportando de tudo, para todos os lados…

Subindo a ladeirinha à esquerda, você já vê no alto a Igreja do Divino Espírito Santo, do século XVII. Uma fofura de igreja, pena que estava fechada.

Adorei essa foto no site da pousada, que deve ser da festa de Iemanjá… é da lavagem da igreja (ou de suas escadarias), que acontece em maio, quando várias mães-de-santo vêm do continente. (Obrigada, Ana Carolina!)

(foto do site da Pousada Santa Clara)
Andando pela vila, dá para ver as casinhas do pessoal…

…as ruas mais comerciais (a vila tem algumas pousadas e uns poucos restaurantes)…

…a garotada no intervalo da escola…

…e muitos outros detalhes.

Num dos cantos da vila, no sentido do centro da ilha, está o roldão de dendê. Aqui podemos ver o método mais tradicional de extração do azeite de dendê.
Primeiro o dendê é amassado no roldão…

…e depois vai para o tanque, onde o dendê moído é lavado para soltar o óleo, que se separa da água e sobe à superfície.

Depois retirado da superfície da água, ele vai ainda para um tanque, para ser fervido e ter o restante da água evaporada. E aí está prontinho para ser envasado: R$ 3 o litro, dá para acreditar?
Se você for a Boipeba, tire um final de tarde para conhecer a vila, vale a pena. Eu sempre arranjava qualquer desculpa para dar uma passadinha por lá: comprar água, telefonar (eu não levei celular)…
E aqui acaba o relato. Depois de três dias de um delicioso não fazer nada, voltei para Salvador numa manhã ensolarada, só para me deixar com mais vontade de ficar. Eu realmente fiquei um pouco triste de ter que ir embora, mas não tem problema: pretendo voltar logo.  😀

Boipeba 360º

No meu segundo dia na ilha, queria ir um pouco além e fazer um passeio de barco. Batendo papo com o Charles, na noite anterior, falei o que queria e ele já tinha esquematizado uma ida até às piscinas naturais de Moreré para uma família dinamarquesa que eu já tinha conhecido, também hospedada na pousada.
Éramos sete na lanchinha: eu, os quatro da família e um casal de Salvador. Estava tudo bem, só que…eu não queria ir só até Moreré, eu queria dar a volta na ilha.

(foto do site www.boipeba.tur.br)
Claro que o preço era um pouco maior, mas para mim estava ok e para o casal também. Os dinamarqueses não tinham certeza, me perguntavam se valia a pena…eu não sabia, era a minha primeira vez em Boipeba! Mas só descobriríamos indo e eles então concordaram em completar o circuito.
Primeira parada: as famosas piscinas naturais de Moreré. Como era baixa temporada, havia pouca gente e pudemos aproveitar bem o nosso tempo lá. Os tradicionais peixinhos listrados estavam lá e a menina, de uns 4 anos, estava encantada com tantos deles comendo na sua mão…nunca tinha visto algo parecido (os pais me confessaram que eles também não!).

(foto do site www.boipeba.org.br)
A água tem uma temperatura perfeita e você perde um pouco da noção do tempo, conforme vai se afastando para conferir os recifes mais distantes, indo atrás de um peixe aqui, procurando algo mais ali…infelizmente os polvos e lagostas vêm rareando nestas áreas. Os pescadores têm que ir cada vez mais longe para conseguir algum resultado.
Seguimos para a praia de Moreré e fizemos uma caminhada até Bainema, dando uma olhada na vila. É um bom intervalo para se recuperar dos pulos da lancha, que neste trecho circula em mar aberto.
A nossa última parada nesse lado da ilha é na Ponta dos Castelhanos, uma pequena praia onde um navio espanhol naufragou no século XVI. Dizem que dá para vê-lo quando se faz snorkeling na maré baixa.

Muitos pescadores também montam acampamento aqui, para uma semana intensiva de pesca.

A essa altura já estávamos morrendo de fome e o nosso almoço já estava devidamente encomendado ao seu Orlando, dono do (único?) restaurante em Cova da Onça, um dos três povoados da ilha, junto com Velha Boipeba e Moreré.
Chegando lá, pudemos tomar um banho de água doce e tomar uma decisão difícil: polvo, lagosta, peixe ou camarões? Na dúvida, pedimos todos e…estava tudo perfeito. Foi uma bela tarde à beira-mar, lindo sol, comida deliciosa e boa conversa, ali na varanda da casa do seu Orlando. Aliás, ele é uma simpatia de pessoa, adora puxar papo e contar suas histórias. O dinamarquês estava em êxtase, não acreditava estar num lugar daqueles…tinham adorado tudo.

Andamos um pouco pela vila, visitando a igreja de São Sebastião, e saímos dali um pouco contra a vontade…

Nosso passeio continuou por águas calmas, contornando a parte da ilha que é voltada para o continente. Mangues e mais mangues, uma paisagem que caiu bem para aquela tranqüilidade pós-almoço 😀

Já estávamos felizes com tudo isso, mas ainda tinha mais uma parada: o Ponto das Ostras. São bares flutuantes em frente a uma pequena comunidade na Ilha de Tinharé, que servem também como pontos de cultivo das ostras. Muito prático: eles puxam as cordas ao lado do bar e vão abrindo as ostras ali mesmo. A princípio não iríamos comer muito, mas depois de ver as ostras fresquinhas…ninguém resistiu! Mais caipirinhas foram pedidas e ali continuamos com ‘la dolce vita’. Um sossego…só nós ali, batendo papo e observando a garotada brincando nas margens…

Mais um pouco de passeio pelos canais e estávamos de volta à Boca da Barra…passou tão rápido.
O balanço do passeio: mais que aprovado, por todos 🙂
PS: Como todo fim de dia, ainda fiquei ali na Boca da Barra para esperar o pôr-do-sol incrível que bate cartão naqueles cantos…

E com vocês…as praias

Descansou bem? Tomou um café-da-manhã gostoso? Então vamos explorar as praias de Boipeba.

(mapa do site www.boipeba.tur.br)
O ponto de partida é a a praia da Boca da Barra, onde encontramos a maioria das pousadas, o acesso à vila e os bares pé-na-areia.

Uma característica bacana da praia é que ela tem dois lados: um virado para o oceano e outro para o Rio do Inferno, na sua foz. Água salobra ou salgada, você escolhe. Você pode vê-la na foto abaixo, com o rio no canto direito.
 
Apesar de ser a praia mais acessível da ilha, a Boca da Barra é bem tranqüila, pouca gente na areia e circulando.

Através de uma trilhinha chegamos à praia de Tassimirim, cheia de lindos chapéus-de-sol.

Apesar de ter alguns recifes que podem atrapalhar um pouco o banho, a praia é uma delícia: pouquíssima gente efetivamente relaxa por ali e as árvores criam a sombra perfeita. Coqueiros são muito fotogênicos, mas nada como um chapéu-de-sol para abrigar o banhista naquela horinha da sesta 😀

Não cochilei, mas foi o lugar perfeito para ler um pouquinho e cair a ficha de que eu realmente estava naquele lugar incrível…A única companhia que tive nessa manhã foram uns poucos pescadores.
Está tudo muito bom, mas é hora de levantar canga e continuar o praia-tur. Tassimirim não é muito grande e, andando mais um pouquinho e contornando uma grande pedra, chegamos em Cueira.

A primeira visão da praia impressiona…grande, coqueiros sem fim, ela faz uma curva muito bonita. As ondas são fortes e vi algumas pessoas surfando, mas o canto esquerdo da praia é bom para banho.

Além disso, neste cantinho também fica o seu Guido, famoso por cozinhar suas lagostinhas numa barraca improvisada à beira-mar.

É tudo muito rústico, mas uma delícia e o seu Guido é uma simpatia. É só pedir uma cervejinha, enfiar o pé na areia e esperar a sua lagosta. A porção individual varia de R$ 15 a 20 reais, que tal? Se você pedir com antecedência, ele também faz um polvo maravilhoso.
Depois de comer um pouquinho, que tal uma caminhada? A próxima praia é Moreré, uma outra vilinha de Boipeba, famosa pelas piscinas naturais que ficam em frente à praia.

Você tem duas opções: ir pela praia e atravessar o rio, se a maré estiver baixa. Como ela já estava subindo na hora em que fui para Moreré, acabei indo por dentro da ilha, através de uma trilha de mais ou menos 50 minutos.

O bom da trilha é que, além de queimar as calorias, ela passa por uma parte alta de Boipeba em que se pode ver quase todas as praias do lado leste e sul da ilha. Uma beleza. Essa aí de baixo é Moreré, dá até para ver uma parte mais clara, onde ficam os recifes.

A vila é bem pequena e tem um restaurante muito recomendado, o Mar e Côco. Uma pena que não o peguei aberto, fica para a próxima vez…

Mais uma pequena trilha e você está em Bainema, a última praia que pode ser atingida a pé neste trecho da ilha. É uma longa praia cheia de coqueiros, deserta.
Mas não acabou…vamos um pouco mais longe no próximo post.
PS: Apesar de eu ter feito um só post sobre as praias, acredito que tentar visitar todas em um só dia vai te deixar mais estressado/a, o que não é o objetivo num lugar desses! Como sugestão, fique um dia na Boca da Barra, Tassimirim e Cueira e em outro vá até Moreré e Bainema. Na alta me disseram que existem barquinhos trazendo de volta os visitantes para a Boca da Barra, assim como tratores que fazem aquela trilha que eu percorri, indo de Moreré à Velha Boipeba, a vila principal. Não foi o caso quando estive lá, era baixa temporada e a ilha tinha poucos visitantes. É bom se programar antes…

Mar de sensações


Tudo começou em 2004 com Samwaad – Rua do Encontro. Algumas boas críticas nos levaram até o Sesc Belenzinho para conferir o que o Ivaldo Bertazzo tinha aprontado. Saímos de lá bobos com o que vimos, um espetáculo de inspiração indiana, em que os dançarinos eram jovens de periferia, recrutados e treinados pelo Bertazzo. Uma beleza.
Depois veio o Milágrimas, com base na dança e canto africanos, delícia de espetáculo. Com esse histórico, quando soubemos que estava em cartaz o Mar de Gente, não tivemos dúvidas e compramos os ingressos.
A dança é para mim um tipo de arte em que não é necessária muita elocubração para sentir e gostar (ou não). Passa pela intuição, direto ao espírito, e nem tanto pelo intelecto ou razão. Apesar disso, o espetáculo apresenta muitas referências e um enredo para reflexão sobre a humanidade e seus caminhos futuros.

São abordados temas diversos, como a evolução humana, o viver em sociedade, as festas e as guerras, a sedução e o lado sombrio, a espiritualidade. Esta última abre e fecha o espetáculo: o início lembra devotos em Varanasi, com as escadarias do cenário representando os ghats (na minha interpretação…), e o final também tem origem oriental, mas não vou estragar a surpresa para quem pensa em ver o espetáculo. Só digo que é lindo.
Apesar das referências orientais, as músicas são inspiradas na Europa Oriental: Hungria, Bulgária, Rússia, música cigana. As trilhas-sonoras são sempre um show à parte…
O projeto de Bertazzo funciona melhor ainda nas coreografias coletivas, onde se consegue o efeito do grupo como unidade: é hipnotizante (vale recordar a ‘cobra’, de Samwaad, para quem viu). Mas os jovens são muito talentosos e é difícil saber para onde olhar nas coreografias individuais, quando todos estão no palco.

Esse é a primeira montagem profissional desses jovens, dando seqüência ao projeto Dança-Comunidade, nascido da parceria de Bertazzo com o Sesc. Eu, se fosse você, iria ver rapidinho…as últimas apresentações serão de 20 a 23 de setembro, no Auditório Ibirapuera.
Longa vida à companhia e a esses encantadores dançarinos…
(Fotos de divulgação do espetáculo.)

Preparativos para a ilha…

O primeiro passo foi escolher a pousada e acabei ficando com uma das três opções que o Ricardo sugeriu no seu post no Viaje na Viagem (ver post anterior): a Pousada Santa Clara.
Eu já tinha gostado das fotos do lugar, achei que tinha um astral bacana. Depois, ao fazer as cotações, descobri que era o melhor custo-benefício e, além disso, o atendimento feito pelo dono, o Charles, foi uma simpatia.
Só faltava descobrir como…chegar lá. As opções eram muitas: ferry-ônibus (ou táxi)-barco (rápido ou lento), avião até Morro-transfer, catamarã até morro-dormir-transfer, avião fretado direto e várias outras combinações de meio de transporte. Complexo…
Descartei as opções que passavam por Morro, pois não queria dormir lá uma noite ou acordar cedo e me apressar para o aeroporto. O fretado direto para Boipeba foi descartado por razões óbvias – R$ 4.000,00 está bom para você? 🙄
Combinei então o transfer com a pousada: eu pegaria o ferry até Itaparica (Bom Despacho) e lá pegaria o ônibus para Graciosa, um vilarejo um pouco abaixo de Valença. Ali eu pegaria um barquinho rápido até a ilha.

(mapa do site www.ilhaboipeba.org.br)
Apesar de parecer um pouco trabalhosa, a ida foi bem tranqüila.  Já dentro do ferry comprei a passagem para Graciosa, pela Viação Cidade Sol. Os horários combinam com a chegada do ferry a Bom Despacho: é descer de um e subir no outro.
O pessoal da pousada sugeriu um táxi, caso não quisesse tomar o ônibus de linha, mas é muito, muito mais barato e também divertido: ele faz algumas paradas no meio do caminho e é sempre bacana de ver a movimentação dos passageiros, dos vendedores que sobem até o ônibus…
Ao chegar a Graciosa, o Silvinho, dono do barco, já estava me esperando para a parte final da viagem, que iria durar cerca de 50 minutos. A paisagem dos canais é linda: mangue e mais mangue, numa super tranqüilidade que já me fazia imaginar o que eu iria encontrar na ilha.

Pouco tempo depois de partirmos, passamos ao lado da ilha de Cairu, sede do município e onde vemos duas bonitas construções coloniais: o Convento de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora da Luz.
 
Infelizmente os horários, tanto da ida, como da volta, não me deixaram parar um pouco em Cairu…fica para um próxima vez.

Já bem relaxada depois do trajeto, com direito a muitas garças e um belo fim de dia, cheguei a Boipeba, na praia da Boca da Barra.
Pude ver a pousada um pouco melhor no outro dia…e era o que eu estava esperando: é simples, bem de acordo com o espírito do lugar, e muito charmosa. Em cada canto que você olha, você vê o capricho e o bom gosto com que tudo foi feito: o jardim impecável, cheio de pequenas esculturas, os mosaicos por toda parte, flores frescas em todos os lugares…

Fiquei com o chalé chamado de ‘casa da árvore’, pequeno e simpático, um banheiro em baixo e o quarto em cima e uma varanda.

Das janelas do quarto se via o jardim tropical…
 
…e um pouco do mar (é, vocês já viram esta foto em algum post antes 😀 ).

Para melhorar, a pousada tem um restaurante delicioso, onde o irmão do Charles, o Mark, prepara comidinhas deliciosas. Eu comi lá na primeira noite e gostei tanto que acabei jantando todas as noites…O ambiente foi montado no meio do jardim, com muitas flores e boa música. O café da manhã também é muito bem feito, cheio de porções individuais (adoro isso!): panquecas, paçoca de côco, batata rösti, além de suco de fruta fresca, pães feitos em casa e outras cositas…
Deu para perceber que eu gostei do lugar, não? 😉
PS: Para outras informações, o site da associação de moradores é bem completo.

Boipeba: praias de pôster

 
Eu não teria conhecido essa maravilha que é Boipeba se não fosse o Ricardo Freire.
Como o Ricardo vem inspirando e orientando muitas viagens por aí (é só passar um dia acompanhando o Viaje na Viagem para comprovar), decidi perguntar a ele qual era a melhor maneira para chegar até Barra Grande / Maraú, lugar que já estava há algum tempo na minha listinha.

E ele me respondeu: ‘Você já foi a Boipeba? É muito mais bacana e bem mais fácil de chegar.’ Eu pesquisei um pouco, no Freire’s e em outros sites (como este com fotos lindas, do fotógrafo Alex Uchôa). Gostei muito do que li (e vi) e perguntei ao Ricardo qual era atualmente a melhor maneira de chegar na ilha.
Aí ele escreveu este post.
Esse super guia foi a base da minha passagem pela ilha e não só pode como deve ser usado por qualquer um que queira aproveitar bem Boipeba. Aqui no blog eu vou relatar um pouco da minha experiência por lá.

Boipeba é uma das três maiores ilhas do arquipélago que forma o município do Cairu, ao sul de Salvador. As outras duas ilhas são Cairu, onde fica a sede do município, e Tinharé, onde fica Morro de São Paulo, vizinha mais famosa e lotada.
Ao contrário de Morro, Boipeba conseguiu manter a tranqüilidade e o dia-a-dia da vila de pescadores que é. Existe uma movimentação turística, especialmente na alta temporada, mas nada que atrapalhe o sossego de quem quer se desconectar. Além disso, a ilha faz parte da APA Tinharé-Boipeba e os habitantes têm a preocupação de evitar a exploração excessiva deste cantinho fabuloso.

Eu estava precisando de um lugar de paz e beleza e também de passar um tempinho comigo mesma. Boipeba foi a escolha perfeita.
Obrigada, Riq! 😀

Bonito: Páginas Amarelas

Para quem estiver pensando em ir para Bonito, aqui seguem algumas das nossas dicas…
Época – O inverno é uma boa escolha para a viagem, pois as águas estão ainda mais claras: as chuvas podem diminuir a visibilidade nos rios. A temperatura está ótima: um friozinho leve, de manhã e à noite, e calor durante o resto do dia. Tivemos dias lindos de sol.
O ponto negativo é a temperatura dos rios: quando se usa neoprene, caso das flutuações, a água é ótima, mas para entrar nas cachoeiras…é preciso coragem.
Tivemos uma boa surpresa: a primeira quinzena de julho, único período em que podíamos ir, é considerada baixa temporada.
Transporte – Descartamos logo de cara o ônibus, pois a freqüência entre São Paulo e Jardim (o ponto final, de onde se pega outro ônibus até Bonito), é ingrata: apenas uma vez por semana. A idéia inicial era fazer o caminho de carro, fazendo uma parada em Presidente Prudente, mas desistimos: íamos ter quatro dias tomados pelos trajetos de ida e volta. Acabamos optando pelo aéreo, no trecho São Paulo – Campo Grande.
O traslado para Bonito (3h e meia de viagem) foi combinado com a agência, que também providenciou os deslocamentos até os passeios. Na prática tivemos a companhia do pai da dona da agência, que, não só foi nosso motorista, mas também um guia, contando histórias da região e mostrando os bichos no caminho, com olho atento. Como era baixa temporada, fomos sempre os únicos passageiros.
Passeios – O preço dos passeios é tabelado e eles sempre são vendidos pelas agências da cidade. Ou seja, simplesmente aparecer no lugar não é uma boa tática: você não vai poder entrar.
Além dos lugares que visitamos (e que descrevemos nos posts até agora), gostaríamos de testar alguns outros, numa próxima viagem: a Cachoeira Boca da Onça, a flutuação do Bonito Aventura, a Estância Mimosa, as cachoeiras do Aquidauana e o mergulho na Lagoa Misteriosa.
À noite, dê uma passada nas palestras do Projeto Jibóia, na cidade. E se tiver coragem, coloque uma das belezinhas no pescoço. 😉
Hotel – Ficamos no Pirá Miúna, um hotel novo, simpático e confortável, bem no centro de Bonito. É bem próximo dos restaurantes e do modesto ‘footing’. 🙂 Fizemos a reserva através da agência, para conseguir uma tarifa melhor.
Além das opções urbanas, é possível também ficar em fazendas, normalmente com seus próprios acessos aos rios. A desvantagem é que são bem distantes da cidade, sempre em estrada de terra. Conhecemos alguns casais que ficaram no Hotel Santa Esmeralda, dos Roteiros de Charme, e gostaram muito.

Para comer – a maioria dos restaurantes fica concentrada no centrinho de Bonito, não muito distantes da Av. Cel. Pilad Rebuá, a principal da cidade.

Cantinho do Peixe: especialista em pintado, fica numa simpática casinha de madeira, típica do interior. Virou o nosso preferido: o pintado no molho de urucum é delicioso e o caldinho de piranha é uma ótima entrada.

Santa Esmeralda: numa das esquinas mais movimentadas da cidade, tem seu forte nas massas. Muito bom para quem já cansou dos peixes e quer um pouco de variedade. A picanha também foi bem recomendada, mas não provamos.

Castellabate: o melhor lugar para provar a famosa carne de jacaré, criado em cativeiro na região de Miranda, no Pantanal Sul. É um pouco fibrosa, mas muito boa, especialmente empanada e acompanhada de batatas sauté e alcaparras, como pedimos.

Sale & Pepe: restaurante de estilo oriental, com maior oferta de peixes. Experimentamos o sashimi de piraputanga e o dourado recheado com cebola. Muito bons.

Pantanal: especializado em carnes exóticas da região e peixes (claro…). Recomendamos as costelinhas de pacu.

Vício da Gula: a nossa sobremesa e o cafezinho eram sempre aqui. Doces e tortas apetitosos.

Aluguel de câmera – Em alguns lojas na cidade é possível alugar a caixa-estanque com máquina digital para fotos aquáticas (porém não a caixa-estanque sozinha).

Compras – Não espere boas compras: as lojas só têm souvenirs ‘made in China’ e camisetas. A única loja que vale a visita é a Berô Can, de artesanato indígena kadiwéu (que vivem numa reserva ao norte de Bonito) e de outras tribos.

Para fechar bem uma viagem…Abismo Anhumas

A vontade de descer o Abismo Anhumas já existia há muito tempo…Eu me lembro do meu pai, um grande viajante e apreciador da natureza, comentando sobre a existência de uma caverna imensa e, dentro dela, um lago profundo, no Mato Grosso do Sul. Naquela época, a caverna ainda era restrita aos cientistas, tinha sido descoberta há pouco tempo.

Pois desde então a minha curiosidade continuava…Fiquei sabendo, há alguns anos, que a caverna estava aberta à visitação. Hmmm…
Para melhorar tudo, meus tios, que conhecem Bonito desde a era pré-turismo, visitaram a beira da caverna em sua última visita, no começo do ano. Não tiveram coragem de descer, mas me provocaram: ‘Você tem que ir, é a tua cara!’.
Para acabar com as dúvidas, o Marc também tinha se empolgado e queria ir de todo jeito. Sabíamos que a viagem não estaria completa sem o Abismo.

A visita tem que ser agendada com uma certa antecedência, especialmente na alta temporada: somente 16 visitantes podem descer de rapel e apenas 4 destes mergulham com cilindro no lago, que atinge 80 metros de profundidade. Existe também uma preparação no dia anterior à descida, com treinos de descida e subida pelas cordas, na base que a equipe do Abismo Anhumas mantém na cidade.
A descida só ocorre enquanto há luminosidade na caverna e, portanto, tudo começa bem cedo: éramos os primeiros do dia, e já estávamos lá às 7 da manhã.
Os carros só podem chegar até um certo ponto e percebemos que estamos na base de um pequeno morro. A trilha até a boca da caverna é um pouco íngreme e aí é que cai a ficha: a caverna não é um buraco no solo, mas um morro…oco!

Percebemos, então, que existem dois acessos: este que vocês vêem na foto acima, o maior deles e por onde entra a luz na caverna, e um bem menor, por onde descemos de rapel e onde está montada toda a estrutura. A descida é feita por este acesso por recomendação de espeleologistas, para um impacto ambiental menor.

Depois de rever as recomendações sobre o rapel, mergulho e etiqueta dentro da caverna (sim, mostraremos depois que é necessário), era hora de descer. Nos equipamos e, depois de atados por dois cabos à estrutura e por um outro entre nós, começamos a curtir o rapel…

São 72 metros da fenda até a superfície do lago…o começo é mais lento, pois a fenda não é tão grande e deve-se tomar cuidado para não ficar raspando contra as paredes. Um pouco depois já é possível olhar para baixo e ver o brilho da água.
A sensação é deliciosa…aos poucos vamos entrando na caverna, de leve, e tendo a melhor visão possível, totalmente panorâmica. Vemos os raios de luz entrando pela boca da caverna e atingindo o lago, de um lindo azul turquesa. Podemos também ver as as estalactites ao nosso lado, quando estamos passando na altura do teto da caverna. O esforço é mínimo e o aproveitamento, total. Pena que passa tão rápido…

Um dos instrutores já está nos esperando para nos desvencilhar das cordas e podemos ver a estrutura que foi montada para permitir as visitas. Existem dois decks flutuantes: um deles para a equipe, onde os instrutores organizam o equipamento do rapel e de mergulho autônomo. Uma parte dele está na foto abaixo:

O outro deck serve para que nós, visitantes, possamos descansar, nos equipar para o mergulho e comer alguma coisinha, afinal, se a descida não exige muito esforço, o mergulho e a subida (principalmente) consomem muitas calorias…Os dois decks são ligados por uma ponte e ainda temos também um banheiro químico para nossa comodidade.

Sobre a questão da etiqueta: além das recomendações óbvias de não deixar lixo, nem se aliviar em outro lugar que não o banheiro, deve-se também evitar falar muito alto. Isto não só pelo fato de que a caverna reverbera muito o som, mas também porque este é um ambiente único, de muita tranqüilidade, com ritmo próprio…devemos aproveitar e dar oportunidade para que os outros visitantes curtam também.
Relaxamos um pouco e subimos no bote para conhecer o lago e as formações da caverna, que são belíssimas…
 
 
Esta última formação à direita é o que eles chamam de ‘Guardião’. Infelizmente não pudemos vê-lo, pois a água do lago estava muito baixa e não daria para alcançar a região da caverna onde ele está. (Duas últimas fotos – site do Abismo Anhumas.)
Voltamos ao deck e começamos a nos equipar para o mergulho. Estávamos ansiosos, pois era a primeira vez que iríamos mergulhar com cilindro em uma caverna…e a expectativa era grande.
Uma das características únicas do Abismo Anhumas é a existência de uma ‘floresta de cones’, dentro do lago. Os cones são formações raras que, nas dimensões em que são encontrados aqui (alguns podem chegar a 16 metros de altura), só existem nesta caverna. Podemos vê-los já da superfície do lago:

Mas a beleza deles só se revela mesmo lá embaixo, a 18 metros de profundidade…descemos, descemos, damos uma olhada no esqueleto de tamanduá, que descansa no fundo do lago e, ao darmos a volta em um paredão, encontramos a ‘floresta’:

Tentei achar uma foto (e não consegui) que refletisse bem a hora em que estamos na parte mais baixa do mergulho e temos aquela sensação maravilhosa de ver todas aquelas formações, a luz atravessando a água, o silêncio…só aquilo já valia todo o passeio. Parecia que eu estava em outro mundo.

(Fotos de mergulho – site do Abismo Anhumas.)
Ainda ficamos um bom tempo mergulhando entre os cones e curtindo aquela experiência única. Tínhamos que subir, claro, mas eu não tinha vontade…
Uma vez no deck, tivemos tempo para colocar roupas quentinhas e comer alguma coisa antes de voltar à terra firme.
Ah, a subida…a técnica não é realmente difícil: você coloca os dois pés juntos na fita, leva uma espécie de mosquetão que você tem na altura dos olhos até onde o seu braço puder esticar e depois…é só esticar o corpo. Mas experimente fazer isso umas centenas de vezes… 🙄
Parar um pouquinho para curtir as últimas visões da caverna é sempre uma boa desculpa 😀

Ainda sobrou tempo para dar tchau para as corujas antes de voltar para o sol.

PS: Se eu faria de novo o Anhumas numa próxima vez? Com certeza. 🙂

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